quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A tríade Evangelho, Espiritismo e Esperanto. (4)

Convergências - Leonardo C. Forster.

Destacamos nesta semana algumas convergências entre o Espiritismo e o Esperanto: algo que pode soar como fruto da fantasia para aqueles que desconhecem ou não creem na doutrina espírita. Mas, de qualquer forma, na perspectiva espiritualista própria à doutrina, pelo contrário, retira mais um entre os muitos véus que separam o tangível e o invisível, conferindo maior profundidade à relação entre o Esperanto e o Espiritismo.

Zamenhof, o Doutor Esperanto.

A vida do criador do Esperanto é um exemplo de abnegação e idealismo, de espírito de luta e resiliência, de amor e perseverança, de ciência e espirituosidade, de senso de dever e de fé no futuro. A vida de Zamenhof é por si só uma inspiração digna das almas que procuram por horizontes mais vastos, sintonizados com os ideais de tolerância e fraternidade.

Sua memória precisa ser conhecida, cultivada, contada às novas gerações, para que o brilho verde da esperança renove-se e intensifique-se, e para que o sentimento de alteridade firme-se nos corações desejosos de paz e respeito entre as nações.

O livro Doutor Esperanto, de Walter Francini, editado pela FEB, apresenta com lirismo e maestria a biografia do médico polonês que não somente criou o língua internacional neutra, como também dedicou sua vida para que ela transcendesse seu tempo.

Infelizmente a FEB não dispõe atualmente do livro para venda, mas quem encontrá-lo não deve perder a chance de ler essa história real e comovente.

Uberaba, 2 de janeiro de 1976

Nessa data, Emmanuel, por meio das mãos de Chico Xavier, escrevia: “Aqueles que atingiram a Espiritualidade Superior não cessam de criar alegria e cultura, elevação e beleza”. O querido guia de Chico e, por que não dizer, de todos os espíritas, referia-se ao espírito Francisco Valdomiro Lorenz, que trazia dos escaninhos da Espiritualidade uma história belíssima a respeito do Esperanto.

Antes de mencioná-la, no entanto, ressaltamos que a Língua Internacional não pertence a nenhuma religião, doutrina ou filosofia, e tem por única diretriz a chamada “ideia interna”, ensinada por Zamenhof como um ideal de respeito mútuo entre os povos. Os espíritas, portanto, estão entre muitos outros cuja religião, e ponto de vista doutrinário e filosófico, afiniza-se com esse ideal, que em essência pode ser chamado cristão.

Feitas as ressalvas, voltemos a Lorenz, que nos elucida acerca das atividades de Zamenhof antes de encarnar-se na Polônia, e de sua função missionária em relação ao Esperanto, cujas bases já haviam sido formuladas na espiritualidade.

Lorenz trouxe à luz, graças também a Chico Xavier, o livro Esperanto como Revelação (Esperanto kiel Revelacio), que a FEB publicou em edição bilíngue, português - esperanto.

Hoje é possível baixar a obra em português (infelizmente não tão completa quanto a edição da FEB).

Francisco Valdomiro Lorenz: o espírito comunicante?

Em 1872, nascia onde hoje é a República Checa, aquele que seria um grande conhecedor de inúmeras línguas, Francisco Valdomiro Lorenz. Isso porque, aos 17 anos, segundo o que se conta em sua biografia, dominava todas as línguas eslavas, além do latim, do hebraico e do grego. Como se não bastasse, estudava o chinês, idioma do qual foi o tradutor oficial na Checoslováquia. Dedicou-se também ao inglês, francês, italiano, árabe, e às línguas planejadas volapuque e esperanto. Graças a esta última, manteve contato com Lázaro Luís Zamenhof, seu criador.

Ainda muito jovem, convidado por um amigo e movido pela curiosidade, Lorenz foi a uma sessão espírita na qual, para sua surpresa, uma Entidade lhe revelou: “Atravessarás os mares, separar-te-ão dos teus, e a ti milhares deverão suas luzes espirituais”. Anos depois, por motivos políticos, foge ele para a Pátria do Evangelho, da qual não mais saiu e onde, por fim, fixar-se-á no Rio Grande do Sul.

Como médium espírita, como esperantista e espiritualista, profícua foi sua participação nesses diferentes meios do qual fez parte, legando ao Esperanto suas obras: Plena Lernolibro de Esperanto por Ĉeĥoj, de 1890 (obra dedicada ao ensino de esperanto aos falantes da língua checa); Esperanto sem Mestre, de 1938 (um livro valiosíssimo ao estudo do idioma neutro); Diverskolora Bukedeto, de 1941 (com poemas de 100 línguas diferentes vertidas ao esperanto); Bhagavad-gita, tio estas, sublima kanto pri la senmorteco (tradução feita ao esperanto diretamente do sânscrito, de Bhagavad-gita – a sublime canção) –, isso considerando somente as obras publicadas. Além destas, aos espíritas esperantistas deve ser cara a obra Voĉoj de Poetoj el la Spirita Mondo (Vozes dos Poetas do Mundo Espiritual), de 1944. Este livro, dividido em duas partes, apresenta entre poemas de 6 autores espirituais, poemas de Zamenhof, recebidos em esperanto pelo próprio Lorenz. O prefácio foi escrito por Ismael Gomes Braga, de quem já tratamos em outra edição.

Tendo escrito mais de 50 obras, em 1957, o grande semeador de exemplos e esperança retorna a pátria espiritual para, poucos anos depois, presentear-nos com o Esperanto como Revelação.

Fonte: Esperanto como Revelação / Esperanto kiel Revelacio – Espírito Francisco Valdomiro Lorenz, psicografado por Chico Xavier. Editora: FEB, 1976.

O conteúdo da 1a edição apresenta um prefácio de Emmanuel, biografias de Chico e Lorenz, e algumas considerações sobre o Esperanto no Brasil e no mundo, bem como noções de sua gramática.

Vida Feliz / Vivo Feliĉa – 41 (XLI)

Depois que cometas um erro e tenhas consciência dele, começa a reabilitação.

Nada de entregar-te ao desalento ou ao remorso.

Da mesma forma como não deves insistir no propósito inferior, não te podes deixar consumir pelo arrependimento.

Este tem somente a função de conscientizar-te do mal feito.

Perdoa-te, encoraja-te e dá início à tarefa de reequilíbrio pessoal, diminuindo e reparando os prejuízos causados.

Livro: Vida Feliz.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.


Post kiam vi eraras kaj konscias pri tio, komencu la kulporepagon.

Neniam vin fordonu al la malespero aŭ al la memriproĉo.

Samkiel vi ne devas insisti pri la malnobla deziro, vi ankaŭ ne povas vin konsumi per la pento.

Tiu celas nur konsciigi vin pri la farita malbono.

Pardonu vin, kuraĝiĝu, kaj komencu la propran reekvilibrigan taskon, malgrandigante kaj riparante la kaŭzitajn malprofitojn.

Libro: Vivo Felica.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

Ao sabor das canções... | Encanto do Bem - Carlinhos Conceição | 09/09/2026

 

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