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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A ROSA DA VIZINHA – Chico Xavier.

Certa ocasião, enquanto aguardavamos Chico Xavier terminar sua sessão de autógrafos, no Grupo Espirita da Prece, aproximou-se de Jerônimo Mendonça uma mulher e pediu para assentar-se ao seu lado, tinha urgência em falar-lhe.
A mulher foi logo confidenciando:
Jerônimo, estou apaixonada pelo meu vizinho da frente. Ele é casado, mas isso não tem importância, dá-se um jeito. Já me insinuei de várias maneiras e ele continua fazendo -se de desentendido. O que você acha? Devo ser mais direta, mais objetiva?
Jerônimo, com equilíbrio e indulgência, falou com serenidade.
- Minha filha, carrego um corpo deficitário por dívidas do passado, e nesse assunto, se você nos permitir, gostaríamos de ouvir o Chico, pois ele deve passar por aqui quando acabar de autografar os livros.
Nisso o Chico se aproximou de Jerônimo e deu-lhes os beijos costumeiros.
Jerônimo aproveitou a oportunidade para auxiliar a mulher apaixonada:
- Chico, nossa irmã, muito bondosa, gostaria de saber o que fazer ante à vontade irresistível de colher a rosa do jardim da vizinha.
Para quem sabe ler um pingo é letra. Chico sorriu e respondeu:
- Veja, se a rosa é bonita, naturalmente que todos nós podemos admira-la, mas colher, não. Poderíamos nos ferir nos espinhos, e além do mais a dona da rosa não iria gostar que colhêssemos sua flor tão estimada. E com isso sofreríamos duplamente.
Livro: Chico Xavier, coração do Brasil.
Maria Gertrudes Coelho.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Um minuto apenas

Lúcia era uma mulher feliz. Como poucas, acreditava.
Casada com o homem por quem se apaixonara nos verdes anos da adolescência, vivia o sonho da mulher realizada. Um filho lhe viera coroar a felicidade.
Que mais ela poderia desejar?
Acordava pela manhã e saudava o dia cantarolando. Com alegria realizava as tarefas do lar, cuidava do filho, aguardava o marido.
Tudo ia muito bem. Até o dia em que descobriu que o homem que tanto amava, a traía. E não era de agora. O problema vinha tomando corpo de algum tempo.
Magoada, se dirigiu ao marido. Exigiu-lhe e falou-lhe de respeito.
A resposta foi brutal, violenta. O homem encantador tornou-se raivoso, briguento. Chegou a lhe bater.
Foi nesse dia que Lúcia teve a certeza de que seu casamento acabara. Era o cúmulo.
Não poderia prosseguir a viver com alguém que chegara à agressão física.
Então, acordou na manhã de tristeza, depois de uma noite de angústia e tomou uma séria decisão.
Iria se matar. Acabar com a própria vida. Mais do que isto. Ela desejava vingança.
Por isso, tomou o filho de quatro anos pela mão e decidiu que o mataria. Queria que o marido ficasse com drama de consciência.
Seu destino era o Farol da Barra, na cidade de Salvador, na Bahia, onde residia. Ela sabia que era um local onde o mar batia com violência no penhasco.
A rua por onde transitava era movimentada. Muitos carros. Enquanto aguardava para atravessar a rua, a criança lhe escapou das mãos e correu, entre os carros. Ela se desesperou.
Estranho paradoxo. Conduzia a criança pela mão e tencionava jogá-la do penhasco ao mar para que morresse.
Mas, quando a vê correr perigo, esquecida de si mesma, vai-lhe ao encontro, agarra-a, até um pouco raivosa. Puxa-­a pela mão.
Neste momento, a criança se abaixa, alheia a tudo que se passava, e recolhe do chão um papel.
Lúcia o arranca das mãos do pequeno e um título, em letras grandes, lhe chama a atenção: Um minuto apenas.
Ela lê: Num minuto apenas, a tormenta acalma, a dor passa, o ausente chega. O dinheiro muda de mão, o amor parte, a vida muda.
Vai andando, puxando a criança e lendo a página. Era uma página mediúnica que vinha assinada por um Espírito.
Ela terminou de ler. Passou o ímpeto. Em um minuto. Parou, olhou ao redor e verificou que tinha chegado ao seu destino. O penhasco estava próximo. Sentou-se e teve uma crise de choro.
O impulso de se matar havia desaparecido. Tornou a ler a mensagem. Ela se recordou de um senhor que era espírita e trabalhava no banco, no mesmo onde seu marido trabalhava.
Foi para casa. Lembrou que um dia, jantando em casa dele, ele falara algo sobre espiritismo. Algo que ela e o marido, por terem outra formação religiosa, rechaçaram de imediato.
Ela lhe telefonou, pediu-lhe orientação e ele a encaminhou a um centro espírita.
Atendida por companheiro dedicado, que lhe ouviu os gritos da alma aflita, passou a buscar na oração sincera, na leitura nobre, no passe reconfortante, as necessárias forças para superar a crise.
O marido, notando-lhe a mudança, a calma, no transcorrer dos dias, a seguiu em uma das suas saídas do lar. Desconfiado, adentrou ele também à casa espírita. Para descobrir uma fonte de consolo e esclarecimento.
Hoje, ambos trabalham na seara espírita. Reconstituíram sua vida, refizeram-se. Os anos rolaram. O garoto é um adolescente e mais dois filhos se somaram a ele.
*   *   *
Mudança de rumo. A vida muda. Em um minuto apenas. Em um minuto apenas Deus providencia o socorro.
Pode ser um coração atento, uma mão amiga ou um pedaço de papel impresso caído na calçada. Papel que o vento não levou para longe.
Um minuto apenas e o amor volta. A esperança renasce. Um minuto apenas e o sol rompe as nuvens, clareando tudo.
Não se desespere. Espere. Um minuto apenas. O socorro chega. O panorama se modifica. A vida refloresce.
Tenha paciência. Não se entregue à desesperança. Aguarde. Enquanto você sofre, Deus providencia o auxílio.
Aguarde. Um minuto apenas. Sessenta segundos. Uma vida.
Um minuto a mais...
*   *   *
Em um minuto apenas, a Misericórdia Divina se derrama, cheia de bênçãos, nas vielas escuras dos passos humanos. Corrige, saneia, repara, transformando-as em estradas luminosas no rumo da vida maior.
         Redação do Momento Espírita, com base no cap. 24, do livro O semeador de estrelas, de Suely Caldas Schubert, ed. LEAL. Disponível no CD Momento Espírita, v. 1, ed. FEP. Em 26.4.2018

sexta-feira, 9 de março de 2018

Dois homens e um Camelo – Wagner Luiz Marques






Dois homens percorriam o deserto.
Eles puxavam um camelo que levava nas costas vários tipos de mercadorias.
Em determinado ponto, depois de enfrentarem as areias escaldantes por muitas horas, finalmente encontraram um oásis.
O mais velho diz:
- Filho, vamos descansar aqui. Podemos dormir durante essa noite. Vou me deitar agora. Amarre o camelo bem firme e, depois, pode dormir também.
- Sim, mestre – respondeu o outro.
O jovem olhou para o camelo e, depois, para o céu estrelado.
De forma muito contrita fez uma prece:
“Senhor, meu Deus, estou muito cansado agora para amarrar o camelo. Por favor, tome conta dele. Obrigado, meu Deus. Confio em vossas mãos o nosso camelo.”
Em seguida, foi deitar-se sob uma palmeira e adormeceu tranqüilo.
A manhã surgiu com pássaros a cantar e raios quentes de sol.
De repente, alguns gritos cortaram a paz daquele dia que nascia.
- O camelo fugiu! O Camelo fugiu! –berrava o mestre. –Você não o amarrou
O rapaz acordou assustado e olhando para o velho disse:
- Mestre, durante vários anos aprendi com o senhor a confiar em Deus. Ontem à noite, eu pedi a Ele que tomasse conta do camelo. Mas Ele não tomou...
O velho e sábio mestre, então, disse:
- As mãos de Deus na Terra são as suas. Confie em Deus, mas sempre amarre seu camelo...
Creia! Confie! Mas faça a sua parte!
Livro: Coletânea de historias.
Wagner Luiz Marques.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

La regno / O REINO.

La regno
Dezirante vejnon el oro, bienisto vendis sian teron kaj foriris en la mondon, serĉante la sorĉitan minejon.
Li vojaĝis tra pluraj landoj,
Uzis pioĉon kaj vundis la manojn,
Elreviĝis,
Spertis amarecon,
Suferis, ploris, sin turmetis.
Vojaĝis kaj vojaĝis…
Li grizhara kaj malsana en fremda lando, atendante la morton, eksciis, ke en sia malnova bieno estis trovita orminejo, kies riĉo subtenas milojn da laboristoj.
***
Pensu, amiko.
Trezoro El feliĉo ne troviĝas malproksime.
Ĝi lokiĝas en vi Mem.
Sufiĉas klopodi por ĝin trovi.
Tial plurfoje Jesuo diris:
- la regno de la Sinjoro estas interne de vi mem.
Libro: Feliĉaj la Simplaj.
Valérium / Waldo Vieira.
O REINO
Sonhando possuir um filão de ouro, o sitiante vendeu a terra que possuía e saiu pelo mundo à procura do veio encantado.
Peregrinou por várias plagas.
Utilizou a picareta e feriu as mãos.
Sofreu desencantos
Ruminou amarguras.
Padeceu, chorou, torturou-se.
Viajou e viajou...
Encanecido e enfermo, em país diferente, à espera da morte, veio a saber que em sua antiga propriedade preciosa mina de ouro fora encontrada, estendendo riqueza a milhares de mãos.
***
Pense, amigo.
O tesouro da felicidade não reside a distância.
Rebrilha em você mesmo.
Basta fazer esforço, para saber encontrá-lo.
Por isso é que Jesus disse repetidamente: - O reino do Senhor está dentro de vós.
Livro: Bem-Aventurados os Simples.
Valérium / Waldo Vieira.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Numismatoj de la karitato / Numismatas da Caridade

Numismatoj de la karitato.
Li estis numismato.
Lia kolekto nombris centojn da valoraj kaj plurlandaj moneroj.
Kelkaj milionoj da kruzejroj.
Li pasigis horojn, klasigante kaj aranĝante la stapletojn.
Iun matenon, em kiu li sin distris per sai preferata tempopasigilo, oni frapis je la pordo.
Post kiam li aŭdis tri sinsekvajn frapojn, li stariĝis de la seĝo kaj iris por vidi, kiu ĝi estas.
Tio estis virino em ĉifonaĵoj kun siaj Du infanoj, brakumante trian ĵusnaskitan.
Ŝi petegis helpon.
Ŝi deklaris sin mizera.
Ŝiaj infanoj malsatis.
Li penis liberigi sin de ŝi.
La virino insistis:
- Ĉu vi ne havas almenaŭ kelkajn moneretojn, per kiuj mi aĉetu íon por satigi tiujn infanojn
Li rapide palpis siajn paŝojn kaj energie respondis:
- Ho! Nenion! Mi nun havas nenion... Mi restos ŝuldanta... Poste, poste mi donos...
Li fermis la pordon kaj Iris okupi sin pri sia ĉarma kolekto de miloj da moneroj...
***
Tiel ni multefoje estas...
Numismatoj de la karitato...
Ni havas sufiĉan monon por helpi kaj fari, subteni kaj servi, sed en la ĝusta momento ni krios la unuaj, ke ni havas nenion kaj ke, por doni, nur poste ni havos...
Libro: Feliĉaj la Simplaj.
Valérium / Waldo Vieira.
Numismatas da Caridade
Ele era numismata.
Sua coleção de moedas ascendia a muitas centenas, de valores e procedências diversas.
Alguns milhões de cruzeiros.
Passava horas selecionando e arranjando as pilhas.
Certa manhã, em que se entretinha no passatempo predileto, bateram à porta.
Depois de ouvir três vezes as pancadas repetidas, ergueu-se da cadeira e foi atender.
Era andrajosa mulher, com dois filhos ao lado, conchegando o terceiro, recém-nascido.
Rogava auxílio.
Dizia-se sem recursos.
Os meninos curtiam fome.
Ele procurou desvencilhar-se.
A mulher insistiu:
— O senhor não tem pelo menos alguns trocados para matar a fome destas crianças?
Ele apalpou rapidamente os bolsos e afirmou, incisivo:
— Oh! Nada! Nada tenho agora. Ficarei devendo... Depois, darei depois...
Fechou a porta e foi cuidar dos milhares de moedas da coleção primorosa...
***
Assim somos, muitas vezes... Numismatas da caridade... Temos o suficiente para ajudar e fazer, socorrer e servir, mas, no momento justo, somos nós os primeiros a gritar que nada temos e que para dar só teremos depois...
Livro: Bem-Aventurados os Simples.
Valérium / Waldo Vieira.