Convergências - Leonardo C. Forster.
Destacamos nesta
semana algumas convergências entre o Espiritismo e o Esperanto: algo que pode
soar como fruto da fantasia para aqueles que desconhecem ou não creem na
doutrina espírita. Mas, de qualquer forma, na perspectiva espiritualista
própria à doutrina, pelo contrário, retira mais um entre os muitos véus que
separam o tangível e o invisível, conferindo maior profundidade à relação entre
o Esperanto e o Espiritismo.
Zamenhof, o Doutor
Esperanto.
A vida do criador
do Esperanto é um exemplo de abnegação e idealismo, de espírito de luta e
resiliência, de amor e perseverança, de ciência e espirituosidade, de senso de
dever e de fé no futuro. A vida de Zamenhof é por si só uma inspiração digna
das almas que procuram por horizontes mais vastos, sintonizados com os ideais
de tolerância e fraternidade.
Sua memória
precisa ser conhecida, cultivada, contada às novas gerações, para que o brilho
verde da esperança renove-se e intensifique-se, e para que o sentimento de
alteridade firme-se nos corações desejosos de paz e respeito entre as nações.
O livro Doutor
Esperanto, de Walter Francini, editado pela FEB, apresenta com lirismo e
maestria a biografia do médico polonês que não somente criou o língua
internacional neutra, como também dedicou sua vida para que ela transcendesse
seu tempo.
Infelizmente a FEB
não dispõe atualmente do livro para venda, mas quem encontrá-lo não deve perder
a chance de ler essa história real e comovente.
Uberaba, 2 de
janeiro de 1976
Nessa data,
Emmanuel, por meio das mãos de Chico Xavier, escrevia: “Aqueles que atingiram a
Espiritualidade Superior não cessam de criar alegria e cultura, elevação e
beleza”. O querido guia de Chico e, por que não dizer, de todos os espíritas,
referia-se ao espírito Francisco Valdomiro Lorenz, que trazia dos escaninhos da
Espiritualidade uma história belíssima a respeito do Esperanto.
Antes de
mencioná-la, no entanto, ressaltamos que a Língua Internacional não pertence a
nenhuma religião, doutrina ou filosofia, e tem por única diretriz a chamada
“ideia interna”, ensinada por Zamenhof como um ideal de respeito mútuo entre os
povos. Os espíritas, portanto, estão entre muitos outros cuja religião, e ponto
de vista doutrinário e filosófico, afiniza-se com esse ideal, que em essência
pode ser chamado cristão.
Feitas as
ressalvas, voltemos a Lorenz, que nos elucida acerca das atividades de Zamenhof
antes de encarnar-se na Polônia, e de sua função missionária em relação ao
Esperanto, cujas bases já haviam sido formuladas na espiritualidade.
Lorenz trouxe à
luz, graças também a Chico Xavier, o livro Esperanto como Revelação (Esperanto
kiel Revelacio), que a FEB publicou em edição bilíngue, português - esperanto.
Hoje é possível
baixar a obra em português (infelizmente não tão completa quanto a edição da
FEB).
Francisco
Valdomiro Lorenz: o espírito comunicante?
Em 1872, nascia
onde hoje é a República Checa, aquele que seria um grande conhecedor de
inúmeras línguas, Francisco Valdomiro Lorenz. Isso porque, aos 17 anos, segundo
o que se conta em sua biografia, dominava todas as línguas eslavas, além do
latim, do hebraico e do grego. Como se não bastasse, estudava o chinês, idioma
do qual foi o tradutor oficial na Checoslováquia. Dedicou-se também ao inglês,
francês, italiano, árabe, e às línguas planejadas volapuque e esperanto. Graças
a esta última, manteve contato com Lázaro Luís Zamenhof, seu criador.
Ainda muito jovem, convidado por um amigo e movido pela curiosidade, Lorenz foi a uma sessão espírita na qual, para sua surpresa, uma Entidade lhe revelou: “Atravessarás os mares, separar-te-ão dos teus, e a ti milhares deverão suas luzes espirituais”. Anos depois, por motivos políticos, foge ele para a Pátria do Evangelho, da qual não mais saiu e onde, por fim, fixar-se-á no Rio Grande do Sul.
Como médium
espírita, como esperantista e espiritualista, profícua foi sua participação
nesses diferentes meios do qual fez parte, legando ao Esperanto suas obras:
Plena Lernolibro de Esperanto por Ĉeĥoj, de 1890 (obra dedicada ao ensino de
esperanto aos falantes da língua checa); Esperanto sem Mestre, de 1938 (um
livro valiosíssimo ao estudo do idioma neutro); Diverskolora Bukedeto, de 1941
(com poemas de 100 línguas diferentes vertidas ao esperanto); Bhagavad-gita,
tio estas, sublima kanto pri la senmorteco (tradução feita ao esperanto
diretamente do sânscrito, de Bhagavad-gita – a sublime canção) –, isso
considerando somente as obras publicadas. Além destas, aos espíritas
esperantistas deve ser cara a obra Voĉoj de Poetoj el la Spirita Mondo (Vozes
dos Poetas do Mundo Espiritual), de 1944. Este livro, dividido em duas partes,
apresenta entre poemas de 6 autores espirituais, poemas de Zamenhof, recebidos
em esperanto pelo próprio Lorenz. O prefácio foi escrito por Ismael Gomes
Braga, de quem já tratamos em outra edição.
Tendo escrito mais
de 50 obras, em 1957, o grande semeador de exemplos e esperança retorna a
pátria espiritual para, poucos anos depois, presentear-nos com o Esperanto como
Revelação.
Fonte: Esperanto
como Revelação / Esperanto kiel Revelacio – Espírito Francisco Valdomiro
Lorenz, psicografado por Chico Xavier. Editora: FEB, 1976.


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