Mostrando postagens com marcador Postagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Postagens. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Vida Feliz / Vivo Feliĉa – 41 (XLI)

Depois que cometas um erro e tenhas consciência dele, começa a reabilitação.

Nada de entregar-te ao desalento ou ao remorso.

Da mesma forma como não deves insistir no propósito inferior, não te podes deixar consumir pelo arrependimento.

Este tem somente a função de conscientizar-te do mal feito.

Perdoa-te, encoraja-te e dá início à tarefa de reequilíbrio pessoal, diminuindo e reparando os prejuízos causados.

Livro: Vida Feliz.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.


Post kiam vi eraras kaj konscias pri tio, komencu la kulporepagon.

Neniam vin fordonu al la malespero aŭ al la memriproĉo.

Samkiel vi ne devas insisti pri la malnobla deziro, vi ankaŭ ne povas vin konsumi per la pento.

Tiu celas nur konsciigi vin pri la farita malbono.

Pardonu vin, kuraĝiĝu, kaj komencu la propran reekvilibrigan taskon, malgrandigante kaj riparante la kaŭzitajn malprofitojn.

Libro: Vivo Felica.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

domingo, 6 de setembro de 2026

Allan Kardec Virtuala Spiritisma Centro (LERNEJO DE SPIRITISMAJ STUDOJ)

 

                        https://allankardeconline.com/globalkardec-eo

Plenigu la formularon kaj aliĝu tute senpage.

Post la aliĝo, kursgvidanto kontaktos vin por informi pri dato, maniero studi kaj aliaj detaloj.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Vida Feliz / Vivo Feliĉa – 40 (XL)

 

Enquanto alguém estiver sendo acusado, mantêm-te em silêncio.

Os acontecimentos, quando estouram, têm antecedentes que são ignorados pela maioria dos circunstantes.

As coisas nem sempre são conforme se apresentam, mas consoante são nos seus valores íntimos.

Não faças coro com as acusações expostas.

O delinquente e o infeliz pecador merecem, quando menos, comiseração e oportunidade de reeducação.

Livro: Vida Feliz.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.


Dum iu estas akuzata, vi restadu silenta.

La okazintaĵoj, kiam ili fariĝas publikaj, havas antaŭfaktojn ne konatajn de la plimulto de la alestantoj.

La aferoj ne ĉiam estas tiaj, kiaj ili prezentas, sed kiaj iliaj intimaj valoroj.

Ne faru ĥoron kun la publikaj akuzoj.

La krimulo kaj la malfeliĉa pekinto meritas minimume kompaton kaj okazon por reedukado.

Libro: Vivo Feliĉa.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

domingo, 9 de agosto de 2026

Vida Feliz / Vivo Feliĉa – 37 (XXXVII)

 

Nunca enganes a ninguém.]

A vida é grande cobradora e exímia retribuidora.

O que faças com os outros sempre retornará a ti.

À sementeira sucede a colheita.

Segarás conforme hajas plantado.

Quem engana, ilude, trai, a si próprio se prejudica, desrespeitando-se primeiro e fazendo jus depois aos efeitos da sua conduta reprochável.

Sê honesto para contigo, e, como consequência, para com teu próximo.

Livro: Vida Feliz.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

 

Neniam trompu iun ajn.

La vivo estas forte postulema kaj tre lerte rekompencema.

Kion vi faras al la aliaj, tio ĉiam revenos al vi.

La semado postvenas al la rikolto.

Vi rikoltos laŭ tio, kion vi semos.

Kiu trompas, iluziigas, perfidas, tiu malbonfaras al si. Malprofitigas sin, malrespektante unue sin mem, suferante poste la efikojn de sia malinda konduto.

Estu honesta al vi mem, kaj konsekvence al via proksimulo.

Livro: Vivo Feliĉa.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Vida Feliz / Vivo Feliĉa – 35 (XXXV)

 

Reserva algum período do teu tempo ao serviço sem remuneração à caridade fraternal, à ação em favor da comunidade.

A “hora vazia” é sempre espaço mental perigoso. Oferece-a ao teu próximo, a alguma Sociedade ou Agremiação que se dedique à benemerência, à construção de vidas.

Pequenas ajudas produzem os milagres das grandes realizações.

Jamais te escuses a este mister de ajuda desinteressada, não retribuída.

Há muita aflição esperando socorro e compreensão.

Livro: Vida Feliz.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.


Rezervu periodon de via tempo al senpaga laboro de frateca karitato, al ago favore al la komunumo.

Horo malplena estas ĉiam danĝera mensa spaco. Donacu ĝin al via proksimulo, al ia ajn societo aŭ asocio, kiu sin dediĉas al bonfaro kaj konstruo de vivoj.

Eĉ malgrandaj helpoj produktas la miraklojn de la grandaj faroj.

Neniam rifuzu neprofitan kaj senrekompencan helpon.

Estas multe da aflikto atendanta helpon kaj komprenon.

Livro: Vivo Feliĉa.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Vida Feliz / Vivo Feliĉa – 33 (XXXIII)

 

Tem piedade dos ingratos. Eles asfixiaram os sentimentos nobres nos vapores da soberba.

A gratidão é o sentimento digno que deve viger no homem que recebe benefícios da vida.

Todos a devemos a alguém ou a muitas pessoas que nos socorreram nos momentos graves da existência.

A ajuda na hora certa é responsável por tudo de bom que te venha a acontecer, impelindo-te ao reconhecimento perene.

Sê grato em todas as situações.

Livro: Vida Feliz.

Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira.


Estu kompatema al la nedankemuloj. Ili sufokis la noblajn sentojn per vaporoj de la fiero.

La dankemo estas digna sento, kiu devas ekzistis en la homo, kiu ricevis bonaĵojn dum la vivo.

Ĉiuj ni ŝuldas ĝin al iu aŭ al multaj personoj, kiuj helpis nin en gravaj momentoj de nia ekzistado.

La helpo en la ĝusta momento respondecas pri ĉiu bono, kiu okazos al vi, pelante vin al porĉiama rekono.

Estu dankema en ĉiaj situacioj.

Libro: Vivo Feliĉa.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Deus, Justiça, Evolução – Vinícius.

Que significa a evolução se os seres inferiores não evolvem para as espécies superiores? Onde a eficiência dessa lei eterna e incoercível se os seres devem permanecer eternamente chumbados ao estado e às condições em que os conhecemos no momento atual?

Não temos, acaso, para refutar aquela hipótese, o fato inconteste das profundas modificações verificadas entre os animais de hoje em comparação com os do passado? O mesmo gênero humano não escapa a estas alterações. Os homens, como os animais da atualidade, divergem dos homens e dos animais de outrora. Destes últimos, várias espécies desapareceram do teatro terreno, existindo apenas exemplares nos museus. Outras variedades há que existiram em épocas remotas e só lograram chegar ao nosso conhecimento através de vestígios fósseis.

A criação é uma cadeia infinita cujos elos se entrelaçam num movimento ascensional constante. Não podemos, naturalmente, ver e palpar esse entrelaçamento gradual e progressivo dos seres, porque o orbe em que habitamos não passa de uma nesga ou fração diminuta do Universo.

Os elos da infinita cadeia se conjugam no incomensurável cenário da vida universal. Podemos imaginar esse fenômeno, podemos concebê-lo, mercê de nossa inteligência e de nosso raciocínio, mas não nos é dado comprová-lo neste mísero recanto que ora nos hospeda.

A escada que Jacob viu em sonhos, quando em caminho da Mesopotâmia, é a imagem fiel da evolução. Por essa escada, cujas extremidades se apoiavam, respectivamente, uma na Terra, outra no Céu, subiam e desciam os Espíritos. A escada com seus múltiplos degraus alegoriza claramente as várias etapas do progresso que os Espíritos vão galgando na conquista aurifulgente de seus destinos.

A Terra não está insulada no céu. Tudo, na criação, é solidário, como solidárias são as células de nosso corpo.

Mundos e sóis, planetas e astros, anjos e homens, animais e plantas — todas as modalidades de vida, da mais simples e rudimentar à mais complexa e elevada, sobe a escada maravilhosa da evolução como hino triunfal que a Natureza entoa à sabedoria infinita e ao amor incomparável de Deus.

O grande naturalista Darwin, conquanto se mantivesse exclusivamente no terreno da Biologia, averiguou a veracidade da evolução através das variadas espécies animais anatomicamente estudadas. Gabriel Delanne, o pensador profundo, o espiritualista consumado, em sua obra majestosa — Evolução Anímica — firma, com dados positivos, o conceito, hoje indiscutível, do progresso de todos os seres numa empolgante peregrinação pela senda intérmina do aperfeiçoamento. Wesley, protestante, fundador da igreja metodista, era partidário da evolução. Raciocinando, certa vez, sobre a sorte dos animais, teve este pensamento, próprio de uma alma cristã, de um coração amorável e justo: "Meu Deus! certamente tens concedido aos animais a faculdade de melhorar. Creio que eles não permanecerão no estado de inferioridade em que hoje os conhecemos."

A evolução é um fato que se impõe, e que em tudo se verifica. No campo do subjetivo ela se ostenta também em demonstrações e testemunhos irretorquíveis. A imprensa de Gutenberg evolutiu para as Marinoni, essas máquinas admiráveis, verdadeiros prodígios da mecânica moderna. Os barcos de Fulton evolveram, a seu turno, para essas naus possantes, para os transatlânticos que são cidades flutuantes unindo os continentes. A idéia de Gutenberg e a de Fulton, para citar apenas dois exemplos, emigraram de cérebro em cérebro de geração em geração, subindo, ascendendo aos altos paramos do aperfeiçoamento. E, certamente não se cristalizarão aí. O futuro, em todos os tempos sempre trouxe em seu bojo surpresas maravilhosas.

Creio na evolução porque creio na justiça. Creio na justiça porque creio em Deus!

Livro: Em Torno do Mestre.

Vinícius (Pedro de Camargo)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Monda Tago de jazo. - Mia Amiko Esperanto.

 

ESPERANTO

Monda Tago de jazo. Jazo estas pli ol muziko; ĝi estas simbolo de libereco, improvizo kaj kultura dialogo. Hodiaŭ ni festas la potencon de jazo unuigi homojn el ĉiuj mondopartoj per harmonio kaj kreemo. Ĉiu noto rakontas historion pri digno kaj reciproka respekto inter diversaj popoloj. Ni lasu la ritmon gvidi nin al paca kunvivado. Lernu Esperanton kun ni ĉe Programo Mia Amiko! http://pma.brazilo.org #esperanto #programomiaamiko #zamenhof 

PORTUGUÊS

Dia Mundial do jazz. O jazz é mais que música; é um símbolo de liberdade, improvisação e diálogo cultural. Hoje celebramos o poder do jazz em unir pessoas de todas as partes do mundo através da harmonia e criatividade. Cada nota conta uma história de dignidade e respeito mútuo entre diversos povos. Deixemos o ritmo nos guiar para uma convivência pacífica. Aprenda Esperanto conosco no Programa Mia Amiko! https://pma.brazilo.org #fraternidade #amizade paz amor


domingo, 26 de abril de 2026

Vida Feliz / Vivo Feliĉa – 20 (XX)

 

Jamais te comprazas no mal feito.

Concede-te o direito de errar, porém, exige-te o dever de corrigir.

O azedume, a ira, a violência, devem ceder-te lugar à alegria, à bondade, à paz.

Reencarnaste para crescer e ser feliz.

Abandona os caminhos da viciação emocional e galga os degraus que te alçarão ao patamar da vitória sobre ti mesmo.

Quem não doma as más inclinações, torna-se vítima do desregramento a que elas conduzem.

Livro: Vida Feliz.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.


Vi neniam vin plezurigu pri la farita malbono.

Permesu al vi la rajton erari, sed postulu de vi mem la devon vin korekti.

La kolero, la furiozeco, la malmodereco devas cedi lokon al ĝojo, al boneco kaj al paco.

Vi reenkarniĝis por kreski kaj esti feliĉa.

Forlasu la vojon de emocia malvirto, kaj suriru la ŝtupojn, kiuj levos vin al la podio de la venko super vi mem.

Kiu ne venkas la malbonajn inklinojn, tiu fariĝas viktimo de malbonaj moroj al kiu ili kondukas.

Libro: Vivo Feliĉa.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Vida Feliz / Vivo Feliĉa – 19 (XIX)

 

         Tolera as falhas alheias e não as apresentes no festival de fofocas.

         Todos erramos.

         Sábio é aquele que, no erro, aprende a agir com correção.

         Quando vejas alguém caído, dá-lhe a mão, em vez de te comprazeres em censurá-lo.

         Ninguém tomba por querer. E, se tal ocorre, nele predomina a ignorância, que é um cruel inimigo do homem.

         Ainda assim, o equivocado merece mais socorro do que reprimenda.”

         Joanna de Ângelis / Divaldo Franco

         Livro: VIDA FELIZ.

 

         Toleru la mankon de la aliaj kaj ne prezentu ilin en la festivalo de klaĉaĵoj.

         Ni ĉiuj eraras.

         Saĝulo estas tiu, kiu per eraro lernas agi ĝuste.

         Kiam vi vidos iun falintan, donu al li la manon, anstataŭ riproĉi lin.

         Neniu falas propravole. Sed se tio okazas, en li superregas la nescio, kiu estas kruela malamiko de la homo.

         Eĉ tiamaniere, la erarinto pli meritas helpon ol riproĉon.

         Libro: Vivo Feliĉa.

         Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Vida Feliz / Feliĉa Vivo – 15 (XV)

         “Somente lobos caem em armadilhas de lobos – leciona o Evangelho de Jesus.

         Desse modo jamais te permitas o espinho da humilhação ou da desonra, quando agredido ou malsinado.

         És o que vives interiormente, e não aquilo de que te acusam.

         Não te tornarás melhor porque estás elogiado, ou ficarás pior porque combatido.

         Permanece honrado e discreto, sendo tu mesmo, em busca do aprimoramento íntimo.”

         Livro: Vida Feliz

         Joanna de Angelis / Divaldo Franco.


         “Jen mi sendas vin kiel ŝafidojn meze de lupoj” – Instruas la Evangelio de Jesuo.

         Tial, vi neniam permesu al vi esti pekita de humiliĝo aŭ de malhonoro, kiam vi estos agresita aŭ kalumniita.

         Vi estas tio, kion vi vivas interne, sed ne tio, pri kio la aliaj akuzas vin.

         Vi ne fariĝos pli bona, nur ĉar vi estas laŭdata, aŭ pli malbona, ĉar vi estas atakata de aliaj.

         Restu digna kaj diskreta, estante vi mem, celante vian intiman perfektiĝon.

         Libro: Vivo Feliĉa.

         Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Coragem moral – Vinícius.

    Um dos requisitos exigidos por Jesus, como condição indispensável àqueles que pretendessem seguir-lhe as pegadas, é a coragem moral.

         Eu vos envio, disse ele aos discípulos, como ovelhas no meio de lobos. Esta frase é bastante eloqüente e, por si só, define muito bem a posição dos cristãos na sociedade do século.

     "Sereis entregues aos tribunais por minha causa. Suportareis perseguições, açoites e prisão. Haverá delações entre os próprios irmãos. Atraireis o ódio de todos. A vossa vida correrá iminente risco a cada instante.

       "Todavia, não temais, pois até os cabelos de vossas cabeças estão contados. Nenhum receio deveis ter dos homens, cujo poder não vai além do vosso corpo. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos. Portanto, nada de temores: o que vos digo à puridade proclamai-o dos eirados. Nada há encoberto que não seja descoberto; nada há oculto que se não venha a saber. Por isso, aquele que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai celestial; e o que me negar diante dos homens, eu o negarei perante meu Pai que está nos céus."

      Tais expressões são de clareza meridiana. Para ser cristão, é preciso coragem, ânimo forte, atitude varonil. "Seja o teu falar: sim, sim; não, não". (Mateus, 5:37.) Não há lugar para composturas dúbias, indecisas, oscilantes. O crente em Cristo deve possuir convicção inabalável, têmpera rija, caráter positivo e franco.

        Entre as virtudes, não há incompatibilidades. A mansuetude, a cordura e a humildade são predicados que podem (e devem) coexistir com a energia, com a intrepidez, com a varonilidade. Deus é infinitamente misericordioso e, ao mesmo tempo, é infinitamente justo.

        O caráter do cristão há de ser forjado de aço de Toledo e de ouro do Transvaal. Assim disse Amado Nervo: "Ouro sobre aço sejam a tua vontade e a tua conduta. Sobre o aço do teu pensamento há de luzir o arabesco de ouro das formas puras e gentis. Ouro e aço será tua vida, serão teus propósitos, serão teus atos."

       Abulia indiferença e marasmo não são expressões de bondade. "Não és frio, nem quente; por isso, quero vomitar-te de minha boca." Passividade não é virtude. Entre o bem e o mal, a verdade e a impostura, a justiça e a iniqüidade não há lugar para acomodações, nem para neutralidade. O cristão se define sempre em tais conjunturas, confessando o seu Mestre. "Ninguém pode servir a dois senhores." Que relação pode haver entre Jesus e Baal? Dobrar os joelhos diante de todos os tronos, só porque são tronos; curvar-se perante todos os Césares, só porque são Césares; afazerse às tiranias e às opressões, anuir direta ou indiretamente às tranquibérnias e vilezas da época; pactuar, enfim, com a injustiça de qualquer maneira e por quaisquer motivos, é negar a Jesus-Cristo no cenáculo social. "Não sejais escravos dos homens, nem das paixões; não sejais, igualmente, nem parasitas, nem bajuladores, nem mendigos" — disse o grande educador Hilário Ribeiro em um dos seus excelentes livros didáticos. Não se triunfa na vida, sem ânimo viril. E' a covardia moral que faz o homem escravizar-se a outros homens; que o faz escravo de vícios repugnantes e de paixões vis e soezes. E' ainda por pusilanimidade e covardia que o homem bajula, mendiga e se torna parasita.

      Sem boa dose de coragem (quase ia dizendo de audácia), o homem não cumpre o dever e menos ainda consegue sair-se airosamente das emergências difíceis da vida. O suicídio, seja por este ou por aquele motivo, é sempre um ato de covardia moral. A sentinela valorosa jamais abandona o posto que lhe foi confiado.

     Os altos problemas da Vida, consubstanciados na sentença evangélica — Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito — requerem ânimo forte e vontade irredutível para serem solucionados. Não é fugindo aos perigos e às dificuldades que o homem há de vencê-las; é enfrentando-as. A coragem moral é a primeira virtude do homem de fé. Cumpre, porém, não confundir a verdadeira coragem com as caricaturas de coragem, que se ostentam por toda a parte. Estas são burlescas e vulgares, aquela é rara e cheia de nobreza. A coragem não consiste em atitudes violentas e belicosas. Nada tem de comum com a temeridade. E' serena e íntima. Não se ostenta em bracejos, ou gesticulações espetaculosas, nem em vozeios e frases ameaçadoras e ofensivas. Revela-se antes em suportar, do' que em repelir a ofensa recebida. Energia não significa agressividade. Ser franco não é ser ferino, nem, sequer, contundente.

         Quanto maior é a coragem, tanto mais calmo age o indivíduo. A consciência do valor próprio, aliada à fé no Supremo Poder, fêz o homem tolerante e sofrido, paciente e tranqüilo. Tal foi a atitude invariável de Jesus diante das conjunturas mais embaraçosas de sua vida terrena. Suportou todas as injúrias, todas as humilhações e iniqüidades que lhe foram infligidas, conservando imaculada e intangível a pureza do alto ideal por que se bateu até ao extremo sacrifício.

         Tal é a coragem de que precisam revestir-se os seus discípulos de hoje, como souberam fazer os discípulos do passado. Saulo, antes de ser Paulo, não denotou coragem nenhuma perseguindo, aprisionando e consentindo no assassínio dos primeiros adeptos do Cristianismo nascente.

      Saulo tinha às suas ordens gendarmes municiados; as altas autoridades civis e eclesiásticas lhe conferiam poderes discricionários. Os perseguidos eram párias sociais, sem proteção, pobres e desarmados. A atitude de Saulo era daquelas que confirmam o velho brocardo: Quer conhecer o vilão? Ponha-lhe nas mãos o bastão.

         Após o célebre dia de Damasco, em que Saulo se transformou em Paulo, a vilania daquele se converteu na coragem moral deste. De algoz, passou a ser vítima. A seu turno perseguido, tendo agora contra si as armas e o rancor das autoridades detentoras do poder; correndo os maiores riscos, suportando prisões e açoites, afrontando a morte a cada momento, Paulo caminha intrépido e destemido, na defesa da causa santa da justiça e da liberdade personificadas no credo de Jesus.

        O extraordinário Apóstolo das gentes nos oferece, em si mesmo, exemplos da falsa e da legítima coragem, antes e depois da conversão.

       Convertamo-nos, pois, nós os espíritas, os neo-cristãos, como se converteu Paulo.

      Provemos em nós mesmos, com a transformação radical de nosso caráter, a eficiência e o poder de Jesus-Cristo, como redentor da Humanidade, como libertador do homem, mediante o exemplo de coragem moral que nos legou como herança preciosíssima.

         Livro: Em Torno do Mestre.

         Vinícius / (Pedro Camargo)

   

terça-feira, 24 de março de 2026

Conversão – Vinícius.

         "Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino de Deus." – Jesus / Mateus, 18:3.

         Jesus, dirigindo as palavras supracitadas aos seus apóstolos, mostra a necessidade em que eles se achavam de se converterem.

         Mas, não seriam então convertidos aqueles que acompanhavam o Mestre, ouvindo-lhe os ensinamentos, edificando-se em suas vivas exemplificações? Não seriam convertidos aqueles que foram escolhidos pelo mesmo Jesus para seus colaboradores? Este caso merece ser ponderado. Dele ressalta edificante lição, digna de todo o nosso acatamento.

         Converter não importa em abraçar este ou aquele credo religioso, nem tão pouco em filiar-se a esta ou àquela igreja, aceitando determinado corpo de doutrina qualquer. O incrédulo pode tornar-se crente sem que se verifique com isso um caso de conversão.

         Converter significa transformar. Onde não há transformação, não há conversão. Quanto mais acentuada seja a transformação, tanto mais positiva será a conversão. Se essa transformação for tão grande, a ponto de se não reconhecer o objeto primitivo, podemos afirmar que se trata de verdadeiro caso de conversão.

         Na natureza, transformar quer dizer melhorar. "Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"; isto é, tudo sobe, tudo levita. Crescei e multiplicai — sentença aplicada à criação dos seres — tem sentido espiritual que não deve ser desprezado. "Para frente e para o alto — tal é a legenda inscrita em cada átomo do Universo."

         Conversão é fenômeno vital de transformação constante para melhor. Tal fenômeno se realiza tanto no plano físico quanto no moral. Os reinos da Natureza se entrelaçam em movimento ascensional de contínuas transformações. O espírito progride, melhora e se aperfeiçoa através de ininterrupta série de conversões.

         Saulo transforma-se em Paulo, Simão em Pedro, Magdala em Maria. O caráter dessas personagens sofreu tal modificação que se tornaram o oposto do que eram. O fanatismo perigoso de Saulo, a fraqueza perniciosa de Simão e a voluptuosidade desenfreada de Magdala converteram-se na tolerância e no sacrifício de Paulo, na firmeza heróica de Pedro e na espiritualidade angélica de Maria. Tais são os tipos genuínos de convertidos.

         Conversão importa também em valorização. Objeto convertido é objeto valorizado. O escultor toma um bloco de pedra bruta, um lenho tosco ou mesmo um punhado de argila e converte-os em belas estátuas onde refulgem os primores da arte. É incalculável o valor que o estatuário imprime, por efeito de conversão, àqueles materiais obscuros.

         Qual o cômputo possível entre o valor do calcário, antes e depois de ser a Vênus de Milo ou o Discóbolo? E os gramas de tinta antes e depois de serem convertidos em quadros de Miguel Ângelo ou de Velásquez? Entretanto, um exame químico demonstrará tratar-se da mesma substância.

         O mesmo sucede com o homem, antes e depois da sua conversão. O caráter forma-se e consolidasse através da obra da conversão, obra que uma vez iniciada jamais deixa de prosseguir em seu curso eficiente de embelezamento e de valorização. O homem velho vai sendo absorvido pelo homem novo: é o renascimento espiritual que se opera.

         De tal sorte, é possível volver ao estado de inocência primitiva, conforme disse Jesus: "Se não vos converterdes, e não vos fizerdes como crianças, não entrareis no reino de Deus." A inocência revela-se sob dois aspectos distintos: a ignorância do mal, e a vitória do bem. A primeira forma é o estado da criança; a segunda representa a condição do justo.

         A criança é inocente, porque desconhece o pecado; o justo é inocente, porque adquiriu a virtude. A inocência da criança é fruto da insipiência. A inocência do santo é filha da sabedoria.

         Esta permanece, aquela passa. A transição de uma, para outra espécie de inocência, é maravilha da conversão. Sem conversão, portanto, ninguém logrará o reino de Deus.

         Livro: Em Torno do Mestre.

         Vinícius / (Pedro de Camargo)

quinta-feira, 12 de março de 2026

Ecce Homo - (Eis Aqui o Homem) Vinícius.

         Que melhor apresentação nos é dado fazer de Jesus senão aquela que ele próprio revelou? Consideremos, pois, sua auto-apresentação:

         "O Batista enviou dois de seus discípulos ao Senhor para perguntar: És tu aquele que há de vir, ou havemos de esperar outro? Quando estes homens chegaram a Jesus, disseram: João Batista enviou-nos para indagar de ti se és o Cristo esperado? Na mesma ocasião Jesus curou a muitos de moléstias, de flagelos e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. Então lhes respondeu: Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, aos pobres anuncia-se-lhes o Evangelho; bem-aventurado é aquele que em mim não achar motivo de tropeço."

         Tal é o Cristo: o amigo e defensor dos humildes e dos oprimidos sofredores. O objeto de sua paixão é o pecador. A individualidade humana representa para ele um valor infinito. Deus é pai dos pecadores. Quanto mais abatido e vexado pela dor física ou moral, mais interesse o homem lhe desperta. Haja vista estes dois exemplos: o leproso e a mulher adúltera.

         Os leprosos, no tempo em que Jesus passou pela Terra, eram corridos a pedradas das cidades e aldeias. À lei de Moisés os condenava à lapidação, se tentassem penetrar nos povoados. Sobre a crueldade dessa lei que visava a evitar a propagação da lepra, havia ainda a superstição com caráter religioso, segundo a qual os leprosos eram réprobos a quem Deus punia com o terrível mal.

         E que fêz Jesus com relação àqueles infelizes? Curou-os. As chagas humanas não lhe causavam asco nem pavor, mas comiseração e piedade. E não só as mazelas do corpo lhe inspiravam aqueles sentimentos, como também as da alma. Seu gesto de compaixão pela mísera adúltera apupada pela horda de fariseus, aliado à sublime lição contida no "aquele que se julgar isento de culpa atire a primeira pedra" — é outro atestado eloqüente do quanto lhe interessava a sorte dos pecadores, particularmente dos aflitos e oprimidos.

         O Cristianismo é a historia do Cristo junto ao pecador. Na sua maneira de agir está sua doutrina. Conta Stanley Jones, missionário que há vinte anos vive na Índia, que naquele país, quando se fala em Cristianismo, o povo se mostra céptico e completamente desinteressado. Quando, porém, se faz referência à vida do Cristo no seio da Humanidade, defendendo os explorados, suavizando as angústias alheias, ensinando ao povo o meio de viver feliz, então os hindus se tornam atenciosos e, ávidos de curiosidades, pedem que se fale mais nesse Jesus amorável e bom.

         Esse fato é muito significativo. Quer dizer que as lendas forjadas pelas escolas sectárias em torno do Cristianismo estão comprometendo o surto daquele credo. Cumpre, portanto, deixar de lado as teorias, o escolasticismo, os dogmas, os rituais, e anunciar Jesus-Cristo tal como ele é, qual ele próprio se apresentou aos emissários do Batista, sarando os enfermos e anunciando aos humildes o Evangelho do amor. E bem-aventurados aqueles que se não escandalizarem nesse Jesus que é o real e verdadeiro Cristo de Deus.

         Não estamos nos tempos das teorias, mas na era dos fatos. O Cristianismo não é uma teoria: é o mesmo Cristo revelando as leis divinas à Humanidade. Jesus é um fato histórico e, ao mesmo tempo, uma necessidade de todos os momentos, porque ele sintetiza, na moral em si mesmo personificada, a solução de todos os problemas da vida humana: Ecce Homo!

         O método para ensinar a verdade religiosa é o mesmo que se emprega para ensinar a verdade científica: dedução e indução. Ora temos que partir dos fatos para seus efeitos, ora destes somos levados a remontar àqueles. Não se pode mais impor crenças: temos que convidar o povo a raciocinar conosco. A fé oficializada está nos últimos estertores; não tem prestígio moral, não tem vigor, jaz de há muito na esterilidade.

         O momento reclama uma religião que melhore o mundo. Jesus não é inimigo da sociedade. Conviveu com os homens, tomando parte em suas reuniões e festividades. Ele é adversário do vício, do crime, da corrupção e da maldade.

         Se não tivermos desde já o céu em nós mesmos, não poderemos encontrá-lo depois da morte; Jesus não veio tão pouco livrar-nos desse inferno localizado não se sabe onde: veio tirar o inferno de dentro de nós. Como? Ensinando-nos a conhecer e vencer as paixões egoísticas e animalizadas que nos torturam o espírito e nos aviltam o caráter.

         Jesus curava e prevenia as enfermidades. Sua terapêutica era curativa e profilática. "Vai, e não peques mais." A saúde do corpo e do espírito é a lei da Natureza, é o normal. As doenças físicas e morais são as anomalias, o distúrbio na vida. Sarando o leproso, Jesus não fêz milagre: restabeleceu no pecador a ordem natural. As curas maravilhosas que operou foram todas no sentido de fazer voltar, à Natureza, o que dela estava divorciado.

         O pecado está na vida anormal que o homem leva no mundo, Jesus veio normalizá-la. Sua fé é um canto de louvor à Natureza.

         Outro característico peculiar a Jesus é a sua atitude de servidor da Humanidade. Não veio para ser servido, mas para servir: todos os seus atos comprovam esta frase. Sua vida terrena foi toda de dedicação pelo homem. Viveu para outrem. Viver para outrem, como ele viveu, não é uma teoria: é um fato que impressiona profundamente os pensadores. Seus próprios adversários — Strauss e Renan —, analisando suas pegadas, acabaram rendendo-se à evidência de seu altruísmo e de seu poder de atração, reconhecendo em tudo que ele fêz o fruto do seu imenso amor pela Humanidade. Ecce Homo!

         O eclesiasticismo ou imperialismo na esfera religiosa, está em franca decadência. O tempo não comporta mais imperialismos em qualquer terreno. Jesus quer ser o que ele é, e não o que a clerezia pretende à viva força que ele seja. Jesus se revela por si mesmo àqueles que o procuram. Precisamos sair do Paganismo, buscando com Jesus a saúde, a pureza, o valor, a bondade, a alegria de viver e a imortalidade. Ele é o modelo a ser imitado. É o médico do corpo e da alma. É o pastor deste rebanho. Onde houver lágrimas a enxugar, chagas e dores a lenir, aí está Jesus no desempenho de sua missão. Ele é por excelência o servidor da Humanidade. "Vinde a mim todos vós que vos achais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei" Ecce Homo!

         A frase de Pilatos, que nos serve de epígrafe, tornou-se célebre.

         E a quem se referia o pró-cônsul romano?

         A Jesus açoitado, escarnecido, trazendo aos ombros um manto de púrpura como usavam os reis, à cabeça uma coroa de espinhos e na destra uma cana à guisa de cetro. O Cristo de Deus assim ultrajado e envilecido, sangrando pela fronte e pelo dorso, coberto de pó, suarento e todo em desalinho, foi conduzido ao pretório, e dali apresentado, ao poviléu enfurecido, pelo representante de César na Palestina.

         Essa figura trágica, do Filho do Homem, sendo uma realidade histórica, é também eloqüente símbolo.

         Vemos através daquela matéria flagelada, daquele corpo contundido, chagado e lastimoso, refulgir em todo o seu esplendor um Espírito varonil que se alteia imponente e sublime sobre os troféus da carne abatida e mortificada!

         Jesus vilipendiado é a imagem do soldado que volta de encarniçada luta, descalço, magro, olhos macilentos, maltrapilho, mas vitorioso, repassado de glória, sobraçando virentes louros colhidos através de sua bravura, de seu heroísmo mil vezes comprovado no ardor das refregas e dos combates cruentos.

         Realmente, em síntese, que nos veio ensinar e que nos exemplificou tão ao vivo o Mestre excelso, senão a luta do espírito com a matéria, o que vale dizer da vida com a morte?

         Ciúmes, invejas, rivalidades e ambição; orgulho, pruridos de domínio, de ostentação e de grandeza; luxúria, comodismo, ócios intermináveis, prazeres que só gratificam os sentidos, inclinações que tendem para a materialidade; vícios que deleitam e embriagam, que fascinam, que desfibram e amolentam (cortejos dos ministros da morte) devem ser tragados na vitória.

         Imitar a Jesus — é servir a Humanidade; conservar a vida é permanecer no seu ideal; e vencer cada um a si mesmo, à viva força, é penetrar o reino dos céus, que é o reino do Espírito, o reino da imortalidade.

         O Ecce Homo de Pilatos tornou-se frase de renome, cumprindo assinalar que é ao mesmo tempo profundamente simbólica, pois, em realidade, só deve ser apresentado como HOMEM aquele que venceu.

         Livro: Em Torno do Mestre.

         Vinícius – (Pedro de Camargo)