A Missão do
Esperanto no Terceiro Milênio – Ismael Gomes Braga.
No crepúsculo
deste século e milênio, as dores se acumulam sobre o dorso da Humanidade
sofrida, chibateando as vidas que se estiolam, ao tempo que sucumbem os nobres
ideais de dignificação e de liberdade.
Desastres
inomináveis e cataclismos horrendos sucedem-se, desarvorando nações e
ceifando esperanças que são substituídas pela loucura que varre o planeta em
todas as direções.
A tirania absurda
e os crimes hediondos cavalgam sobre a sociedade, conduzindo ao aniquilamento
cidades e povos, que estertoram sob o despotismo insano dos vândalos que se
permitem a dominação arbitrária.
A corrupção
desmedida nivela os governos, que se deveriam caracterizar pela dignidade, aos
criminosos que fingem combater.
A volúpia pelo
poder, pelo armazenar de valores transitórios que passam de mãos, envilece os
sentimentos humanos e as paixões inferiores desbordam em caudal desenfreado.
Os elevados
contributos do progresso, que deveriam ser utilizados para a glorificação do
ser humano, são aplicados para a extravagância de alguns indivíduos torpes e
a exorbitância de outros, ante o olhar esgazeado dos miseráveis que os espiam
famélicos e enfermos, esquecidos em inominável abandono.
A insensatez e o
descalabro erguem seus monumentos à infâmia, enquanto as massas rebolcam nos
sorvedouros das necessidades mais prementes, sem oportunidade de conseguirem
alguma coisa.
Em toda parte da
Terra, a perversão abraça a indiferença das Leis, as guerras e carnificinas
cruéis campeiam desarvoradas e as tentativas de paz, mediante acordos
sucessivos, que são logo desrespeitados, abrem espaço para novos terríveis
conflitos.
Ameaças de
destruição do planeta pairam em todo lugar sob o clamor da violência
asselvajada e dos expressivos grupos de extermínio de pessoas, sob os
camartelos da ignorância e da ausência de amor.
O século da
ciência e da tecnologia com todas as suas glórias e conquistas incomparáveis
infelizmente sombreia-se com nuvens espessas de fumo e de poeira dos incêndios
de ódios e das destruições de toda ordem.
As grandiosas
realizações da cultura e da civilização parecem ceder lugar ao galopar
desenfreado da barbárie de volta e ao aplauso do cinismo…
Não obstante,
simultaneamente, estuam o dever e a solidariedade, o sacrifício e a
abnegação, a educação e o amor, o desenvolvimento ético-moral e a
esperança, porque o ser humano marcha inexoravelmente no rumo da Grande Luz.
Os ideais da
Liberdade, da Fraternidade e da Igualdade permanecem triunfantes, embora pouco
conhecidos, aguardando o momento de transformarem para melhor a sociedade
terrestre, que avança na busca da felicidade.
Lentamente, os
direitos humanos são reanalisados e levados em consideração por homens,
mulheres e Organizações internacionais que confiam no processo da evolução
moral dos seres, exigindo respeito, em infatigável esforço para banirem a
intolerância, os preconceitos mesquinhos e o totalitarismo, como quer que se
apresentem.
O sol da Nova Era
surge na imensa noite, conforme previsto por Jesus Cristo, que ora se legitima.
O Evangelho, que
não foi vivido na sua pureza primitiva por aqueles que se comprometeram
apresentá-lo à Humanidade através dos tempos, face à astúcia e ao
primarismo de que eram portadores, que exploraram a credulidade e a
ignorância, poderia ter evitado a hecatombe que ora se abate sobre o mundo, após
os séculos de silêncio e da morte dos heróis sacrificados. Mas ressurge na
mensagem do Espiritismo, que o atualiza, conforme o pensamento científico do
momento, preparando o advento da nova sociedade.
Fincando suas
bases na investigação dos fatos, o Espiritismo libera a Boa Nova das peias
dogmáticas e das influências medievais que ainda remanescem nas igrejas que
se propõem divulgá-la, interpretando-lhe o conteúdo incomparável de forma
consentânea com as conquistas hodiernas, para oferecê-lo às criaturas como
diretriz de segurança e de felicidade.
O século, porém,
de Allan Kardec, também viu nascer Zamenhof, que deveria contribuir para a
derrubada das fronteiras lingüísticas, que tanto separam os seres humanos e
os afligem, limando as diferenças internacionais e facultando mais seguro
intercâmbio de pensamento e de valores ideológicos entre todos os homens sob
a dadivosa misericórdia do Pai Criador.
Acompanhando as
tragédias resultantes dos conflitos lingüísticos e raciais, na sua Bialystok
natal, sofrida e necessitada, sentiu, no mais profundo do ser, o imperioso
dever de modificar a situação insuportável que predominava então,
mergulhando o pensamento na memória profunda onde se encontrava arquivada a
língua internacional — Esperanto — que conhecera no Mais Além e, trabalhando,
sem cansaço, em 1887 apresentou-a como sendo um sublime elo para a união de
todos os povos, de todas as classes sociais, de todas as pessoas do mundo.
A trilogia
abençoada, em forma de um triângulo equilátero: EEE — Evangelho, Espiritismo
e Esperanto — encerraria a mensagem de Jesus, simples e inconfundível, a
Doutrina dos Espíritos, profunda e clara, e o idioma da fraternidade, para
unir todos os seres humanos em uma só família.
O Esperanto, Língua
neutra, que respeita o idioma de cada Nação, é o traço de perfeita
identificação entre os mais diversos, favorecendo mentes e corações com
harmonia e compreensão lúcida, desse modo ampliando os horizontes da cultura
e do amor entre os povos.
Anunciando-se o
novo Milênio entre as sombras que já começam a esboroar-se, o Esperanto
permanece com a missão de unir os homens fraternalmente, graças à facilidade
da comunicação que oferece, à sua simplicidade gramatical, exatamente quando
o Evangelho, lenindo as dores gerais, prepará-los-á para os avanços que o
Espiritismo oferece na conquista do Infinito.
Atingindo as
culminâncias do progresso científico-tecnológico neste esfumar de século,
esse que se avizinha irradiará arte e beleza sobre a Terra renovada e feliz,
quando o Esperanto, vencendo a tenaz resistência dos povos ambiciosos e
apaixonados, assim como das Nações que não alteram o orgulhoso sonho da
prepotência em relação às outras, abrir * lugar à vigência da língua
internacional, que flui do Céu na direção da Terra e se elevará do mundo em
canto incomparável de encantamento no rumo do Infinito.
Ismael Gomes Braga
* Vocábulo
substituído, com aquiescência da Direção do SEI. (N.R.)
(Página
psicografada por Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica de 8 de
setembro de 1999, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, BA.
Transcrito do SEI, de 8-10-99.)
Nossa Mini contribuição:
Jesus – A Porta (“Eu
sou a porta - Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá,
encontrará a pastagem. Jesus /João 10:9,
– Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida – Jesus / João 12:6, e – Eu sou a Luz do
Mundo – Jesus / João 8:12.).
Kardec – Chave (Chave
interpretativa das verdades disseminadas não só do Evangelho de Jesus Cristo,
mais de todas as verdades filosóficas trazidas pelo Paladinos da Luz, enviados
pelo governador da Terra antes de sua vinda).
Zamenhof – Asas da
Esperança. (Como símbolo da Esperança, por meio do Amor, derrubará as milenares
barreiras linguísticas e culturais, erguidas sobre os pilares da ignorância,
tornando a humanidade mais fraterna).


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