sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A tríade Evangelho, Espiritismo e Esperanto. (2)

A Missão do Esperanto no Terceiro Milênio – Ismael Gomes Braga.

No crepúsculo deste século e milênio, as dores se acumulam sobre o dorso da Humanidade sofrida, chibateando as vidas que se estiolam, ao tempo que sucumbem os nobres ideais de dignificação e de liberdade.

Desastres inomináveis e cataclismos horrendos sucedem-se, desarvorando nações e ceifando esperanças que são substituídas pela loucura que varre o planeta em todas as direções.

A tirania absurda e os crimes hediondos cavalgam sobre a sociedade, conduzindo ao aniquilamento cidades e povos, que estertoram sob o despotismo insano dos vândalos que se permitem a dominação arbitrária.

A corrupção desmedida nivela os governos, que se deveriam caracterizar pela dignidade, aos criminosos que fingem combater.

A volúpia pelo poder, pelo armazenar de valores transitórios que passam de mãos, envilece os sentimentos humanos e as paixões inferiores desbordam em caudal desenfreado.

Os elevados contributos do progresso, que deveriam ser utilizados para a glorificação do ser humano, são aplicados para a extravagância de alguns indivíduos torpes e a exorbitância de outros, ante o olhar esgazeado dos miseráveis que os espiam famélicos e enfermos, esquecidos em inominável abandono.

A insensatez e o descalabro erguem seus monumentos à infâmia, enquanto as massas rebolcam nos sorvedouros das necessidades mais prementes, sem oportunidade de conseguirem alguma coisa.

Em toda parte da Terra, a perversão abraça a indiferença das Leis, as guerras e carnificinas cruéis campeiam desarvoradas e as tentativas de paz, mediante acordos sucessivos, que são logo desrespeitados, abrem espaço para novos terríveis conflitos.

Ameaças de destruição do planeta pairam em todo lugar sob o clamor da violência asselvajada e dos expressivos grupos de extermínio de pessoas, sob os camartelos da ignorância e da ausência de amor.

O século da ciência e da tecnologia com todas as suas glórias e conquistas incomparáveis infelizmente sombreia-se com nuvens espessas de fumo e de poeira dos incêndios de ódios e das destruições de toda ordem.

As grandiosas realizações da cultura e da civilização parecem ceder lugar ao galopar desenfreado da barbárie de volta e ao aplauso do cinismo…

Não obstante, simultaneamente, estuam o dever e a solidariedade, o sacrifício e a abnegação, a educação e o amor, o desenvolvimento ético-moral e a esperança, porque o ser humano marcha inexoravelmente no rumo da Grande Luz.

Os ideais da Liberdade, da Fraternidade e da Igualdade permanecem triunfantes, embora pouco conhecidos, aguardando o momento de transformarem para melhor a sociedade terrestre, que avança na busca da felicidade.

Lentamente, os direitos humanos são reanalisados e levados em consideração por homens, mulheres e Organizações internacionais que confiam no processo da evolução moral dos seres, exigindo respeito, em infatigável esforço para banirem a intolerância, os preconceitos mesquinhos e o totalitarismo, como quer que se apresentem.

O sol da Nova Era surge na imensa noite, conforme previsto por Jesus Cristo, que ora se legitima.

O Evangelho, que não foi vivido na sua pureza primitiva por aqueles que se comprometeram apresentá-lo à Humanidade através dos tempos, face à astúcia e ao primarismo de que eram portadores, que exploraram a credulidade e a ignorância, poderia ter evitado a hecatombe que ora se abate sobre o mundo, após os séculos de silêncio e da morte dos heróis sacrificados. Mas ressurge na mensagem do Espiritismo, que o atualiza, conforme o pensamento científico do momento, preparando o advento da nova sociedade.

Fincando suas bases na investigação dos fatos, o Espiritismo libera a Boa Nova das peias dogmáticas e das influências medievais que ainda remanescem nas igrejas que se propõem divulgá-la, interpretando-lhe o conteúdo incomparável de forma consentânea com as conquistas hodiernas, para oferecê-lo às criaturas como diretriz de segurança e de felicidade.

O século, porém, de Allan Kardec, também viu nascer Zamenhof, que deveria contribuir para a derrubada das fronteiras lingüísticas, que tanto separam os seres humanos e os afligem, limando as diferenças internacionais e facultando mais seguro intercâmbio de pensamento e de valores ideológicos entre todos os homens sob a dadivosa misericórdia do Pai Criador.

Acompanhando as tragédias resultantes dos conflitos lingüísticos e raciais, na sua Bialystok natal, sofrida e necessitada, sentiu, no mais profundo do ser, o imperioso dever de modificar a situação insuportável que predominava então, mergulhando o pensamento na memória profunda onde se encontrava arquivada a língua internacional — Esperanto — que conhecera no Mais Além e, trabalhando, sem cansaço, em 1887 apresentou-a como sendo um sublime elo para a união de todos os povos, de todas as classes sociais, de todas as pessoas do mundo.

A trilogia abençoada, em forma de um triângulo equilátero: EEE — Evangelho, Espiritismo e Esperanto — encerraria a mensagem de Jesus, simples e inconfundível, a Doutrina dos Espíritos, profunda e clara, e o idioma da fraternidade, para unir todos os seres humanos em uma só família.

O Esperanto, Língua neutra, que respeita o idioma de cada Nação, é o traço de perfeita identificação entre os mais diversos, favorecendo mentes e corações com harmonia e compreensão lúcida, desse modo ampliando os horizontes da cultura e do amor entre os povos.

Anunciando-se o novo Milênio entre as sombras que já começam a esboroar-se, o Esperanto permanece com a missão de unir os homens fraternalmente, graças à facilidade da comunicação que oferece, à sua simplicidade gramatical, exatamente quando o Evangelho, lenindo as dores gerais, prepará-los-á para os avanços que o Espiritismo oferece na conquista do Infinito.

Atingindo as culminâncias do progresso científico-tecnológico neste esfumar de século, esse que se avizinha irradiará arte e beleza sobre a Terra renovada e feliz, quando o Esperanto, vencendo a tenaz resistência dos povos ambiciosos e apaixonados, assim como das Nações que não alteram o orgulhoso sonho da prepotência em relação às outras, abrir * lugar à vigência da língua internacional, que flui do Céu na direção da Terra e se elevará do mundo em canto incomparável de encantamento no rumo do Infinito.

Ismael Gomes Braga

* Vocábulo substituído, com aquiescência da Direção do SEI. (N.R.)

(Página psicografada por Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica de 8 de setembro de 1999, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, BA. Transcrito do SEI, de 8-10-99.)

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Nossa Mini contribuição:

Jesus – A Porta (“Eu sou a porta - Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, encontrará a pastagem.  Jesus /João 10:9, – Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida – Jesus / João 12:6, e – Eu sou a Luz do Mundo – Jesus / João 8:12.).

Kardec – Chave (Chave interpretativa das verdades disseminadas não só do Evangelho de Jesus Cristo, mais de todas as verdades filosóficas trazidas pelo Paladinos da Luz, enviados pelo governador da Terra antes de sua vinda).

Zamenhof – Asas da Esperança. (Como símbolo da Esperança, por meio do Amor, derrubará as milenares barreiras linguísticas e culturais, erguidas sobre os pilares da ignorância, tornando a humanidade mais fraterna).

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