sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Marta e Maria – Vinícius.
Marta e Maria eram irmãs de Lázaro, a quem Jesus ressuscitara. Residiam em Betânia, aldeia onde o Senhor, de quando em vez, se refugiava em busca de repouso. Ambas eram boas e tementes a Deus; entretanto, havia entre elas certo traço particular de caráter que as distinguia. O Mestre excelso apreciou devidamente esse fato, legando-nos, nessa apreciação, elevado ensinamento, consoante se verifica pela seguinte passagem:
"Quando
iam de caminho, entrou Jesus em uma aldeia; e uma mulher chamada Marta
hospedou-o. Esta tinha uma irmã por nome Maria, a qual, sentada aos pés do
Senhor, lhe ouvia o ensino. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço e
absorvida nas contínuas lides domésticas; e, aproximando-se do divino hóspede,
disse-lhe: Senhor, a ti não se te dá que minha irmã me deixe só a servir? Mas
respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e te ocupas com muitas
coisas; entretanto, poucas são necessárias, ou antes uma só; pois Maria
escolheu a boa parte que lhe não será tirada."
Marta
era sensata, laboriosa e ponderada; agia sempre com método e cálculo, de
maneira que em todos os seus atos se podia descobrir o predomínio de uma razão
amadurecida.
Maria
tinha um temperamento apaixonado; descuidada, talvez, daquilo que o mundo
classifica de coisas práticas, vivia num ambiente algo místico e de puro
idealismo.
Em
Marta, se a razão de todo não predominava, tinha acentuada influência em sua
conduta. Em Maria, o coração quase que reinava discricionariamente. Marta nos
oferece o tipo da mulher exemplar, impecável, verdadeira encarnação do bom
senso, Maria é um astro que resplende no além e só de longe pode ser
contemplado.
Marta, recebendo Jesus, teria pensado em cercá-lo do máximo conforto em seu modesto lar. Maria, defrontando o Mestre amado, esquecia-se de tudo, embalada ao som mágico da palavra da vida. A existência terrena com seus cuidados e tribulações, o lar, o mundo mesmo se fundiam no fogo sagrado do seu ardente entusiasmo. A palavra do Senhor exercia em sua mente verdadeira fascinação: ela sorvia o divino verbo como a planta ressequida se embebe do orvalho matutino. Jesus representava para Maria o alfa e o ômega.
E,
afinal, como não ser assim, se foi sob a influência incoercível daquele Verbo
que Maria ressurgiu para a vida imortal? Como não ser assim, se foi daqueles
lábios que Maria ouviu a voz maravilhosa que, penetrando-lhe a consciência e o
coração, transformou-a radicalmente?
Como
não ser assim, se foi ao influxo maravilhoso daquelas mesmas palavras que o
lírio de Magdala se transplantou dos pântanos da terra para os jardins siderais
onde vicejam flores cujo mimo, frescor e perfume permanecem para sempre!
Resumindo,
definiremos com acerto as duas irmãs, parodiando Vítor Hugo: Marta está onde
termina a terra; Maria, onde começa o céu.
* * *
O mundo vê no idealismo de Maria uma espécie de desequilíbrio; e no idealista, um insano. O critério de Jesus, contrastando com o dos homens, classifica esse estado de alma como sendo a boa parte que será sempre mantida. Poucas coisas são necessárias, ou antes uma só — assevera o Profeta da verdade. Realmente, que justifica, e que espécie de benefício proporciona ao homem as mil preocupações que o absorvem? Nada justifica, e nenhum bem lhe outorga; é, antes, a causa das suas tribulações, desenganos e angústias.
As necessidades reais da vida são poucas, enquanto que as fictícias, puros caprichos forjados pelas paixões desenfreadas e pelos vícios, são infinitas. Rigorosamente falando, como estatui o soberano Mestre, uma só necessidade realmente existe: o conhecimento de nós próprios, de nossa origem e de nossos destinos. Em tal importa a magna questão da vida; para no-la revelar, enviou Deus o seu Cristo ao mundo. Desse conhecimento depende tudo. De nada vale o homem alcançar largos cabedais representados na riqueza ou mesmo nos bens intelectuais acumulados pelo estudo, se ele ignora aquele assunto. Ser pobre ou ser rico, errar ou acertar em todas as matérias, sabê-las ou não, são coisas de importância relativa: o que importa é que o homem se inteire em "primeiro lugar do reino de Deus e de sua justiça, por isso que tudo o mais lhe será dado por acréscimo".
A posse da verdade acima é que valoriza, de fato, tudo quanto o homem venha a possuir. Sem aquele requisito, as nossas conquistas serão vãs e estéreis. Uma inteligência de escol, verdadeiro repositório de erudição, desacompanhada da luz que aclara os horizontes da vida, não passa de fogo de artifício que entretém a vista por alguns momentos.
O mesmo progresso que se verifica na vida complicada, artificial e enervante dos grandes centros, é pura ficção, pois o verdadeiro progresso é aquele de cujo surto advém tranqüilidade, segurança e bem estar para a sociedade. Exatamente o contrário, no entanto, é o que se observa: vida febril, excitada, inquieta, áspera, complexa e confusa, originando indivíduos impacientes, neurastênicos e nevropatas; criando, de outra sorte, terreno propício à eclosão de todas as formas do vício e de todas as modalidades do crime.
Será
isso progresso ou insânia?
Aprendamos
com Maria a escolha da boa parte que não nos será tirada, isto é, daquela parte
que transportaremos conosco além do túmulo Sonho? Ilusão? Não importa; há
sonhos que se convertem em realidade e há realidades que se transformam em
sonhos e mesmo em pesadelos!
Livro:
Em Torno do Mestre.
Vinícius
/ (Pedro Camargo)
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
SUOR E TEMPO – Irmão José.
A tua mudança acarretará mudanças à tua volta – eis a tua
maneira de mudar o mundo.
Na construção do Reino Divino sobre a Terra, não precisas
preocupar-te em fazer mais do que isto.
Não há discurso mais convincente que o do exemplo.
Todavia, não esperes por resultados imediatos.
Tudo quanto se improvisa, de improviso desaparece.
Orquídeas existem que levam anos para florirem.
O rio não atinge o mar sem percorrer longa trajetória.
Toda conquista, especialmente no campo do espírito, demanda
suor e tempo.
Não te esqueças, porém, de que este suor no tempo deve ser
vertido por ti e não por outrem.
Livro: Ajuda-te e o Céu Te Ajudará
Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Irmão José
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Avareza – Vinícius
Guardai-vos
e acautelai-vos de toda a avareza, porque a vida de um homem não consiste na
abundância dos bens que possui — disse o maior expoente da Verdade que os
homens conhecemos. Em seguida, para corroborar aquele assertivo, propôs a
seguinte parábola aos seus discípulos:
As
terras de um homem rico produziram muito fruto. E ele discorria consigo: Que
farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E concluiu: Farei isto:
derribarei os meus celeiros e os reconstruirei maiores, e aí guardarei toda a
colheita e os meus bens; e, em seguida, direi: Minha alma, tens largos bens em
depósito para longos e dilatados anos: descansa, come, bebe e regala-te. Mas,
Deus disse-lhe: Néscio, esta noite te exigirão a tua alma; e as fazendas que
ajuntaste, para quem serão?
Quanta
sabedoria em tão singela fábula!
Quão
transcendente lição nesta frase tão simples: A vida do homem não consiste nos
bens que possui!
Se
a longevidade dependesse dos cabedais, seria justificável que o homem se
empenhasse pelos obter a todo custo.
Se,
de outra sorte, a felicidade tivesse uma relação direta com as riquezas,
compreender-se-ia que o homem buscasse conquistá-las, envidando, para isso,
seus melhores esforços.
Mas,
o fato indiscutível é que a vida e a felicidade do homem (felicidade, que outra
coisa não é senão alegria de viver) independem dos bens que ele consegue obter
e amontoar.
Ora,
se as fazendas e os haveres não asseguram vida longa nem venturosa, como se
explica a fascinação que exercem sobre os homens?
De
onde procede tanto apego às temporalidades do século?
Jesus
responde: vem da avareza. E, não só aponta a origem de tal vesânia, como
adverte: Guardai-vos e acautelai-vos de toda a avareza.
Sim,
de toda a avareza, isto é, das várias formas que essa terrível paixão assume,
dominando o coração do homem.
Alexandre
Herculano, impressionado com os diversos aspectos do orgulho, exclama: Orgulho
humano! que serás tu mais: estúpido, feroz ou ridículo?
Pois
a avareza comporta aqueles três qualificativos: pode ser estúpida, ridícula ou
feroz.
A
estúpida é aquela modalidade sórdida e mesquinha que faz o homem privar-se do
conforto, do necessário e até do indispensável, perecendo à míngua para
conservar intacta a pecúnia avaramente amealhada.
A
avareza ridícula é a do homem que tem no dinheiro o seu ídolo, a sua preocupação
constante e absorvente, empregando-o, embora, no luxo, na ostentação, ou
simplesmente na satisfação dos seus apetites e caprichos.
A
feroz (de todas a mais perniciosa) é a avareza dos açambarcadores, dos
organizadores de monopólios e trustes, cuja ambição e cupidez desmedidas não se
contentam com menos que possuir o mundo inteiro, ainda que para tanto seja
mister reduzir à miséria toda a Humanidade.
Outrora,
essa avareza gerou os conquistadores e os latifúndios.
Atualmente,
ostenta-se nas grandes organizações comerciais e industriais, nas companhias,
nos sindicatos e empresas poderosas cujos tentáculos se alongam em todas as
direções.
Essa
classe de avareza é geralmente peculiar a homens inteligentes, ricos, astutos e
de alta cotação social. Das três, é, como ficou dito, a mais perniciosa e a que
mais danos tem acarretado à sociedade de todos os tempos. Um só avaro dessa categoria, ou uma comandita
de meia dúzia deles, pode reduzir à fome uma cidade, um povo inteiro.
É
a responsável pela carestia e pelas crises econômicas que convulsionam o mundo,
dando origem às lutas fratricidas que, por vezes, estendem o negro véu da
orfandade e da viuvez sobre milhares de crianças e de mulheres indefesas. É
também obra sua, nos tempos que correm, os milhões de desocupados nos países
industriais, e as pretensas superproduções nos países agrícolas.
O
trabalho suspenso; o legítimo comércio (que significa a livre troca de produtos
entre as nações), quase de todo paralisado graças às odiosas barreiras
alfandegárias, são outros tantos crimes de lesa humanidade praticados pela
avareza da terceira espécie, isto é, a feroz.
As
outras duas formas são mais estados mórbidos ou doentios da alma; a feroz é que
caracteriza a verdadeira avareza. Aquelas prejudicam somente os indivíduos que
as alimentam; ao passo que os maléficos efeitos desta atingem um raio de ação
considerável, incalculável mesmo.
*
* *
Todavia,
os escravizados por essa cruel paixão são dignos de piedade.
Vivem
iludidos; agitam-se, como todos os homens, em busca da sonhada felicidade.
Julgam encontrá-la na satisfação dos desejos, na expansão do egoísmo. Cobiçando
sempre, vão alimentando ambições, que jamais chegam a ser satisfeitas.
Entretanto,
a nossa alma, para ser feliz, não precisa construir celeiros de proporções
desmesuradas como fez o rico da parábola; não precisa mesmo de um céu imenso,
recamado de sóis refulgentes, basta-lhe uma nesga azul, onde "brilhe a
estrela do amor".
Livro:
Em Torno do Mestre.
Vinícius
(Pedro de Camargo)
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Renúncia – Vinícius.
Não
pode haver progresso integral sem renúncia. A obra do aperfeiçoamento do nosso
Espírito urdida de renúncias sob aspectos multiformes. Não há caráter
consolidado que se não funde numa série de renúncias. Quem não sabe renunciar,
jamais firmará as bases seguras de sua evolução. Renunciar é vencer, vencer é
viver. A redenção é impraticável fora da órbita das renúncias: só nesse
ambiente o Espírito conquista a liberdade e firma o seu império.
O
homem é um animal que se espiritualiza. Veio do império dos instintos, e
caminha para o reinado da razão. O desenvolvimento harmônico dos atributos do
Espírito — inteligência, razão, vontade e sentimentos — determina naturalmente
o recuo do instinto. Ã medida que o Espírito assegura seu poder, a animalidade
se restringe. Semelhante transição, de um para outro reino, obra da renúncia.
O
instinto representa o domínio da carne; a razão, o do Espírito. Há estágios na
vida dos seres em que o instinto tem a primazia: época da irracionalidade.
Outros há em que o despotismo do instinto constitui a fonte de todos os males:
ciclo racional. O animal tem no instinto o seu guia. Para o homem o guia deve
ser a razão. Sempre que esta fraqueja, cedendo lugar àquele, o homem erra e
sofre. Erra porque se deixa arrastar, tendo já o leme e a bússola para
orientar-se, ao sabor das vagas que o desviam do roteiro normal da vida. Sofre,
porque o erro é causa cujo efeito é a dor.
O
instinto não reúne os requisitos necessários para satisfazer as aspirações do
Espírito, antes constitui-lhe embaraço. Daí a necessidade de restringi-lo,
impondo limites cada vez mais restritos às suas exigências. E isto só se
consegue pela renúncia.
A
grande maioria dos homens vegeta entre duas tiranias: uma que atua no seu
interior, e se denomina instinto; outra que age de fora para dentro, e se chama
sentidos. Subjugado pelo instinto e fascinado pelos sentidos, o homem torna-se
um ser híbrido, incoerente e extravagante, capaz de todas as aberrações. Só a
renúncia, jugulando a cobiça e refreando os instintos, poderá quebrar os
grilhões desse duplo e aviltante cativeiro.
E'
o que S. Paulo aconselha em sua epístola aos Romanos, sob os seguintes dizeres:
"Rogo-vos, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos
corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, pois em tal importa o
culto racional; e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela
renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus."
Para
que o nosso corpo seja um sacrifício vivo em oferenda perpétua, é indispensável
manter aceso o fogo da renúncia na imolação do instinto e da cobiça.
*
* *
"Se
alguém vem a mim e não renuncia a seu pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e irmãs,
e ainda à sua própria vida, não pode ser meu discípulo... Assim, pois, todo
aquele que dentre vós não renuncia a tudo que possui, não pode ser meu
discípulo. Quem tem ouvidos de ouvir, ouça."
Sempre
que o incomparável Mestre fechava seus discursos com a frase — quem tem ouvidos
de ouvir, ouça — queria, com isso, dizer: quem for capaz penetre o sentido
destas palavras, porque o meu ensino não está na letra que mata, mas no
espírito que vivifica. O trecho, acima inscrito, acha-se em tais condições.
Jesus
tinha o lar e a família na mais alta consideração. Segundo seu modo de ver, no
lar e na família se consubstanciavam os maiores bens, aqueles a que o homem se
achava mais Intimamente ligado. Daí citar precisamente o lar e a família, ao
lado da própria vida, como os objetos que fazem jus aos nossos maiores afetos e
ao nosso mais profundo e radicado apego.
Todavia,
esses tesouros devem ser renunciados quando constituam embaraços à obra da
redenção de nossos Espíritos…
Mas,
afinal, de que consta essa renúncia e como deve ser executada? Aqui cumpre
lembrar a observação do Senhor: Quem tiver ouvidos de ouvir, ouça.
A
renúncia, tal como Jesus a estabelece, não significa, no que respeita à família,
o seu abandono nem o arrefecimento do afeto que une os corações destinados a
viverem sob o mesmo teto; e no que concerne aos bens temporais, a renúncia não
importa tão pouco em abrirmos mão de tudo que possuímos, transformando-nos em
párias ou mendigos.
Renúncia,
segundo o critério evangélico, quer dizer capacidade moral, força de caráter
capaz de sobrepor, em qualquer emergência ou conjuntura, a causa da justiça e
da verdade acima de todos os interesses, de todas as volições e prazeres, e
mesmo acima das nossas mais legítimas e caras afeições. Tal é a condição — sine
qua non — estabelecida por Jesus para nos tornarmos seus discípulos.
Esta
importantíssima questão tem sido mal interpretada pela teologia de certos
credos cristãos. Do estrabismo teológico nasceram os conventos. Os reclusos das
celas supõem, com isso, apressar o dia da redenção de suas almas. Enganam-se
redondamente, pois, antes, retardam a aurora desse dia glorioso. Não é fugindo
da sociedade e se isolando egoisticamente entre as paredes de um cubículo que
aceleraremos a evolução dos nossos Espíritos. Os trânsfugas perdem oportunidade
de avançar, na senda do progresso, porque evitam as lutas. E' enfrentando os nossos
inimigos, dentre os quais a morte é o derradeiro a vencer, no conceito de
Paulo, que caminharemos com passo seguro na conquista do porvir.
Os
tabernáculos eternos não se abrem, com gazua. E que pretendem os habitantes do
claustro senão abri-los com chave falsa? Os instintos amortecidos pelos
cilícios e pelos jejuns contínuos não foram vencidos, não foram subjugados;
acham-se apenas impossibilitados de ação mediante processos anormais, e,
portanto, condenáveis. A virtude de convento é como a planta de estufa: só
medra a coberto das intempéries.
Não
é tal a renúncia ensinada por Jesus, que deu os mais inequívocos exemplos de
sociabilidade convivendo com os pecadores, tomando parte nos seus jantares,
bodas e festins, a despeito mesmo das censuras acrimoniosas do farisaísmo que o
cobria de ápodos por isso.
A
filha que deixa seus pais, que abandona o lar e a sociedade para sepultar-se
num convento, comete um ato de fanatismo. Ela não renunciou a pai, mãe, irmãos,
irmãs e a tudo quanto tem, no sentido em que o divino Mestre preceitua; ela
deixou de cumprir o seu dever junto da família e da sociedade, fugindo às lutas
e às vicissitudes da vida humana e social. O arrefecimento e o repúdio às
afeições de família, conseqüentes ao enclausuramento, são antes delito que
virtude. Já dizia o apóstolo João, sábia e judiciosamente: Se não amas a teu
irmão que vês, como amarás a Deus que não vês?
O
que Jesus pede não é o desafeto aos membros de nossa família; não é o repúdio
do lar, essa mansão sagrada onde se forjam as virtudes fundamentais do
Cristianismo; não é a abstinência de tudo o que nos alegra, conforta e
refrigera a alma; não é a privação do conforto, do bem-estar e da independência
material ou financeira; não é o estrangulamento de todas as aspirações do
melhor por que nosso "ser" naturalmente anela, porque isso seria uma
monstruosidade, seria a nossa morte moral como efeito do embrutecimento, da
abulia a que condenássemos nosso espírito.
O
que Jesus requer dos seus discípulos ê, como já ficou dito acima, a coragem
moral, a disposição de ânimo capaz de resistir a todas as seduções do mundo,
colocando acima de tudo, inclusive de nossos mais santos afetos e da nossa
própria vida, o ideal de justiça e de amor que sua doutrina encerra e do qual
ele mesmo é o símbolo e o exemplo.
Livro:
Em Torno do Mestre.
Vinícius
(Pedro Camargo)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
La kurioza stato de duondormo - Paŭlo S. Viana el Brazilo.
Unu el la plej vivecaj rememoroj, kiujn mi konservas pri mia patrino estas konsilo, kiun ŝi ofte ripetis al mi: “Kiam vi havos problemon, dubon, dilemon aŭ ian bezonon fari malfacilan decidon, tiam diru al vi mem, vespere, ĉe enlitiĝo, ke la solvo venos matene, kun la unua penso, kiu aperos en via kapo; ĝi certe estos la plej bona solvo.”
Unu el la plej kuriozaj fenomenoj de la homa menso estas la “stato de duondormo”. Preskaŭ ĉiuj jam travivis ĝin multfoje, kaj ofte ekmiris pri strangaj pensoj, kiuj subite kaj efemere aperas en tiuj momentoj. Temas pri tiuj rapide pasemaj sekundoj, kiam oni troviĝas inter la plena konscio kaj la dormado. Nek tute konscia, nek tute dormanta. Ĝi povas okazi kiam oni endormiĝas, aŭ kiam oni vekiĝas. Malprecizaj scenoj, ideoj, kreemaj solvoj de problemoj aŭ artaj inspiroj povas tiam alveni, kaj tuj forpasi.
Nuntempe oni science studas tiun fenomenon. Medicinistoj nomas ĝin “hipnagogia stato”. Oni konsideras ĝin ideala punkto en la cerba funkciado, por apero de kreemaj ideoj. Artistoj kaj sciencistoj raportas, ke belaj ideoj alvenis al ili en tiuj momentoj. Tamen, tiuj ideoj ofte tuj poste malaperas, se oni ne tuj notas ilin.
Oni diras, ke la fama inventisto Thomas Edison, fronte al iu problemo, kutimis eniri duonkonscian staton, dum li tenis en la mano metalan pilkon. Kiam li endormiĝis, la pilko falis, li vekiĝis kaj foje kaptis novan ideon taŭgan por la situacio. Tio signifas, ke estas eble trejniĝi por utiligi la momentojn de duondormo. Ekzemple, se oni restas en la lito, en dimanĉaj matenoj, post la horo de kutima ellitiĝo, eble oni povas ricevi tiajn momentojn. Esploroj montris, ke virinoj iom pli ofte travivas ilin, ol viroj. Ankaŭ la praktikado de meditado povas faciligi tion.
Tiu
kurioza fenomeno substrekas la gravecon de malstreĉiĝo, dum ĉiu tago, meze de
la movoplena, maltrankvila moderna vivo. Ĝi stimulas la kreemon, laŭ pluraj
aspektoj. Kiam oni malstreĉiĝas, nia konscia menso iom malaktiviĝas, kontraste
kun la lavango da ideoj, kiujn la cerbo produktas dum plena aktiveco de la
korpo. Dum la stato de duondormo, la mensaj limoj estas pli flekseblaj, kaj
perceptoj el la nekonscia regiono de la menso povas ekburĝoni. Pro tio oni ofte
havas la impreson, ke tiuj ideoj venas “el ekstere”. Ideoj povas longe formiĝi
en la nekonscia menso, antaŭ ol ili ekaperas al la konscio.
Certe
ni devus pli ofte doni al nia cerbo tiun agrablan ŝancon.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Em plena era nova - Eurípedes Barsanulfo.
Cap. XVIII – Item
9
Há
criaturas que deixaram, na Terra, como único rastro da vida robusta que usufruíam
na carne, o mausoléu esquecido num canto ermo de cemitério.
Nenhuma
lembrança útil.
Nenhuma
reminiscência em bases de fraternidade.
Nenhum
ato que lhes recorde atitudes com padrões de fé.
Nenhum
exemplo edificante nos currículos da existência.
Nenhuma
ideia que vencesse a barreira da mediocridade.
Nenhum
gesto de amor que lhes granjeasse sobre o nome o orvalho da gratidão.
A
terra conservou-lhes, à força, apenas o cadáver – retalho de matéria gasta que lhes
vestira o espírito e que passa a ajudar, sem querer, no adubo às ervas bravas.
Usaram
os empréstimos do Pai Magnânimo exclusivamente para si mesmos, olvidando
estendê-los aos companheiros de evolução e ignorando que a verdadeira alegria não
vive isolada numa só alma, pois que somente viceja com reciprocidade de
vibrações entre vários grupos de seres amigos.
Espíritas, muitos de nós já vivemos assim!
Entretanto,
agora, os tempos são outros e as responsabilidades surgem maiores.
O
Espiritismo, a rasgar-nos nas mentes acanhadas e entorpecidas largos horizontes
de ideal superior, nos impele para frente, rumo aos Cimos da Perfectibilidade.
A
Humanidade ativa e necessitada, a construir seu porvir de triunfos, nos
conclama ao trabalho.
O
espírito é um monumento vivo de Deus – o Criador Amorável.
Honremos
a nossa origem divina, criando o bem como chuva de bênçãos ao longo de nossas
próprias pegadas.
Irmãos,
sede vencedores da rotina escravizante.
Em
cada dia renasce a luz de uma nova vida e com a morte somente morrem as ilusões.
O
espírito deve ser conhecido por suas obras.
É
necessário viver e servir.
É
necessário viver, meus irmãos, e ser mais do que pó!
Livro:
O Espírito da Verdade.
Espíritos
Diversos / Chico Xavier e Waldo Vieira.

