Descerrou-se,
finalmente, o derradeiro véu que obumbrava o meu ser pensante... Senti-me sã, ativa,
ágil, como se despertasse naquele instante... Ah! Eu morrera...
E a morte
representava um grande bem, porque eu me sentia outra, trazendo as faculdades integrais,
plena de favoráveis disposições para as lutas da vida. Todavia tinha a
impressão de estar só, já que ninguém respondia às minhas argüições, embora
percebesse que a minha voz nada perdera de seu vigor e tonalidade.
Propositalmente
procurava fazer-me vista por todos, mas uma impossibilidade perturbadora correspondia
aos meus pensamentos. Refugiei-me, então, nas mais sinceras e fervorosas
preces. Foi quando comecei a divisar vultos sutis e ouvir vozes acariciadoras,
das quais fugia amedrontada e receosa, na ilusão pueril de que me achava com o
corpo físico, trânsita de medo e suscetibilidades...
Livro Cartas de
uma Morta - Psicografia Chico Xavier.
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