domingo, 13 de março de 2022
sábado, 12 de março de 2022
União da alma e do corpo. Aborto / UNIÓN DEL ALMA Y DEL CUERPO. ABORTO.
344. Em que
momento a alma se une ao corpo?
“A união começa
na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da
concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um
laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a
criança vê a luz. O grito que então solta anuncia que ela se conta no número
dos vivos e dos servos de Deus.”
345. É
definitiva a união do Espírito com o corpo desde o momento da concepção?
Durante esta primeira fase, poderia o Espírito renunciar a habitar o corpo que
lhe está destinado?
“É definitiva a
união, no sentido de que outro Espírito não poderia substituir o que está
designado para aquele corpo. Mas como os laços que ao corpo o prendem são ainda
muito fracos, facilmente se rompem. Podem romper-se por vontade do Espírito, se
este recua diante da prova que escolheu. Em tal caso, porém, a criança não
vinga.”
346. Que faz o
Espírito se o corpo que ele escolheu morre antes de se verificar o nascimento?
“Escolhe outro.”
a) – Qual a
utilidade dessas mortes prematuras?
“Dão-lhes causa,
as mais das vezes, as imperfeições da matéria.”
347. Que
utilidade encontrará um Espírito na sua encarnação em um corpo que morre poucos
dias depois de nascido?
“O ser não tem
então consciência plena da sua existência; a importância da morte é quase nenhuma.
Frequentemente é, como já dissemos, uma prova para os pais.”
348. Sabe o
Espírito, previamente, que o corpo de sua escolha não tem probabilidade de
viver?
“Sabe-o algumas
vezes; mas se nessa circunstância reside o motivo de sua escolha, isso significa
que está fugindo à prova.”
349. Quando
falha por qualquer causa a encarnação de um Espírito, é ela suprida
imediatamente por outra existência?
“Nem sempre o é
imediatamente. Faz-se mister dar ao Espírito tempo para proceder a nova
escolha, a menos que a reencarnação imediata corresponda a anterior
determinação.”
350. Uma vez
unido ao corpo da criança e quando já lhe não é possível voltar atrás, sucede
alguma vez deplorar o Espírito a escolha que fez?
“Perguntas se,
como homem, se queixa da vida que tem? Se desejaria que outra fosse ela? Sim.
Se se arrepende da escolha que fez? Não, pois não sabe ter sido sua escolha.
Depois de encarnado, não pode o Espírito lastimar uma escolha de que não tem
consciência. Pode, entretanto, achar pesada demais a carga e considerá-la
superior às suas forças. É quando isso acontece que recorre ao suicídio.”
351. No
intervalo que medeia da concepção ao nascimento goza o Espírito de todas as
suas faculdades?
“Mais ou menos,
conforme o ponto desse intervalo em que se ache, porquanto ainda não está
encarnado, mas apenas ligado. A partir do instante da concepção, começa o
Espírito a ser tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o momento
de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de contínuo até ao
nascimento. Seu estado, nesse período, é quase idêntico ao de um Espírito
encarnado durante o sono. À medida que a hora do nascimento se aproxima, suas
ideias se apagam, assim como a lembrança do passado, do qual deixa de ter
consciência na condição de homem, logo que entra na vida. Essa lembrança,
porém, lhe volta pouco a pouco ao retornar ao estado de Espírito.”
352.
Imediatamente ao nascer recobra o Espírito a plenitude das suas faculdades?
“Não, elas se
desenvolvem gradualmente com os órgãos. O Espírito se acha numa existência
nova; preciso é que aprenda a servir-se dos instrumentos de que dispõe. As
ideias lhe voltam pouco a pouco, como a uma pessoa que desperta e se vê em
situação diversa da que ocupava na véspera.”
353. Não sendo
completa a união do Espírito ao corpo, não estando definitivamente consumada,
senão depois do nascimento, poder-se-á considerar o feto como dotado de alma?
“O Espírito que
o vai animar existe, de certo modo, fora dele. O feto não tem pois,
propriamente falando, uma alma, visto que a encarnação está apenas em via de
operar-se. Acha-se, entretanto, ligado à alma que virá a possuir.”
354. Como se
explica a vida intrauterina?
“É a da planta
que vegeta. A criança vive vida animal. O homem tem a vida vegetal e a vida
animal que, pelo seu nascimento, se completam com a vida espiritual.”
355. Há, de
fato, como o indica a Ciência, crianças que já no seio materno não são viáveis?
Com que fim ocorre isso?
“Frequentemente
isso se dá e Deus o permite como prova, quer para os pais, quer para o Espírito
da criança.”
356. Entre os
natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à encarnação de
Espíritos?
“Alguns há,
efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha
que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm em função de seus pais.”
a) – Pode chegar
a termo de nascimento um ser dessa natureza?
“Algumas vezes;
mas não vive.”
b) – Segue-se
daí que toda criança que vive após o nascimento tem forçosamente encarnado em
si um Espírito?
“Que seria ela,
se assim não acontecesse? Não seria um ser humano.”
357. Que
consequências tem para o Espírito o aborto?
“É uma existência
nula, a ser recomeçada.”
358. Constitui
crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?
“Há crime sempre
que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime
sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, porque impede
uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se
estava formando.”
359. No caso em
que o nascimento da criança puser em perigo a vida da mãe, haverá crime em
sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?
“Preferível é se
sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.”
360. Será
racional ter-se para com um feto as mesmas atenções que se dispensam ao corpo
de uma criança que viveu algum tempo?
“Vede em tudo
isso a vontade e a obra de Deus. Não trateis, pois, levianamente coisas que
deveis respeitar. Por que não respeitar as obras da criação, algumas vezes
incompletas por vontade do Criador? Tudo ocorre segundo os seus desígnios, e
ninguém é chamado para julgá-los.”
O Livro dos
Espíritos – Allan Kardec.
344. ¿En qué momento
se une el alma al cuerpo?
«La unión
empieza en la concepción; pero no es completa hasta el momento del nacimiento.
Desde el instante de la concepción, el espíritu designado para habitar en un
cuerpo determinado se une a él por un lazo fluídico, que se va estrechando poco
a poco, hasta que el niño sale a luz. El grito que lanza entonces anuncia que
pertenece al número de los vivientes y servidores de Dios».
345. ¿La unión
del espíritu y del cuerpo es definitiva desde el momento de la concepción?
Durante este primer período, ¿podría el espíritu renunciar a habitar en aquel
cuerpo?
«La unión es
definitiva en el sentido de que otro espíricu no podría reemplazar al designado
para aquel cuerpo; pero, como los lazos que a él le unen son muy débiles,
fácilmente se rompen y pueden serlo por la voluntad del espíritu que retrocede
ante la prueba que ha elegido; pero entonces no vive el niño».
346. ¿Qué sucede
al espíritu, si el cuerpo que ha escogido muere antes de nacer?
«Escoge otro».
-¿Qué utilidad
pueden tener esas muertes prematuras?
«Las
imperfecciones de la materia son las más frecuentes causas de semejantes
muertes».
347. ¿Qué
utilidad puede tener para el espíritu su encarnación en un cuerpo, que muere
pocos días después del nacimiento?
«El ser no tiene
conciencia bastante desarrollada de su existencia; la importancia de la muerte
es casi nula, y como hemos dicho, es con frecuencia una prueba. para los
padres».
348. ¿Sabe
anticipadamente el espíritu que el cuerpo elegido no tiene probabilidades de
vida?
«Lo sabe a
veces; pero si por este motivo lo escoge, retrocede ante la prueba».
349. Cuando una
encarnación es improductiva para el espíritu, por una causa cualquiera, ¿es
suplida inmediata-mente por otra existencia?
«No siempre
inmediatamente, pues el espíritu necesita tiempo para escoger de nuevo, a menos
que la reencarnación instantánea no provenga de una determinación anterior».
350. Unido el
espíritu al cuerpo del niño y no pudiendo ya desistir, ¿siente a veces la
elección que ha hecho?
«¿Quieres decir
si se queja como hombre de su vida? ¿Si la cambiaría por otra? Si ¿Quieres
decir si siente la elección que ha hecho? No, puesto que ignora que la haya
elegido. Encarnado el espíritu, no puede sentir una elección de la que no tiene
conciencia; pero puede encontrar muy pesada la carga, y si la cree superior a
sus fuerzas, entonces acude al suicidio».
351. En el
intervalo de la concepción al nacimiento, ¿disfruta el espíritu de todas sus
facultades?
«Más o menos
según la época; porque no está aún encarnado, sino ligado. Desde el momento de
la concepción, la turbación empieza a apoderarse del espíritu, advirtiéndo sele
de este modo que ha llegado el momento de tomar una nueva existencia. La
turbación va aumentando hasta el nacimiento, y en este intervalo su estado es
poco más o menos el de un espíritu encarnado, durante el sueño del cuerpo. A
medida que se aproxima el acto del nacimiento, bórranse sus ideas y el recuerdo
del pasado, del cual cesa, como hombre, de tener conciencia así que entra en la
vida; pero este re-cuerdo lo recobra poco a poco en su estado de espíritu».
352. En el acto
del nacimiento, ¿recobra inmediatamente el espíritu la plenitud de sus
facultades?
«No, se
desarrolla gradualmente con los órganos. Se trata de una nueva existencia y es
preciso que aprenda a servirse de sus instrumentos. Las ideas le acuden poco a
poco, como sucede al hombre que se despierta y que se encuentra en distinta
posición de la que tenía antes de dormirse».
353. No
consumándose completa y definitivamente, hasta después del nacimiento, la unión
del espíritu y del cuerpo, ¿puede considerarse al feto como dotado de alma?
«El espíritu que
debe animarlo existe en cierto modo fuera de él y propiamente hablando, no
tiene, pues, un alma, puesto que la encarnación está sólo en vías de operarse;
pero está ligado a la que ha de escoger».
354. ¿Cómo se
explica la vida intrauterina?
«Es la vida de
la planta que vegeta. El niño vive la vida animal. El hombre reúne en si la
vida animal y la vegetal que completa, al nacer, con la espiritual».
355. ¿Existen,
según indica la ciencia, ninos que, desde el seno de la madre, no han nacido
viables? ¿Con qué objeto sucede así?
«Sucede a
menudo, y Dios lo permite como prueba, ya para los padres, ya para el espíritu
destinado a aquel cuerpo».
356. ¿Hay niños
que nacen muertos y que no han sido destinados a la encarnación de ningún
espíritu?
«Sí, los hay que
nunca han tenido un espíritu destinado para su cuerpo, pues nada debía
realizarse respecto de ellos. Semejante niño viene únicamente para expiación de
sus padres».
-Un ser de esta
naturaleza, ¿puede llegar al tiempo normal?
«A veces si pero
entonces no vive».
-Todo niño que
sobrevive, pues, al nacimiento, ¿tiene necesidad de un espíritu encarnado?
«¿Qué sería si
no lo tuviese? No sería un ser humano».
357. ¿Qué
consecuencias tiene el aborto para el espíritu? «Es una existencia nula que
debe volverse a empezar».
358. ¿Es un
crimen el aborto provocado, cualquiera que sea la época de la concepción?
«Desde el
momento que violáis la ley de Dios, existe crimen. La madre u otro cualquiera
que sea, comete siempre un crimen, quitando la vida al niño antes del
nacimiento; porque impide al alma soportar las pruebas, cuyo instrumento había
de ser el cuerpo».
359. En el caso
de que corriese peligro la vida de la madre a consecuencia del nacimiento del
niño, ¿es un crimen sacrificar a éste para salvar a aquélla?
«Es preferible
sacrificar al ser que no existe que no al que existe».
360. ¿Es
racional guardar al feto las mismas consideraciones que al cuerpo de un niño,
que hubiese vívido?
«En todo ved la
voluntad de Dios y su obra, y no tratéis, pues, con ligereza cosas que debéis
respetar. ¿Por qué no se han de respetar las obras de la creación, incompletas
a veces por voluntad del Creador? Esto entra en sus designios, y a juzgar de
ellos no está llamado nadie».
EL LIBRO DE LOS
ESPÍRITUS – Allan Kardec.
domingo, 6 de março de 2022
Prelúdio da volta / Préludes du retour.
330. Sabem os
Espíritos em que época reencarnarão?
“Pressentem-na,
como sucede ao cego que se aproxima do fogo. Sabem que têm de retomar um corpo,
como sabeis que tendes de morrer um dia, mas ignorando quando isso se dará.”
(166.)
a) — Então a
reencarnação é uma necessidade da vida espírita, como a morte o é da vida
corporal?
“Certamente;
assim é.”
331. Todos os
Espíritos se preocupam com a sua reencarnação?
“Muitos há que
em tal coisa não pensam, que nem sequer a compreendem. Depende de estarem mais
ou menos adiantados. Para alguns, a incerteza em que se acham do futuro que os
aguarda constitui punição.”
332. Pode o
Espírito apressar ou retardar o momento da sua reencarnação?
“Pode
apressá-lo, atraindo-o por um desejo ardente. Pode igualmente distanciá-lo,
recuando diante da prova, pois entre os Espíritos também há covardes e
indiferentes. Nenhum, porém, assim procede impunemente, visto que sofre por
isso, como aquele que recusa o remédio capaz de curá-lo.”
333. Se se
considerasse bastante feliz numa condição mediana entre os Espíritos errantes
e, conseguintemente, não ambicionasse elevar-se, poderia um Espírito prolongar
indefinidamente esse estado?
“Indefinidamente,
não. Cedo ou tarde, o Espírito sente a necessidade de progredir. Todos têm que
se elevar; esse o destino de todos.”
334. Há
predestinação na união da alma com tal ou tal corpo, ou só à última hora é
feita a escolha do corpo que ela tomará?
“O Espírito é
sempre designado de antemão. Tendo escolhido a prova a que queira submeter-se,
pede para encarnar. Ora, Deus, que tudo sabe e vê, já antecipadamente sabia e
vira que tal Espírito se uniria a tal corpo.”
335. Cabe ao
Espírito a escolha do corpo em que encarne, ou somente a do gênero de vida que
lhe sirva de prova?
“Pode também
escolher o corpo, porquanto as imperfeições que este apresente serão, para o
Espírito, provas que lhe auxiliarão o progresso, se vencer os obstáculos que
delas lhe advenham. A escolha, porém, nem sempre depende dele; mas isso não
obsta a que peça que seu corpo seja tal ou qual.”
a) — Poderia o
Espírito recusar, à última hora, tomar o corpo por ele escolhido?
“Se recusasse, sofreria muito mais do que aquele que não tentasse prova alguma.”
336. Poderia
dar-se não haver Espírito que aceitasse encarnar numa criança que houvesse de
nascer?
“Deus a isso
proveria. Quando uma criança tem que nascer para viver, está predestinada
sempre a ter uma alma. Nada se cria sem que à criação presida um desígnio.”
337. Pode a
união do Espírito a determinado corpo ser imposta por Deus?
“Pode, do mesmo
modo que as diferentes provas, mormente quando ainda o Espírito não está apto a
proceder a uma escolha com conhecimento de causa. Por expiação, pode o Espírito
ser constrangido a se unir ao corpo de determinada criança que, pelo seu
nascimento e pela posição que venha a ocupar no mundo, se lhe torne instrumento
de castigo.”
338. Se
acontecesse que muitos Espíritos se apresentassem para tomar determinado corpo
destinado a nascer, que é o que decidiria sobre a qual deles pertenceria o
corpo?
“Muitos podem
pedi-lo; mas, em tal caso, Deus é quem julga qual o mais capaz de desempenhar a
missão a que a criança se destina. Porém, como eu já disse, o Espírito é
designado antes que soe o instante em que haja de unir-se ao corpo.”
339. No momento
de encarnar, o Espírito sofre perturbação semelhante à que experimenta ao
desencarnar?
“Muito maior e
sobretudo mais longa. Pela morte, o Espírito sai da escravidão; pelo
nascimento, entra para ela.”
340. É solene
para o Espírito o instante da sua encarnação? Pratica ele esse ato
considerando-o sério e importante?
“Procede como o
viajante que embarca para uma travessia perigosa, e que não sabe se encontrará
ou não a morte nas ondas que se decide a afrontar.”
O viajante que
embarca sabe a que perigo se lança, mas não sabe se naufragará. O mesmo se dá
com o Espírito: conhece o gênero das provas a que se submete, mas não sabe se
sucumbirá.
Assim como, para o Espírito, a morte do corpo é uma espécie de renascimento, a reencarnação é uma espécie de morte, ou antes, de exílio, de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corporal, como o homem deixa este mundo por aquele. Sabe que reencarnará, como o homem sabe que morrerá. Mas, como este com relação à morte, o Espírito só no instante supremo, quando chegou o momento exigido, tem consciência de que vai reencarnar. Então, qual do homem em agonia, dele se apodera a perturbação, que se prolonga até que a nova existência se ache claramente formada. À aproximação do momento de reencarnar, sente uma espécie de agonia.
341. Na
incerteza em que se vê quanto às eventualidades do seu triunfo nas provas que
vai suportar na vida, tem o Espírito uma causa de ansiedade antes da sua
encarnação?
“De ansiedade
bem grande, pois que as provas da sua existência o retardarão ou farão avançar,
conforme as suporte.”
342. No momento
de reencarnar, o Espírito se acha acompanhado de outros Espíritos seus amigos,
que vêm assistir à sua partida do mundo incorpóreo, como vêm recebê-lo quando
para lá volta?
“Depende da
esfera a que pertença. Se já está nas em que reina a afeição, os Espíritos que
o amam acompanham-no até ao último momento, animam e mesmo lhe seguem, muitas
vezes, os passos pela vida em fora.”
343. Os
Espíritos amigos que nos seguem os passos na vida serão talvez os que vemos em
sonho, que nos testemunham afeto e que se nos apresentam com semblantes
desconhecidos?
“Muito
frequentemente são; eles vos vêm visitar, como ides visitar um encarcerado.”
O Livro dos
Espíritos –Allan Kardec.
330. Les Esprits connaissent-ils l'époque à laquelle
ils seront réincarnés ?
« Ils la pressentent, comme un aveugle sent le feu
dont il s'approche. Ils savent qu'ils doivent reprendre un corps, comme vous
savez que vous devez mourir un jour, mais sans savoir quand cela arrivera. »
(166.)
— La réincarnation est donc une nécessité de la vie
spirite, comme la mort est une nécessité de la vie corporelle ?
« Assurément, il en est ainsi. »
331. Tous les Esprits se préoccupent-ils de leur
réincarnation ?
« Il en est qui n'y songent nullement, qui même ne la
comprennent pas ; cela dépend de leur nature plus ou moins avancée. Pour
quelques-uns l'incertitude où ils sont de leur avenir est une punition. »
332. L'Esprit peut-il rapprocher ou retarder le moment
de sa réincarnation ?
« Il peut le rapprocher en l'appelant de ses voeux ;
il peut aussi l'éloigner s'il recule devant l'épreuve, car parmi les Esprits il
y a aussi des lâches et des indifférents, mais il ne le fait pas impunément ;
il en souffre comme celui qui recule devant le remède salutaire qui peut le
guérir. »
333. Si un Esprit se trouvait assez heureux d'une
condition moyenne parmi les Esprits errants, et qu'il n'eût pas l'ambition de
monter, pourrait-il prolonger cet état indéfiniment ?
« Non, pas indéfiniment ; l'avancement est un besoin
que l'Esprit éprouve tôt ou tard ; tous doivent monter, c'est leur destinée. »
334. L'union de l'âme avec tel ou tel corps est-elle prédestinée, ou bien n'est-ce qu'au dernier moment que le choix se fait ?
« L'Esprit est toujours désigné d'avance. L'Esprit, en
choisissant l'épreuve qu'il veut subir, demande à s'incarner ; or Dieu, qui
sait tout et voit tout, a su et vu d'avance que telle âme s'unirait à tel
corps. »
335. L'Esprit
a-t-il le choix du corps dans lequel il doit entrer, ou seulement du genre de
vie qui doit lui servir d'épreuve ?
« Il peut aussi
choisir le corps, car les imperfections de ce corps sont pour lui des épreuves
qui aident à son avancement s'il dompte les obstacles qu'il y rencontre, mais
le choix ne dépend pas toujours de lui ; il peut demander. »
— L'Esprit
pourrait-il, au dernier moment, refuser d'entrer dans le corps choisi par lui ?
« S'il refusait,
il en souffrirait beaucoup plus que celui qui n'aurait tenté aucune épreuve. »
336. Pourrait-il
arriver qu'un enfant qui doit naître ne trouvât pas d'Esprit qui voulût
s'incarner en lui ?
« Dieu y
pourvoirait. L'enfant, lorsqu'il doit naître viable, est toujours prédestiné à
avoir une âme ; rien n'a été créé sans dessein. »
337. L'union de l'Esprit avec tel corps peut-elle être
imposée par Dieu ?
« Elle peut être
imposée, de même que les différentes épreuves, surtout lorsque l'Esprit n'est
pas encore apte à faire un choix avec connaissance de cause. Comme expiation,
l'Esprit peut être contraint de s'unir au corps de tel enfant qui, par sa
naissance et la position qu'il aura dans le monde, pourra devenir pour lui un
sujet de châtiment. »
338. S'il
arrivait que plusieurs Esprits se présentassent pour un même corps qui doit
naître, qu'est-ce qui déciderait entre eux ?
« Plusieurs
peuvent le demander ; c'est Dieu qui juge en pareil cas celui qui est le plus
capable de remplir la mission à laquelle l'enfant est destiné ; mais, je l'ai
dit, l'Esprit est désigné avant l'instant où il doit s'unir au corps. »
339. Le moment
de l'incarnation est-il accompagné d'un trouble semblable à celui qui a lieu à
la sortie du corps ?
« Beaucoup plus grand et surtout plus long. A la mort,
l'Esprit sort de l'esclavage ; à la naissance, il y rentre. »
340. L'instant où un Esprit doit s'incarner est-il
pour lui un instant solennel ? Accomplit-il cet acte comme une chose grave et
importante pour lui ?
« Il est comme un voyageur qui s'embarque pour une
traversée périlleuse, et qui ne sait s'il ne doit pas trouver la mort dans les
vagues qu'il affronte. »
Le voyageur qui s'embarque sait à quels périls il
s'expose, mais il ne sait s'il fera naufrage ; il en est ainsi de l'Esprit : il
connaît le genre des épreuves auxquelles il se soumet, mais il ne sait s'il
succombera.
De même que la
mort du corps est une sorte de renaissance pour l'Esprit, la réincarnation est
pour celui-ci une sorte de mort, ou plutôt d'exil et de claustration. Il quitte
le monde des Esprits pour le monde corporel, comme l'homme quitte le monde
corporel pour le monde des Esprits. L'Esprit sait qu'il se réincarnera, comme
l'homme sait qu'il mourra ; mais, comme celui-ci, il n'en a conscience qu'au
dernier moment, quand le temps voulu est arrivé ; alors, à ce moment suprême,
le trouble s'empare de lui, comme chez l'homme qui est à l'agonie, et ce
trouble persiste jusqu'à ce que la nouvelle existence soit nettement formée. Les approches de la réincarnation sont une sorte
d'agonie pour l'Esprit.
341. L'incertitude où se trouve l'Esprit sur
l'éventualité du succès des épreuves qu'il va subir dans la vie, est-elle pour
lui une cause d'anxiété avant son incarnation ?
« Une anxiété
bien grande, puisque les épreuves de son existence le retarderont ou
l'avanceront selon qu'il les aura bien ou mal supportées. »
342. Au moment
de sa réincarnation, l'Esprit est-il accompagné par d'autres Esprits de ses
amis qui viennent assister à son départ du monde spirite, comme ils viennent le
recevoir lorsqu'il y rentre ?
« Cela dépend de
la sphère que l'Esprit habite. S'il est dans
les sphères où règne l'affection, les Esprits qui l'aiment l'accompagnent
jusqu'au dernier moment, l'encouragent, et souvent même le suivent dans la vie.
»
343. Les Esprits
amis qui nous suivent dans la vie sont-ils parfois ceux que nous voyons en
songe, qui nous témoignent de l'affection, et qui se présentent à nous sous des
traits inconnus ?
« Très souvent ce sont eux ; ils viennent vous
visiter, comme vous allez voir un prisonnier sous les verrous. »
LE LIVRE DES ESPRITS – Allan Kardec.