domingo, 3 de abril de 2016

Sol Sublime – Joanna de Ângelis.

Estivesse o homem entregue à própria sorte, e a existência, na Terra, seria insuportável.
Os liames com o passado de onde procede retê-lo-iam no primitivismo.
As imposições atávicas dificultar-lhe-iam vencer os degraus mais difíceis da escala da evolução, e motivo algum lucilaria na sua mente produzindo estímulo para o esforço.
Os passos iniciais são sempre mais demorados e de logro mais complicado.
Á medida que se firmam os pés ensejando a verticalidade, mais fáceis se tornam as tentativas de êxito para a marcha.
O amor de Deus faculta que os anjos guardiães, responsáveis pela evolução dos seres, inspirem e emulem os homens ao crescimento, favorecendo o desabrochar das potencialidades que dormem latentes em todos.
Eles velam com carinho e geram recursos que podem ser movimentados para a ascensão.
Cada conquista faculta mais largos horizontes a vencer.
Ampliando-se o raio de ação, mais se agigantam as possibilidades de desenvolvimento.
Á frente de todas as experiências vitoriosas, estão esses Guias incansáveis, estimulando-os.
Nunca te consideres, portanto, em abandono, a sós, esquecido.
Quando as dificuldades te advierem,  compreende que estás sob avaliação para seres promovido.
Enfrentando enfermidade ou incompreensão, logica sobre o amor do Pai e alegra-te com a experiência de fixação de forças morais nos painéis da alma.
Sofrendo os aguilhões dos processos degenerativos que as enfermidades produzem, considera que o corpo é somente veste transitória, mas tu és vida imperecível.
Todo triunfo se assenta sobre as lutas ganhas e as dificuldades superadas.
A raiz da árvore gigante e florida permanece frágil no seu extremo, perfurando o solo e nutrindo-se.
A água deixa as impurezas, espremida nos poros das pedras pelas quais se coa.
Assim também são os mecanismos da evolução para conosco.
Solidão é palavra absurda para quem ama, e queixa de abandono representa desconhecimento das leis da vida.
Busca sintonizar com os teus Guias Espirituais e galgarás sucessivos patamares do progresso e da paz.
Jesus prometeu-nos que nos não deixaria a sós, e, mesmo desde antes de se nos desvelar, sempre esteve e permanece conosco, na condição de Sol sublime, atraindo-nos na Sua direção.
Joanna de Ângelis / Divaldo P. Franco
Livro: Momentos de Harmonia.

sábado, 2 de abril de 2016

Cartões - 82





Fidelidade a Deus – Humberto de Campos.

Depois das primeiras prédicas de Jesus, respeito aos trabalhos ingentes que a edificação de Deus exigia dos seus discípulos, esboçou-se na fraterna comunidade um leve movimento e incompreensão.
Que? pois a Boa-Nova reclamaria tamanhos sacrifícios? Então o Senhor, que sondava o íntimo de seus companheiros diletos, os reuniu, uma noite, quando a turba os deixara a sós e já algumas horas haviam passado sobre o por do sol.
Interrogando-os vivamente, provocou a manifestação dos seus pensamentos e dúvidas mais íntimas. Após escutar-lhes as confidencias simples e sinceras, o Mestre ponderou:
– Na causa de Deus, a fidelidade deve ser uma das primeiras virtudes. Onde o filho e o pai que não desejem estabelecer, como ideal de união, a confiança integral e recíproca? Nós não podemos duvidar da fidelidade do Nosso Pai para conosco. Sua dedicação nos cerca os espíritos, desde o primeiro dia. Ainda não o conhecíamos e já ele nos amava. E, acaso, poderemos desdenhar a possibilidade da retribuição?
Não seria repudiarmos o título de filhos amorosos, o fato de nos deixarmos absorver no afastamento, favorecendo a negação?
Como os discípulos o escutassem atentos, bebendo-lhe os ensinos, o Mestre acrescentou:
– Tudo na vida tem o preço que lhe corresponde. Se vacilais receosos ante as bênçãos o sacrifício e as alegrias do trabalho, meditai nos tributos que a fidelidade ao mundo exige. O prazer não costuma cobrar do homem um imposto alto e doloroso? Quantos pagarão, em flagelações íntimas, o vaidoso e o avarento? Qual o preço que o mundo reclama ao gozador e ao mentiroso?
Ao clarão alvacento da Lua, como pai bondoso rodeado de seus filhinhos, Jesus "reconheceu que os discípulos, diante das suas cariciosas perguntas, haviam transformado a atitude mental, como que iluminadas por súbito clarão.
Tìmidamente, Tiago, filho de Alceu, contou a história de um amigo que arruinara a saúde, por excessos nos prazeres condenáveis.
Tadeu falou de um conhecido que, depois de ganhar grande fortuna, se havia tornado avarento e mesquinho a ponto de privar-se do necessário, para multiplicar o número de suas moedas, acabando assassinado pelos ladrões.
Pedro recordou o caso de um pescador de sua intimidade, que sucumbira tràgicamente, por efeito de sua desmedida ambição.
Jesus, depois de ouvi-los, satisfeito, perguntou:
– Não achais enorme o tributo que o mundo exige dos que se apegam aos seus gozos e riquezas?
Se o mundo pede tanto, porque não poderia Deus pedir-nos lealdade ao coração? Trabalhamos agora pela instituição divina do seu reino na Terra; mas, desde quando estará o Pai trabalhando por nós? As interrogativas pairavam no espaço sem resposta dos discípulos, porque, acima de tudo, eles ouviam a que lhes dava o próprio coração. Do firmamento infinito os reflexos do luar se projetavam no lençol tranqüilo do lago, dando a impressão de encantador caminho para o horizonte, aberto sobre as águas, por entre deslumbramentos de luz.
Enquanto os companheiros meditavam no que dissera Jesus, Tiago se lhe dirigiu, nestes termos:
– Mestre, tenho um amigo, de Corazin que vos ouviu a palavra santificante e desejava seguir-vos; porém, asseverou-me que o reino pregado pela vossa bondade está cheio de numerosos obstáculos, acrescentando que Deus deve mostrar-se a nós outros somente na Vitória e na ventura. Devo confessar que hesitei ante as suas observações, mas, agora, esclarecido pelos vossos ensinamentos, melhor vos compreendo e afirmo-vos que nunca esquecerei minha fidelidade ao reino!...
A voz do apóstolo, na sua confissão espontânea, se revelava tocada de entusiasmo doce e amigo e o Senhor, aproveitando a hora para a semeadura divina, exclamou bondoso:
– Tiago, nem todos podem compreender a verdade de uma só vez. Devemos considerar que o mundo está cheio de crentes que não entendem a proteção do céu, senão nos dias de tranquilidade e de triunfo. Nós, porém, que conhecemos a vontade suprema, temos que lhe seguir o roteiro. Não devemos pensar no Deus que concede, mas no Pai que educa; não no Deus que recompensa, sim no Pai que aperfeiçoa. Daí se segue que a nossa batalha pela redenção tem de ser perseverante e sem tréguas...
Nesse ínterim, todos os companheiros de apostolado, manifestando o interesse que os esclarecimentos da noite lhes causavam, se puseram a perguntar, com respeito e carinho.
– Mestre – exclamou um deles – não seria melhor fugirmos do mundo para, viver na incessante contemplação do reino?...
– Que diríamos do filho que se conservasse em perpétuo repouso, junto de seu pai que trabalha sem cessar, no labor da grande família? Respondeu Jesus.
– Mas, de que modo se há de viver como homem e como apóstolo do reino de Deus na face deste mundo”. – inquiriu Tadeu.
– Em verdade – esclareceu o Messias – ninguém pode servir, simultaneamente, a dois senhores.
Fora absurdo viver ao mesmo tempo para os prazeres condenáveis da Terra e para as virtudes sublimes do céu. O discípulo da Boa-Nova tem de servir a Deus, servindo à sua obra neste mundo. Ele sabe que se acha a laborar com muito esforço num grande campo, propriedade de seu Pai, que o observa com carinho e atenta com amor nos seus trabalhos. Imaginemos que esse campo estivesse cheio de inimigos: por toda parte, vermes asquerosos, víboras peçonhentas, tratos de terra improdutiva. É certo que as farsas destruidoras reclamarão a indiferença e a submissão do filho de Deus; mas, o filho de coração fiel a seu Pai se lança ao trabalho com perseverança e boa vontade. Entrará em luta silenciosa com o meio, sofrer-lhe-á os tormentos com heroísmo espiritual, por amor do reino que traz no coração, plantará uma flor onde haja um espinho, abrirá uma senda, embora estreita, onde estejam em confusão os parasitos da Terra, cavará pacientemente, buscando as entranhas do solo para que surja uma gota d’água onde queime um deserto. Do íntimo desse trabalhador brotará sempre um cântico de alegria, porque Deus o ama e segue com atenção.
– Qual a primeira qualidade a cultivar no coração – perguntou um dos filhos de Zebedeu – para que nos sintamos plenamente identificados com a grandeza espiritual da tarefa?
– Acima de todas as coisas – respondeu o Mestre – é preciso ser fiel a Deus.
A pequena assembléia parecia altamente enlevada e satisfeita; mas, André inquiriu:
– Mestre, estes últimos dias, tenho-me sentido doente e receio não poder trabalhar como os demais companheiros. Como poderei ser fiel a Deus, estando enfermo?
– Ouvi. – Replicou o Senhor com certa ênfase.
– Nos dias de calma, é fácil provar-se fidelidade e confiança. Não se prova, porém, dedicação, verdadeiramente, senão nas horas tormentosas, em que tudo parece contrariar e perecer. O enfermo tem consigo diversas possibilidades de trabalhar para Nosso Pai, com mais altas probabilidades de êxito no serviço. Tateando ou rastejando, busquemos servir ao Pai que está nos céus, porque nas suas mãos divinas vive o Universo inteiro!...
“André, se algum dia teus olhos se fecharem para a luz da Terra, serve a Deus com a tua palavra e com os ouvidos; se ficares mudo, toma, assim mesmo, a charrua, valendo-te das tuas mãos. Ainda que ficasses privado dos olhos e da palavra, das mãos e dos pés, poderias servir a Deus com a paciência e a coragem, porque a virtude é o verbo dessa fidelidade que nos conduzirá ao amor dos amores!”
O grupo dos apóstolos calara-se, impressionado, ante aquelas recomendações. O luar esplendia sobre as águas silenciosas. O mais leve ruído não traía o silêncio augusto da hora.
André chorava de emoção, enquanto os outros observavam a figura do Cristo, iluminada pelos clarões da Lua, deixando entrever um amoroso sorriso. Então, todos, impulsionados por soberana força interior, disseram, quase a um só tempo:
– Senhor, seremos fiéis!...
***
Jesus continuou a sorrir, como quem sabia a intensidade da luta a ser travada e conhecia a fragilidade das promessas humanas. Entretanto, do coração dos apóstolos jamais se apagou a lembrança daquela noite luminosa de Cafarnaum, aureolada pelo sentimento divino. Humilhados e perseguidos, crucificados na dor e esfolados vivos, souberam ser fiéis, através de todas as vicissitudes da Natureza, e, transformando suas angústias e seus trabalhos num cântico de glorificação, sob a eterna inspiração do Mestre renovaram a face do mundo.
Livro: Boa Nova.
Humberto de Campos / Chico Xavier.

DINHEIRO - Emmanuel

“Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” - Paulo. (1ª EPÍSTOLA A TIMÓTEO, capítulo 6, versículo 10.)
Paulo não nos diz que o dinheiro, em si mesmo, seja flagelo para a Humanidade.
Várias vezes, vemos o Mestre em contacto com o assunto, contribuindo para que a nossa compreensão se dilate. Recebendo certos alvitres do povo que lhe apresenta determinada moeda da época, com a efigie do imperador romano, recomenda que o homem dê a César o que é de César, exemplificando o respeito às convenções construtivas. Numa de suas mais lindas parábolas, emprega o símbolo de uma dracma perdida. Nos movimentos do Templo, aprecia o óbolo pequenino da viúva.
O dinheiro não significa um mal. Todavia, o apóstolo dos gentios nos esclarece que o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males. O homem não pode ser condenado pelas suas expressões financeiras, mas, sim, pelo mau uso de semelhantes recursos materiais, porqüanto é pela obsessão da posse que o orgulho e a ociosidade, dois fantasmas do infortúnio humano, se instalam nas almas, compelindo-as a desvios da luz eterna.
O dinheiro que te vem às mãos, pelos caminhos retos, que só a tua consciência pode analisar à claridade divina, é um amigo que te busca a orientação sadia e o conselho humanitário. Responderás a Deus pelas diretrizes que lhe deres e ai de ti se materializares essa força benéfica no sombrio edifício da iniqüidade!
Livro: Caminho, Verdade e Vida.
Emmanuel / Chico Xavier.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

La regno / O REINO.

La regno
Dezirante vejnon el oro, bienisto vendis sian teron kaj foriris en la mondon, serĉante la sorĉitan minejon.
Li vojaĝis tra pluraj landoj,
Uzis pioĉon kaj vundis la manojn,
Elreviĝis,
Spertis amarecon,
Suferis, ploris, sin turmetis.
Vojaĝis kaj vojaĝis…
Li grizhara kaj malsana en fremda lando, atendante la morton, eksciis, ke en sia malnova bieno estis trovita orminejo, kies riĉo subtenas milojn da laboristoj.
***
Pensu, amiko.
Trezoro El feliĉo ne troviĝas malproksime.
Ĝi lokiĝas en vi Mem.
Sufiĉas klopodi por ĝin trovi.
Tial plurfoje Jesuo diris:
- la regno de la Sinjoro estas interne de vi mem.
Libro: Feliĉaj la Simplaj.
Valérium / Waldo Vieira.
O REINO
Sonhando possuir um filão de ouro, o sitiante vendeu a terra que possuía e saiu pelo mundo à procura do veio encantado.
Peregrinou por várias plagas.
Utilizou a picareta e feriu as mãos.
Sofreu desencantos
Ruminou amarguras.
Padeceu, chorou, torturou-se.
Viajou e viajou...
Encanecido e enfermo, em país diferente, à espera da morte, veio a saber que em sua antiga propriedade preciosa mina de ouro fora encontrada, estendendo riqueza a milhares de mãos.
***
Pense, amigo.
O tesouro da felicidade não reside a distância.
Rebrilha em você mesmo.
Basta fazer esforço, para saber encontrá-lo.
Por isso é que Jesus disse repetidamente: - O reino do Senhor está dentro de vós.
Livro: Bem-Aventurados os Simples.
Valérium / Waldo Vieira.

Porĉiama kondamno / Condenação perpétua (2)

“Diligente klopodu, per ĉiuj viaj eblaj rimedoj, por kontraŭbatali, por neniigi la ideon pri eterneco de suferoj; ĝi estas penso blasfema kontraŭ la justeco kaj boneco de Dio kaj fonto plej multe produktanta nekredemon, materialismon kaj indiferentecon, kiuj invadis la popolojn, de post kiam ilia intelekto komencis elvolviĝi. La Spirito, apenaŭ klerigita, eĉ nur ekmalkrudigita, tuj komprenis tiun monstran maljustecon; lia prudento ĝin repuŝas, kaj tamen li malofte ne konfuzas en sama kondamno la punon, kiu lin indignigas, kaj la Dion, al kiu li ĝin atribuas; de tio originis la sennombraj malbonaĵoj, falintaj sur vin kaj kontraŭ kiuj ni venis porti al vi helpon. La tasko, al kiu ni atentigas vin, estos al vi des pli facila, ĉar ĉiuj aŭtoritatuloj, sur kiuj sin apogas la defendantoj de tiu kredo, sin detenis deklari sian formalan opinion; nek la episkopaj kunvenoj, nek la ekleziaj patraj moŝtoj decidis tiun gravan demandon. Se, laŭ la evangeliistoj mem, kaj se oni prenas laŭvorte la emblemajn parolojn de la Kristo, ĉi tiu minacis la kulpulojn per neniam estingiĝanta fajro, per fajro eterna, nenio, aliflanke, en liaj vortoj pruvas, ke Dio ilin por eterne kondamnis.
“Kompatindaj elvojiĝintaj ŝafoj, sciu vidi, ke venas al vi la bona Paŝtisto, kiu, anstataŭ voli forpeli vin por ĉiam de si, venas mem renkonte al vi, por rekonduki vin en la ŝafejon. Erarintaj filoj, forlasu vian memvolan ekzilon; direktu viajn paŝojn al la Patra domo: la Patro aletendas al vi Siajn brakojn kaj estas ĉiam preta festi vian revenon en la familion.” – Lamennais.
Libro: La Libro de la Spiritoj – Allan Kardec.
— Empenhai-vos por todos os meios ao vosso alcance no combate, no aniquilamento da idéia da eternidade das penas, pensamento blasfemo da justiça e da bondade de Deus, a mais fecunda fonte da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as massas, desde que a sua inteligência começou a se desenvolver. O Espírito prestes a se esclarecer ou ainda em vias de o fazer, bem logo compreendeu a monstruosa injustiça. Sua razão a repele e então raramente deixa de confundir numa mesma condenação a pena que o revolta e o Deus a que é atribuída. Disso decorrem os males sem conta que recaíram sobre vós e para os quais vimos trazer o remédio. A tarefa que vos assinalamos será tanto mais fácil quanto as autoridades em que se apóiam os defensores dessa crença evitaram de se pronunciar de modo formal. Nem os Concílios, nem os Pais da Igreja decidiram de maneira absoluta essa grave questão. Se, de acordo com os próprios evangelistas, tomando-se ao pé da letra as suas palavras alegóricas, o Cristo ameaçou os culpados com o fogo que não se extingue, com o fogo eterno, entretanto nada existe nessas palavras que provem tê-los condenado eternamente. Pobres ovelhas desgarradas, sabeis ver que o Bom Pastor se aproxima de vós e que longe de querer banir-vos para sempre da sua presença vem ao vosso encontro, para vos reconduzir ao redil. Filhos pródigos, deixai o vosso exílio voluntário. Voltai para a morada paterna: o pai vos abre os braços e está sempre pronto para festejar vosso retorno à família. - Lamennais.
Livro: O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.

REERGUEI-VOS! – Bezerra de Menezes.

Filhos, reerguei-vos da queda em que, inadvertidamente, vos arrojastes.
Não permaneçais estirados no chão do desespero e da inércia, aguardando que mãos anônimas e abnegadas tomem por vós a decisão que vos compete de prosseguir caminhando com os próprios pés.
Levantai-vos e continuai, vacilantes embora.
Reconsiderai a trajetória e acautelai-vos contra possíveis novas quedas.
Mantende-vos o tempo todo vigilantes e não vos descureis um só instante da armadilha traiçoeira de vossas mazelas.
Apoiai-vos nos encargos que vos cabe cumprir, em relação ao próximo, e não vos concedais excessivo tempo nas necessidades pessoais.
Esquecei-vos, quanto puderdes, nas tarefas do bem.
Se magoastes o coração de alguém, não hesiteis em lhe pedir perdão sucessivas vezes, porquanto, se temos a obrigação de perdoar setenta vezes sete a quem nos ofenda, caso sejamos nós os algozes, peçamos às nossas vitimas um perdão ilimitado através de nossas atitudes de regeneração.
A verdade, não vos esqueçais disto, nunca está do lado de quem acusa e fere.
Humilhados por aqueles que vos conheçam os pontos vulneráveis da personalidade, aprendei a contar com a Compaixão Divina que vos ama como sois e não vos aponta o dedo em riste.
Sobre a Terra, a cavaleiro da situação que examina, não há quem possam censurar ninguém ou atirar a primeira pedra.
Por certo, na jornada que cumprimos, muitos tropeços ainda nos esperam, todavia não nos seja isto pretexto para contemporizarmos com o mal ou exercermos excessiva tolerância em causa própria, nos equívocos que perpetramos.
Filhos, que o Senhor vos abençoe e vos fortaleça.
Não olvideis que, se os homens são faltos de misericórdia para com os seus irmãos em Humanidade, Deus não se nega ao perdão a nenhum de seus filhos, mas concede sempre aos que se revelam mais débeis dentre eles a bênção do recomeço no clima da lição.
Livro: Coragem da Fé.
Bezerra de Menezes / Carlos A. Baccelli.