sábado, 27 de julho de 2013

NO PLANO CARNAL

Isolado na concha milagrosa do corpo, o espírito está reduzido em suas percepções a limites que se fazem necessários.
A esfera sensorial funciona, para ele, à maneira de câmara abafadora.
Visão, audição, tato, padecem enormes restrições.
O cérebro físico é um gabinete escuro, proporcionando-lhe ensejo de recapitular e reaprender.
Conhecimentos adquiridos e hábitos profundamente arraigados nos séculos aí jazem na forma estática de intuições e tendências.
Forças inexploradas e infinitos recursos nele dormem, aguardando a alavanca da vontade para se externarem no rumo da superconsciência.
No templo miraculoso da carne, em que as células são tijolos vivos na construção da forma, nossa alma permanece provisoriamente encerrada, em temporário olvido, mas não absoluto, porque, se transporta consigo mais vasto patrimônio de experiência, é torturado por indefiníveis anseios de retorno à espiritualidade superior, demorando-se, enquanto no mundo opaco, em singulares e reiterados desajustes.
Dentro da grade dos sentidos fisiológicos, porém, o espírito recebe gloriosas oportunidades de trabalho no labor de auto-superação.
Sob as constrições naturais do plano físico, é obrigado a lapidar-se por dentro, a consolidar qualidades que o santificam e, sobretudo, a estender-se e a dilatar-se em influência, pavimentando o caminho da própria elevação.
Aprisionado no castelo corpóreo, os sentidos são exíguas frestas de luz, possibilitando-lhe observações convenientemente dosadas, a fim de que valorize, no máximo, os seus recursos no espaço e no tempo.
Na existência carnal, encontra multiplicados meios de exercício e luta para a aquisição e fixação dos dons de que necessita para respirar em mais altos climas.
Pela necessidade, o verme se arrasta das profundezas para a luz.
Pela necessidade, a abelha se transporta a enormes distâncias, à procura de flores que lhe garantam o fabrico do mel.
Assim também, pela necessidade de sublimação, o espírito atravessa extensos túneis de sombra, na Terra, de modo a estender os poderes que lhe são peculiares.
Sofrendo limitações, improvisa novos meios para a subida aos cimos da luz, marcando a própria senda com sinais de uma compreensão mais nobre do quadro em que sonha e se agita.
Torturado pela sede de Infinito, cresce com a dor que o repreende e com o trabalho que o santifica.
As faculdades sensoriais são insignificantes résteas de claridade descerrando-lhe leves notícias do prodigioso reino da luz.
E quando sabe utilizar as sombras do palácio corporal que o aprisiona temporariamente, no desenvolvimento de suas faculdades divinas, meditando e agindo no bem, pouco a pouco tece as asas de amor e sabedoria com que, mais tarde, desferirá venturosamente os vôos sublimes e supremos, na direção da Eternidade.
Livro: Roteiro.
Emmanuel / Chico Xavier.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Spiritismo kaj Spiritualismo. / ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO

 
I – Spiritismo kaj Spiritualismo.
 Por ke nenia konfuzo naskiĝu el la multobla senco de identaj terminoj, la klareco postulas, ke novaj aferoj estu esprimataj per novaj vortoj.
La vortoj spirita, spiritualisto, spiritualismo, spiritualista, spiritualisma havas precize difinitan signifon; atribui al ili novan signifon, celante ilin apliki al la doktrino de la Spiritoj, estus pliigi la jam tiel multnombrajn kaŭzojn de dubasenceco. Efektive, spiritualismo estas la malo de materialismo; kiu kredas, ke li havas en si ion krom materio, tiu estas spiritualisto; sed el tio NE sekvas, ke li kredas la ekziston de Spiritoj kaj ties komunikadon kun la videbla mondo. Anstataŭ la vortoj SPIRITA kaj SPIRITUALISMO, ni uzas, por nomi ĉi tiun kredon, la vortojn spiritista, spiritisto, spiritisma kaj spiritismo, kies formo memorigas ties originon kaj radiksencon; tio havas la utilon, ke ili estas perfekte kompreneblaj; kaj, aliflanke, la vorto spiritualismo konservas sian propran kaj ĝustan signifon.
Ni do diras, ke la spiritisma doktrino, aŭ Spiritismo, havas kiel principon la rilatojn inter la materia mondo kaj la Spiritoj aŭ estuloj de la nevidebla mondo. La adeptoj de Spiritismo estas spiritistoj.
La Libro de la Spiritoj enhavas, speciale, la spiritisman doktrinon, kiu sin ligas al la ĝenerala spiritualisma doktrino, kies unu el la eroj ĝi estas. Jen la motivo, kial ni skribas sur la supra parto de la unua paĝo la vortojn Spiritualisma Filozofio.
Libro: La Libro de la Spiritoj – Allan Kardec.
I - ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO
Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos. 
As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo têm uma significação bem definida; dar-lhes outra, para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos, seria multiplicar as causas já tão numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo; quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa além da matéria é espiritualista; mas não se segue daí que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em lugar das palavras espiritual e espiritualismo empregaremos, para designar esta última crença, as palavras espírita e espiritismo, nas quais a forma lembra a origem e o sentido radical e que por isso mesmo têm a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando para espiritualismo a sua significação própria.
Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas.
Como especialidade o Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade liga-se ao Espiritualismo, do qual representa uma das fases. Essa a razão porque traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista.
Livro: O Livro dos Espíritos – Allan Kardec. (Tradução de Jose Herculano Pires).

Libroj por elŝutoj 3


Cada hora


Reunião pública de 27/11/59
Faze de cada hora – um poema de amor.
Renúncia vazia – terra seca.
Oração sem serviço – candeia apagada.
Alegria sem trabalho – flor sem proveito.
Cultura sem caridade – árvore estéril.
Sermão sem exemplo – trovoada sem chuva.
Tribuna sem suor – esquife sonoro.
Inteligência trancada – luz no deserto.
Vida sem ação – enterro lento.
Filosofia sem bondade – conversa vã.
Talento oculto – fonte escondida.
Fé parada – vaso inútil.
Virtude sem movimento – ninho morto.
Lição sem obras – museu de idéias.
Repara os recursos de que dispões:
pensamento nobre;
conhecimento superior;
raciocínio pronto;
diretrizes claras;
ouvidos percucientes;
olhos iluminados;
verbo fácil;
movimentos livres;
mãos seguras;
pés hábeis.Não te afeiçoes a mortificações improfícuas. Cada criatura, onde passa, deixa o próprio reflexo.
Só a inércia vagueia no mundo como sombra na sombra.
Tu, porém, deves caminhar, à feição do raio solar, dissipando as trevas.
Cada hora, podes fazer a dor menos amarga.
Cada hora, podes fazer a luta mais construtiva.
Imensos são os males do mundo – não os agraves com o desespero.
Enormes são as mágoas dos outros – não as multipliques com o fel da reprovação.
Onde estiveres, restaura, conserta, alivia, ampara e desculpa...
Em qualquer circunstância, recorda o Cristo, que passou entre os homens entendendo e ajudando...
E ainda mesmo quando se viu condenado sem culpa, pelos mesmos homens aos quais servia, partiu para a morte, perdoando e amando...
Torturado na cruz, mas de braços abertos.
Livro: Religião dos Espíritos.
Emmanuel / Chico Xavier.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
Privações voluntárias. Mortificações
721. É meritória, de qualquer ponto de vista, a vida de mortificações ascéticas que desde a mais remota antigüidade teve praticantes no seio de diversos povos?
Procurai saber a quem ela aproveita e tereis a resposta. Se somente serve para quem a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de colori-la. Privar-se a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã.

O HOMEM ANTE A VIDA

No crepúsculo da civilização em que rumamos para a alvorada de novos milênios, o homem que amadureceu o raciocínio supera as fronteiras da inteligência comum e acorda, dentro de si mesmo, com interrogativas que lhe incendeiam o coração.
Quem somos?
Donde viemos?
Onde a estação de nossos destinos?
À margem da senda em que jornadeia, surgem os escuros estilhaços dos ídolos mentirosos que adorou e, enquanto sensações de cansaço lhe assomam à alma enfermiça, o anseio da vida superior lhe agita os recessos do seu, qual braseiro vivo do ideal, sob a espessa camada de cinzas do desencanto.
Recorre à sabedoria e examina o microcosmo em que sonha.
Reconhece a estreiteza do círculo em que respira.
Observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico em que se desenvolve.
Descobre que o Sol, sustentáculo de sua apagada residência planetária, tem um volume de 1.300.000 vezes maior que o dela.
Aprende que a Lua, insignificante satélite do seu domicílio, dista mais de 380.000 quilômetros do mundo que lhe serve de berço.
Os Planetas vizinhos evolucionam muito longe, no espaço imenso.
Dentre eles, destaca-se Marte, distante de nós cerca de 56.000.000 de quilômetros na época de sua maior aproximação.
Alongando as perquirições, além do nosso Sol, analisa outros centros de vida. Sírius ofusca-lhe a grandeza.
Pólux, a imponente estrela do Gêmea, eclipsa-o em majestade.
Capela é 5.800 vezes maior.
Antares apresenta volume superior.
Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao do Sol. 
Deslumbrado, apercebe-se de que não existe vácuo, de que a vida é patrimônio de gota dágua, tanto quanto é a essência dos incomensuráveis sistemas siderais, e, assombrado ante o esplendor do Universo, o homem que empreende a laboriosa tarefa do descobrimento de si mesmo volta-se para o chão a que se imanta e pede ao amor que responda à soberania cósmica, dentro da mesma nota de grandeza, todavia, o amor no ambiente em que ele vive é ainda qual milagrosa em tenro desabrochar.
Confinado ao reduzido agrupamento consangüínea a que se ajusta ou compondo a equipe de interesses passageiros a que provisoriamente se enquadra, sofre a inquietação do ciúme, da cobiça, do egoísmo, da dor. Não sabe dar sem receber, não consegue ajudar sem reclamar e, criando o choque da exigência pra os outros, recolhe dos outros os choques sempre renovados da incompreensão e da discórdia, com raras possibilidades de auxiliar e auxiliar-se.
Viu a Majestade Divina nos Céus e identifica em si mesmo a pobreza infinita da Terra.
Tem o cérebro inflamado de glória e o coração invadido de sombra.
Orgulha-se, ante os espetáculos magnificentes do Alto e padece a miséria de baixo.
Deseja comunicar aos outros quanto apreendeu e sentiu na contemplação da vida ilimitada, mas não encontra ouvidos que o entendam.
Repara que o Amor, na Terra, é ainda a alegria dos oásis fechados.
E, partindo os elos que o prendem à estreita família do mundo, o homem que desperta, para a grandeza da Criação, perambula na Terra, à maneira do viajante incompreendido e desajustado, peregrino sem pátria e sem lar, a sentir-se grão infinitesimal de poeira nos Domínios Celestiais.
Nesse homem, porém, alarga-se a acústica da alma e, embora os sofrimentos que o afligem, é sobre ele que as Inteligências Superiores estão edificando os fundamentos espirituais de Nossa Humanidade.
Livro: Roteiro.
Emmanuel / Chico Xavier.

Livros para baixar - 8


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Meditemos

Reunião pública de 14/9/59
Revelando avançada paranóia, pela hipertrofia do orgulho ante as conquistas da civilização atual, há quem pretenda banir a idéia de Deus do pensamento humano, encastelando-se na demência disfarçada de grandeza.
No torvo cometimento, situam-se todos os mentores do ateísmo histórico e prático, notadamente entre os povos-polvos, sequiosos de hegemonia e influência.
Todavia, quantos se consagram a semelhante monstruosidade do raciocínio esquecem-se de que apenas há quatro lustros as nações mais cultas do Globo se empenharam em pavorosa carnificina.
No prélio terrível, salientavam-se os países superalfabetizados do mundo... Bastaram, porém, simplesmente alguns meses de luta para que se rebaixassem à condição de feras, fazendo renhir as garras sanguissedentas e fulminando as aquisições do espírito, com o objetivo de aniquilar a soberania da razão.
Quanto acontece agora, dispunham todos eles de tratados que lhes salvaguardavam as instituições livres...
Isso, no entanto, não impediu esquecessem os compromissos internacionais, arrasando cidades abertas e incendiando vilarejos pacíficos.
Enfileiravam largas bibliotecas de ciências sociais, em louvor da dignidade humana, mas caíram como chacais sobre mulheres e crianças indefesas, cruentando populações inermes.
Contavam com alevantado progresso da navegação marítima e com elevados princípios a lhes nortearem os movimentos, mas converteram os oceanos em teatros de pirataria e de sangue.
Possuíam as mais nobres invenções, quais o avião e o rádio, o cinema e a grande imprensa, inclusive o domínio iniciante da energia nuclear; contudo, mobilizaram todos esses recursos no assalto a lares e hospitais, escolas e templos.
Nos campos reservados à concentração de prisioneiros, o envenenamento e o suplício da fome, a bestialidade e o assassínio foram considerados atos legais.
Do sinistro balanço constaram milhões de cadáveres, milhões de mutilados, milhões de órfãos, milhões de feridos, milhões de desajustados...
Não valeram descobertas da indústria, avanços da ciência, alturas filosóficas, ajustes políticos ou exaltações das letras.
Tudo desceu às trevas da carnagem.
É que, quando a ambição se desregra entre os homens, cresce a força da injustiça, e, quando a injustiça se erige como poder supremo na face da Terra, habitualmente aparece o esquecimento de Deus, no âmago das elites. E, com o esquecimento do Criador, desentendem-se as criaturas, gerando conflito e destruição.
Entregue ao livre-arbítrio, nos recessos da própria alma, pode o homem olvidar a Paternidade Divina e escarnecer a idéia religiosa que lhe traça roteiro moral, mas tomba nos arrastamentos da irresponsabilidade e da delinqüência; pode, com ingratidão e crueldade, pregar à vida o desrespeito a Deus, mas a vida lhe responde com as trevas do caos.
Livro: Religião dos Espíritos.
Emmanuel / Chico Xavier.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
Provas da Existência de Deus
4. Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?
— Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e vossa razão vos responderá.
Comentário de Kardec: Para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da criação. O universo existe; ele tem, portanto, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.