quarta-feira, 12 de novembro de 2014

POR QUE ERROS? – Miramez.

0430/LE
Certamente que há alguns sonâmbulos que erram nas suas previsões e visões; nem tudo que falam sucede. Já dissemos em mensagem anterior sobre a escala dos sonâmbulos, proporcional à evolução. Não existem os sábios e os pseudo-sábios? Em quase tudo existe a verdade e a mentira, dependendo do grau de evolução de quem se encontra mostrando a verdade. Na mediunidade ocorre a mesma coisa; todos são médiuns, isso nos falam as leis naturais; todas as criaturas são possuidoras de todos os dons, mas nem todos estão despertos para o exercício mediúnico. Depende ainda do uso que se faz dos dons ao seu dispor. Para quem não tem responsabilidade, tanto faz mentir como falar a verdade, o Espírito, mesmo cativo, sente-se livre dos compromissos, mas responderá pelo que falar nas linhas dos desajustes espirituais. No fim, é errando e acertando que chegamos à grande verdade.
O sonâmbulo apurado, que tem sua consciência limpa de todos os males, ou de quase todos, as suas previsões são verdadeiras em todos os sentidos da vida. Vejamos o Apocalipse: João entrava em um sonambulismo perfeito, em êxtase e escreveu o que via. Nos dias de hoje, se assim acontecesse, seria um médium sonambúlico que transmitia corretamente o que via no grande livro etérico da criação. Podemos ainda tomar como exemplo os grandes Espíritos do passado que, em estado de sonambulismo profundo falaram e escreveram coisas que estão se passando hoje, e que tudo indica irão se cumprir amanhã.
Aos Espíritos imperfeitos não são dadas todas as coisas; sua ação, mesmo no sonambulismo, é limitada, por lhes faltar responsabilidade firme no dever honesto. Assim como é necessário o cascalho para guardar o diamante, é indispensável o falso, para reconhecermos o verdadeiro e termos mais cuidado na seleção dos assuntos que ouvimos e que vemos nos nossos caminhos de evolução.
Ao espírita é pedido mais, porque lhe está sendo dado muito; não deves alimentar ilusões, trabalhando dentro de si, eliminando as paixões inferiores que impedem o desabrochamento dos valores do coração; que não se acomode com a situação, deixando-se ser impelido somente pelos instintos. Sendo dotado da razão, deve cultivar esse dom para sua iluminação interna e preparar-se para o amanhã, que promete e trará um dom mais aperfeiçoado, que se chama intuição. Que não perca a oportunidade do esforço próprio, da conscientização da vida e dos seus valores espirituais. Deve competir com os que já estão se libertando das peias inferiores do ódio, da maledicência e do orgulho e de tantas outras inferioridades que possam entravar o despertamento dos dons de ouro do seu coração. Se quiser subir, haverá de fazer força e sacrifícios, de degrau a degrau. Deve saber que não somente os sonâmbulos se enganam nas revelações. Os próprios cientistas de todo o mundo, de vez em quando fazem retificações naquilo que falaram, escreveram e praticaram por muitos anos. As religiões e filosofias não escapam ao tempo e ao progresso; assim o engano no mundo em que habita é norma do processo de evolução espiritual. Não obstante, em tudo que fizer, que se lembre primeiro da sinceridade, para que a verdade possa acompanhá-lo em todos os instantes, e mesmo que não possa falar toda a verdade, é bom que viva com ela, para que algum dia possa dizer: “Eu sou a verdade”, como dizia Jesus.
Livro: Filosofia Espírita – Volume IX
Miramez / João Nunes Maia.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
430. Pois que a sua clarividência é a de sua alma ou de seu Espírito, por que é que o sonâmbulo não vê tudo e tantas vezes se engana?
Primeiramente, aos Espíritos imperfeitos não é dado verem tudo e tudo saberem. Não ignoras que ainda partilham dos vossos erros e prejuízos. Depois, quando unidos à matéria, não gozam de todas as suas faculdades de Espírito. Deus outorgou ao homem a faculdade sonambúlica para fim útil e sério, não para que se informe do que não deva saber. Eis por que os sonâmbulos nem tudo podem dizer.

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