quinta-feira, 31 de março de 2016

Allan Kardec- Biografia

1804 - 1869
O pseudônimo "Allan Kardec", segundo biografias, foi adotado pelo Prof. Rivail a fim de diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. Segundo algumas fontes, o pseudônimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que então o Codificador se chamava "Allan Kardec".
No 4º Congresso Mundial em Paris (2004), o médium brasileiro Divaldo Pereira Franco psicografou uma mensagem atribuída ao espírito de León Denis em francês (invertida) declarando que Allan Kardec fora a reencarnação de Jan Hus, um reformador religioso do século XV.
Esta informação já foi dada em diversas fontes diferentes, o que está de acordo com o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, que Kardec definiu da seguinte forma: "uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos - a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares."
Biografia - A juventude e a atividade pedagógica
Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.
Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdon-les-Bains, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados, criando cursos gratuitos para os mesmos. Aos dezoito, bacharelou-se em Ciências e Letras.
Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração. Conhecia a fundo os idiomas francês, alemão, inglês e holandês, além de dominar perfeitamente os idiomas italiano e espanhol
Era membro de diversas sociedades, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema "Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?".
A 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet. Em 1824, retornou a Paris e publicou um plano para aperfeiçoamento do ensino público. Após o ano de 1834, passou a lecionar, publicando diversas obras sobre educação, e tornou-se membro da Real Academia de Ciências Naturais.
Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.
As matérias que lecionou como pedagogo são: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês.
Das mesas girantes à Codificação
Conforme o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das "mesas girantes", bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas, quando começou a frequentar reuniões em que tais fenômenos se produziam.
Durante este período, também tomou conhecimento do fenômeno da escrita mediúnica - ou psicografia, e assim passou a se comunicar com os espíritos. Um desses espíritos, conhecido como um "espírito familiar", passa a orientar os seus trabalhos. Mais tarde, este espírito iria lhe informar que já o conhecia no tempo das Gálias, com o nome de Allan Kardec. Assim, Rivail passa a adotar este pseudônimo, sob o qual publicou as obras que sintetizam as leis da Doutrina Espírita.
Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à intervenção de espíritos, Kardec dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científico, filosófico e moral, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do Homem.
Tendo iniciado a publicação das obras da Codificação em 18 de abril de 1857, quando veio à luz O Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo, após o lançamento da Revista Espírita (1 de janeiro de 1858), fundou, nesse mesmo ano, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Os últimos anos
Em seu sepultamento, o astrônomo francês e amigo pessoal de Kardec, Camille Flammarion, proferiu o seguinte discurso, ressaltando a sua admiração por aquele que ali baixava ao túmulo:
“Voltaste a esse mundo donde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrestres. Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra… Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse mesmo último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor e no céu imenso onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, onde continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado. (…) Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!” - Camille Flammarion
Sobre Kardec, Gabriel Delanne escreveu:
“Substituindo a fé cega numa vida futura, pela inquebrantável certeza, resultante de constatações científicas, tal é o inestimável serviço prestado por Allan Kardec à humanidade.”
Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpatizantes, e defendê-lo dos opositores. Faleceu em Paris, a 31 de março de 1869, aos 64 anos (65 anos incompletos) de idade, em decorrência da ruptura de um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho. Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole da capital francesa. Junto ao túmulo, erguido como os dólmens druídicos, Acima de sua tumba, seu lema: "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", em francês.
Obras didáticas
Contracapa da versão de 1860 d'O Livro dos Espíritos, a principal obra publicada por Kardec.
O professor Rivail escreveu diversos livros pedagógicos, dentre os quais destacam-se:
1824 - Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso dos professores e mães de família, com modificações - 2 tomos
1828 - Plano proposto para melhoramento da Instrução Pública
1831 - Gramática Francesa Clássica
1831 - Qual o sistema de estudo mais consentâneo com as necessidades da época?.
1846 - Manual dos exames para os títulos de capacidade: soluções racionais de questões e problemas de Aritmética e de Geometria
1848 - Catecismo gramatical da Língua Francesa
1849 - Programa dos Cursos ordinários de Química, Física, Astronomia, Fisiologia
1849 - Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona
1849 - Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas
Diplomas obtidos
Lista dos principais diplomas obtidos por Denizard Rivail durante a sua carreira de professor e diretor de colégio:
Diploma de fundador da Sociedade de Previdência dos Diretores de Colégios e Internatos de Paris - 1829
Diploama da Socidedade para a Instrução Elementar - 1847. Secretário geral: H. Carnot.
Diploma do Instituto de Línguas, fundado em 1837. Presidente: Conde Le Peletier-Jaunay.
Diploma da Sociedade de Educação Nacional, constituída pelos diretores de Colégios e de Internatos da França - 1835. Presidente: Geoffroy de Saint-Hilaire.
Diploma da Sociedade Gramatical, fundada em Paris em 1807, por Urbain Domergue - 1829.
Diploma da Sociedade de Emulação e de Agricultura do Departamento do Ain - 1828 (Rivail fora designado para expor e apresentar em França o método de Pestalozzi).
Diploma do Instituto Histórico, fundado em 24 de Dezembro de 1833 e organizado a 6 de Abril de 1834. Presidente: Michaud, membro da academia francesa.
Diploma da Sociedade Francesa de Estatística Universal, fundada em Paris, em 22 de Novembro de 1820, por César Moreau.
Diploma da Sociedade de Incentivo à Indústria Nacional, fundada por Jomard, membro do Instituto.
Medalha de ouro, 1º prêmio, conferida pela Sociedade Real de Arrás, no concurso realizado em 1831, sobre educação e ensino.
Obras espíritas
As cinco obras fundamentais que versam sobre o Espiritismo, sob o pseudônimo Allan Kardec, são:
O Livro dos Espíritos, Princípios da Doutrina Espírita, publicado em 18 de abril de 1857;
O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, em janeiro de 1861;
O Evangelho segundo o Espiritismo, em abril de 1864;
O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, em agosto de 1865;
A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo, em janeiro de 1868.
Além delas, como Kardec, publicou mais cinco obras complementares:
Revista Espírita (periódico de estudos psicológicos), publicada mensalmente de 1 de janeiro de 1858 a 1869;
O que é o Espiritismo (resumo sob a forma de perguntas e respostas), em 1859;
Instrução prática sobre as manifestações espíritas (substituída pelo Livro dos Médiuns; publicada no Brasil pela editora O Pensamento)
O Espiritismo em sua expressão mais simples, em 1862;
Viagem Espírita de 1862 (publicada no Brasil pela editora O Clarim).
Após o seu falecimento, viria à luz:
Obras Póstumas, em 1890.
Outras obras menos conhecidas foram também publicadas no Brasil:
O principiante espírita (pela editora O Pensamento)
A Obsessão (pela editora O Clarim)
Citações
"A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação."
Allan Kardec.
"Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios.
Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas."
"(…)o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor. O Espiritismo, alargando o círculo da família pela pluralidade das existências, estabelece entre os homens uma fraternidade mais racional do que aquela que não tem por base senão os frágeis laços da matéria, porque esses laços são perecíveis, ao passo que os do Espírito são eternos.
Esses laços, uma vez bem compreendidos, influirão pela força das coisas, sobre as relações sociais, e mais tarde sobre a Legislação social, que tomará por base as leis imutáveis do amor e da caridade; então ver-se-á desaparecerem essa anomalias que chocam os homens de bom senso, como as leis da Idade Média chocam os homens de hoje…
Notas
Diz-se codificador pois o seu trabalho foi o de reunir, compilar e sistematizar textos recebidos por diversos médiuns naquela época.
Referências
PENSE - Allan Kardec
Esboço biográfico e curiosidades
Mensagem através da psicografia da médium Ermance Dufaux (uma das médiuns de Kardec) em 1857. Esta mensagem foi encontrada na livraria Leymarie, na França, por Canuto de Abreu. Esta informação consta no livro A missão de Allan Kardec, de Carlos Imbassahy.
Holocausto Pela Verdade, palestra de Divaldo Pereira Franco (em DVD).
Os Luminares Tchecos", obra da médium Wera Krijanowskaia, pelo espírito de J.W. Rochester.
João Huss na História do Espiritismo, artigo de Wallace Leal V. Rodrigues, publicado no Anuário Espírita de 1973 (órgão do Instituto de Difusão Espírita (IDE), Ano X, N º 10, Araras, SP, pág. 75 –85).
Allan Kardec. Revista Espírita - Abril de 1864 e em O Evangelho segundo o Espiritismo, introdução, item II.
Textos - Allan Kardec
Encyclopædia Britannica, 1997. Vol.8. p.390.
Algumas fontes não confirmadas dizem que Allan Kardec teria sido médico. Pesquisas posteriores, no entanto demonstraram que ele foi professor de Anatomia. Retirado do rodapé desta página da FEB:
SOARES, p. 13.
Dados pessoais
KARDEC, Allan. Obras Póstumas (14a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1975. p. 30
Carta de Delanne publicada na Revista Espírita em 1907. Gabriel Delanne - sua vida, seu apostolado e sua obra (.doc). Paul Bodier e Henri Regnault. Página visitada em 03/04/2010.
SOARES, p. 14.
SOARES, p. 13
O Céu e o Inferno, Primeira Parte, cap. 2
A Gênese, Capítulo I, item 14
Revista Espírita 1861, pág. 297-298
Bibliografia
ABREU FILHO, Júlio. Biografia de Allan Kardec. in: O Principiante Espírita. São Paulo: O Pensamento, 1956. p. 7-30.
CARNEIRO, Victor Ribas. ABC do Espiritismo (5a. ed.). Curitiba (PR): Federação Espírita do Paraná, 1996. 223p. ISBN 85-7365-001-X p. 47-51.
INCONTRI, Dora. Para Entender Allan Kardec. São Paulo: Lachâtre, 2004.
INCONTRI, Dora. Pedagogia Espírita, um Projeto Brasileiro e suas Raízes. Bragança Paulista (SP): Comenius, 2004.
JORGE, José. Allan Kardec no pensamento de Léon Denis. Rio de Janeiro: Centro Espírita Léon Denis/Departamento Editorial, 1978. 48p.
S.A.. Revista Espírita, maio de 1869. in: KARDEC, Allan. Obras Póstumas (14a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1975.
SAUSSE, Henri. Biografia de Allan Kardec. in: O que é o espiritismo (38a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1997. ISBN 8573281138 p. 9-48
SOARES, Sylvio Brito. Grandes Vultos da Humanidade e o Espiritismo. 1ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1961.
WANTUIL, Zêus, THIESEN, Francisco . Allan Kardec – o Educador e o Codificador. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

Espiritismo


"O Espiritismo será, indiscutilmente, a força do Cristianismo em ação para reerguer a alma humana e sublimar a vida."
Livro: Roteiro.
Emmanuel / Chico Xavier.


"0 espiritismo é acima de tudo, processo libertador das consciências, a fim de que a visão do homem alcance horizontes mais alto."
Livro: Palavras de Emmanuel
Emmanuel / Chico Xavier.

Espiritismo e Espiritualismo / Spiritismo kaj Spiritualismo.

Espiritismo e Espiritualismo
Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo têm uma significação bem definida; dar-lhes outra, para aplica-las à Doutrina dos Espíritos, seria multiplicar as causas já tão numerosas da anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo; quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa além da matéria é espiritualista; mas não se segue dai que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.
Em lugar das palavras: espiritual e espiritualismo, empregaremos, para designar esta última crença, as palavras espírita e espiritismo, nas quais a forma lembra a origem e o sentido radical e que por isso mesmo têm a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando para espiritualismo a sua significação própria. Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas.
Como especialidade O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade liga-se ao Espiritualismo, do qual apresenta uma das fases. Essa a razão por que traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista.
Livro: O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
Spiritismo kaj Spiritualismo.
Por ke nenia konfuzo naskiĝu el la multobla senco de identaj terminoj, la klareco postulas, ke novaj aferoj estu esprimataj per novaj vortoj. La vortoj spirita, spiritualisto, spiritualismo, spiritualista, spiritualisma havas precize difinitan signifon; atribui al ili novan signifon, celante ilin apliki al la doktrino de la Spiritoj, estus pliigi la jam tiel multnombrajn kaŭzojn de dubasenceco. Efektive, spiritualismo estas la malo de materialismo; kiu kredas, ke li havas en si ion krom materio, tiu estas spiritualisto; sed el tio ne sekvas, ke li kredas la ekziston de Spiritoj kaj ties komunikadon kun la videbla mondo. Anstataŭ la vortoj SPIRITA kaj SPIRITUALISMO, ni uzas, por nomi ĉi tiun kredon, la vortojn spiritista, spiritisto, spiritisma kaj spiritismo, kies formo memorigas ties originon kaj radiksencon; tio havas la utilon, ke ili estas perfekte kompreneblaj; kaj, aliflanke, la vorto spiritualismo konservas sian propran kaj ĝustan signifon.
Ni do diras, ke la spiritisma doktrino, aŭ Spiritismo, havas kiel principon la rilatojn inter la materia mondo kaj la Spiritoj aŭ estuloj de la nevidebla mondo. La adeptoj de Spiritismo estas spiritistoj.
La Libro de la Spiritoj enhavas, speciale, la spiritisman doktrinon, kiu sin ligas al la ĝenerala spiritualisma doktrino, kies unu el la eroj ĝi estas. Jen la motivo, kial ni skribas sur la supra parto de la unua paĝo la vortojn Spiritualisma Filozofio.
Libro: La Libro de la Spiritoj – Allan Kardec.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Prece pelos doentes

Nós vos suplicamos, Senhor, lançardes um olhar de compaixão sobre os sofrimentos de F... dignando-vos fazê-los cessar, se estiver isso em vossos desígnios.
Bons Espíritos, ministros do Todo Poderoso, auxiliai-nos no desejo que temos de o aliviar; encaminhai o nosso pensamento a fim de que vá derramar um bálsamo salutar em seu corpo e a consolação em sua alma.
Inspirai-lhe a paciência e a submissão à vontade de Deus; dai-lhe a força precisa para suportar as dores com resignação cristã, a fim de não perder o fruto que possa alcançar desta provação.
Livro: Preces Espíritas – Cairbar Chutel.

Porĉiama kondamno / Condenação perpétua (1)

1009. Ĉu do suferoj neniam estas ordonataj por eterne?
“Konsultu vian simplan saĝon, vian prudenton, kaj  demandu vin mem, ĉu porĉiama kondamno pro kelkaj momentoj da eraro ne estus la neado de l’ boneco de Dio. Kio, efektive, estas la daŭro de l’ vivo, eĉ se centjara, kompare kun la eterneco? Eterneco! ĉu vi bone komprenas ĉi tiun vorton? Suferoj, senfinaj, senesperaj turmentoj, pro kelkaj eraroj! Ĉu vi prudento ne forpuŝas tian penson? Ke la antikvuloj vidis en la Sinjoro de l’ universo teruran, ĵaluzan, venĝeman Dion, oni konceptas; en sia neklereco, ili asignis al Dio la homajn pasiojn; sed tia ne estas la Dio de la kristanoj, Dio, kiu lokas amon, karitaton, korpardonon, forgeson de l’ ofendoj en la vicon de la unuaj virtoj: ĉu Dio mem povus ne havi la kvalitojn, kiujn Li faras devo de la homoj? Ĉu oni sin mem ne kontraŭdiras, asignante al Li senfinan bonecon kaj senliman venĝemon? Vi diras, ke Li, antaŭ ĉio, estas justa, kaj ke la homo ne komprenas Lian justecon; sed justeco ne forpuŝas bonecon, kaj Dio ne estus bona, se Li kondamnus al teruraj eternaj suferoj la plimulton de Siaj kreitoj. Ĉu Li povus devigi Siajn idojn praktiki justecon, se Li ne estus doninta al ili la rimedojn por ĝia kompreno? Cetere, ĉu la superbeleco de l’ justeco, ligita kun la boneco, ne kuŝas en tio, ke la daŭro de suferoj dependas de la penoj, kiujn kulpulo faras por sia pliboniĝo? Tie kuŝas la vereco de jenaj vortoj: Kia ago, tia pago.” - Sankta Aŭgusteno.
         Libro: La Libro de la Spiritoj – Allan Kardec.
1009. Segundo isso, as penas impostas jamais seriam eternas?
Consultai o vosso bom senso, a vossa razão e perguntai se uma condenação perpétua, em conseqüência de alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus. Que é, com efeito, a duracão da vida, mesmo que fosse de cem anos, em relação à eternidade? Eternidade! Compreendeis bem essa palavra? Sofrimento, tortura sem fim e sem esperança, apenas por algumas faltas! Não repugna ao vosso próprio critério semelhante pensamento? Que os antigos tivessem visto no Senhor do Universo um Deus terrível, invejoso e vingativo, compreende-se; na sua ignorância emprestaram à divindade as paixões dos homens. Mas não é esse o Deus dos cristãos, que coloca o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas no plano das primeiras virtudes: poderia ele mesmo não ter as qualidades que exige como um dever? Não há contradição em se lhe atribuir a bondade infinita e a vingança infinita? Dizeis que antes de tudo ele é justo e que o homem não compreende sua justiça. Mas a justiça não exclui a bondade e Deus não seria bom se destinasse às penas horríveis e perpétuas a maioria de suas criaturas. Poderia fazer da justiça uma obrigação para seus filhos, se não lhes desse os meios de a compreender? Aliás, não é sublime a justiça unida à bondade, que faz a duração das penas depender dos esforços do culpado para se melhorar? Nisto se encontra a verdade do preceito: "A cada um segundo a suas obras". - Santo Agostinho.
Livro: O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.

terça-feira, 29 de março de 2016

Um Quarto de Hora – Meimei.

Quando tiveres um quarto de hora à disposição, reflete nos benefícios que podes espalhar.
Recorda o diálogo afetivo com que refaças o bom-ânimo de algum familiar, dentro da própria casa; das palavras de paz e amor que o amigo enfermo espera de tua presença; de auxiliar em alguma tarefa que te aguarde o esforço para a limpeza ou o reconforto do próprio lar; da conversação edificante com uma criança desprotegida que te conduzirá para a frente as sugestões de boa vontade; de estender algum adubo à essa ou aquela planta que se te faz útil; e do encontro amistoso, em que a tua opinião generosa consiga favorecer a solução do problema de alguém.
Quinze minutos sem compromisso são quinze opções na construção do bem.
Não nos esqueçamos de que a floresta se levantou de sementes quase invisíveis, de que o rio se forma das fontes pequeninas e de que a luz do Céu, em nós mesmos, começa de pequeninos raios de amor a se nos irradiarem do coração.
Meimei / Chico Xavier.
Livro: Caridade

segunda-feira, 28 de março de 2016

Anotações de amigo – Emmanuel.

Não te deixes abater, no mundo, ante as provações que atravessas.
Encontras-te na situação mais adequada às realizações que te dizem respeito à vida espiritual.
Permaneces no corpo que mais te favorece as aquisições do campo íntimo.
O clima social em que se instalam as atividades é a paisagem na qual dispões dos melhores recursos de experiência.
Tens contigo os companheiros certos que te auxiliam no aperfeiçoamento a que aspiras.
Dificuldades que te surpreendem são os testes aconselháveis em que te cabe encontrar aproveitamento.
Amigos que te deixam em caminho são afeições que se distanciam transitoriamente para que adquiras segurança.
Conflitos repontando na estreada são valiosas lições para a conquista da paz em ti mesmo.
Prejuízos são apelos à vigilância.
Decepções constituem o preço com que se paga a luz da verdade.
Incompreensões lecionam discernimento.
Solidão é tempo de muda nos mecanismos da alma.
Aceita-te como és e aceita a vida em que deves estar, na condição em que te vês, a fim de que faça em ti o burilamento possível.
***
Seja qual seja o montante das provas, na conta das obrigações que assumiste, levanta-te do chão de qualquer tristeza e faze o bem que puderes, trabalhando e servindo sem reclamar, porque se te achas no uso da razão é que Deus conta contigo para que auxilies a ti mesmo, doando à vida o máximo de tudo aquilo que já possuas de melhor.
Livro: COMPANHEIRO.
Emmanuel / Chico Xavier.

domingo, 27 de março de 2016

Mi kaj la Patro estas Unu / Meu Pai e eu somos Um.

288. – “Mi kaj la Patro estas Unu” (1). Ĉu ni povos ricevi plian sciigon pri tiu aserto de la Kristo?
Tiu aserto vidigis lian perfektan identecon kun Dio, ĉe la direktado de ĉiuj procesoj, rilate la evoluan marŝon de la Tero.
Libro: La Konsolanto.
Emmanuel / Chico Xavier.
288 – “Meu Pai e eu somos Um” – Poderemos receber mais alguns esclarecimentos sobre essa afirmativa do Cristo?
A afirmativa evidenciava a sua perfeita identidade com Deus, na direção de todos os processos atinentes à marcha evolutiva do planeta terrestre.
Livro: O Consolador.
Emmanuel / Chico Xavier.

Dentro de ti - Clayton Levy.

Justo busques a felicidade como ideal de vida.
Entretanto, não a procures apenas fora de ti.
Olha para dentro e descobrirás inúmeros fatores que podem te conduzir à plenitude.
Tua inteligência pode construir;
Tua generosidade pode reerguer;
Tua bondade pode consolar;
Tua tolerância pode apaziguar.
Experimenta vitalizar estas virtudes e encontrarás a felicidade porque, quem já aprendeu a construir, reerguer, consolar e apaziguar, aproxima-se naturalmente de Deus.
E, quem segue com Deus, caminha com a felicidade imperecível.
Livro: Convites de Scheilla.
Clayton Levy.

Tua capacidade - Lourival Lopes.

Ès capaz.
Não sejas como os que não podem ajudar os outros porque “não tem tempo”; não podem ser felizes porque “tem problemas”; não podem ostentar saúde porque “são doentes”; não podem melhorar de vida porque “nasceram para ser pobres”.
Reage às idéias negativas.
Põe em ti um pensar sempre positivo, sempre esperançoso, sempre livre a aberto, e jamais admitas impedimentos criados por ti mesmo.
Tens amplas condições de ação e resolução. Por isso, acredita no que és e organiza-te interiormente.
És pessoa vencedora.
São bem-sucedidas as pessoas que põem ordem em si mesma.
Livro: Sempre Alegre.
Lourival Lopes.

sábado, 26 de março de 2016

Ofero de Jesuo / O sacrifício de Jesus.

286. – Ĉu la ofero de Jesuo devas esti taksata sole nur per la dolora sceno de la Kalvario?
– La Kalvario prezentis la kroniĝon de la agado de la Sinjoro, sed la ofero per ekzemplo okazis en ĉiuj tagoj, kiujn Li pasigis sur la Tero. Kaj, antaŭ ĉio, la kristano devas serĉi sian modelon en la ekzemploj de la Majstro, ĉar la Kristo ame kaj humile instruis la sekreton de la spirita feliĉo, kaj estas nepre necese, ke ĉiuj disĉiploj estigu interne de si tiujn virtojn, per kiuj ili scios supreniri altege super la Kalvario de siaj doloroj, en la ĝusta momento.
Libro: La Konsolanto.
Emmanuel / Chico Xavier.
286 – O sacrifício de Jesus deve ser apreciado tão-somente pela dolorosa expressão do Calvário?
O Calvário representou o coroamento da obra do Senhor, mas o sacrifício na sua exemplificação se verificou em todos os dias da sua passagem pelo planeta. E o cristão deve buscar, antes de tudo, o modelo nos exemplos do Mestre, porque o Cristo ensinou com amor e humildade o segredo da felicidade espiritual, sendo imprescindível que todos os discípulos edifiquem no íntimo essas virtudes, com as quais saberão demonstrar ao calvário de suas dores, no momento oportuno.
Livro: O Consolador.
Emmanuel / Chico Xavier.

Desaparecimento do corpo de Jesus / Malapero de la korpo de Jesuo

Desaparecimento do corpo de Jesus
64. O desaparecimento do corpo de Jesus, após a sua morte, tem sido objeto de inúmeros comentários. Ele é atestado pelos quatro evangelistas, segundo a narrativa das mulheres que foram ao sepulcro no terceiro dia após a crucificação e não o encontraram lá. Alguns viram nesse desaparecimento um fato milagroso, outros presumiram um roubo clandestino.
Segundo uma outra opinião, Jesus não teria tido um corpo carnal, mas apenas um corpo fluídico. Ele não teria sido, durante toda a sua vida, mais que uma aparição tangível, em uma palavra, uma espécie de agênere. O seu nascimento, a sua morte e todos os atos materiais da sua vida teriam sido apenas uma aparência. Foi assim, dizem, que seu corpo, retornando ao estado fluídico, pôde desaparecer do sepulcro, e foi com esse mesmo corpo que ele teria se mostrado depois da sua morte.
Sem dúvida, tal fato não é radicalmente impossível, segundo o que se sabe hoje em dia sobre as propriedades dos fluidos; mas seria, pelo menos, completamente excepcional e estaria em formal oposição com as características dos agêneres (cap. XIV, item 36). A questão, portanto, é saber se uma tal hipótese é admissível, se é confirmada ou contestada pelos fatos.
65. A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro período, desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, em relação à sua mãe, como nas condições normais da vida.
Do seu nascimento até a sua morte, tudo, nos seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunstâncias da sua vida, apresenta as características inequívocas da corporeidade. Os fenômenos de ordem psíquica que se produziram nele são acidentais, e nada têm de anormal, uma vez que se explicam pelas propriedades do perispírito, e ocorrem, em graus diferentes, com outros indivíduos.
Após a sua morte, ao contrário, tudo nele revela o ser fluídico. A diferença entre os dois estados é tão marcante que não é possível com pará-los.
O corpo carnal tem as propriedades inerentes à matéria propriamente dita, e que diferem essencialmente das propriedades dos fluidos etéreos; a desorganização ali se processa pela ruptura da coesão molecular. Um objeto cortante, penetrando no corpo material, divide os seus tecidos; se os órgãos essenciais à vida são atingidos, o seu funcionamento cessa e a morte é a conseqüência, isto é, a morte do corpo. Não existindo essa coesão nos corpos fluídicos, a vida não repousa no funcionamento de órgãos especiais, e nele não se podem produzir desordens análogas. Um instrumento cortante, ou outro qualquer, penetra num corpo fluídico como em um vapor, sem lhe ocasionar qualquer lesão. Eis por que os corpos dessa espécie não podem morrer e por que os seres fluídicos, chamados de agêneres, não podem ser mortos.
Após o suplício de Jesus, seu corpo ficou lá, inerte e sem vida; ele foi sepultado como os corpos comuns e todos puderam vê-lo e tocá-lo. Após a sua ressurreição,
Não falamos do mistério da encarnação, com o qual não vamos nos ocupar aqui, e que será examinado posteriormente. (N.A.) quando quis deixar a Terra, ele não morreu de novo; seu corpo se elevou, desvaneceu e desapareceu, sem deixar qualquer vestígio, prova evidente de que esse corpo era de uma outra natureza, diferente da daquele que pereceu na cruz, de onde se deve concluir que, se Jesus pôde morrer, é porque tinha um corpo carnal.
Em conseqüência das suas propriedades materiais, o corpo carnal é a sede das sensações e das dores físicas que se repercutem no centro sensitivo ou espírito.
Não é o corpo que sofre, é o espírito que recebe o contragolpe das lesões ou alterações dos tecidos orgânicos. Num corpo privado do espírito, a sensação é absolutamente nula; pela mesma razão, o espírito, que não tem corpo material, não pode experimentar os sofrimentos que são o resultado da alteração da matéria, de onde também é forçoso concluir que se Jesus sofreu materialmente, o que não se pode duvidar, é porque tinha um corpo material de uma natureza semelhante a dos corpos de toda a gente.
66. Aos fatos materiais vêm se juntar considerações morais importantíssimas.
Se Jesus houvesse estado, durante sua vida, nas condições dos seres fluídicos, não teria experimentado nem a dor, nem nenhuma das necessidades do corpo.
Supor que tenha sido assim, é tirar-lhe todo o mérito da vida de privações e de sofrimentos que havia escolhido como exemplo de resignação. Se tudo nele fosse aparência, todos os atos da sua vida, o anúncio reiterado da sua morte, a cena dolorosa no Jardim das Oliveiras, sua prece a Deus para afastar o cálice de seus lábios, sua paixão, sua agonia, tudo, até o último brado, no momento de entregar o seu espírito, não teria passado de um vão simulacro para enganar quanto à sua natureza e fazer crer no sacrifício ilusório da sua vida, uma comédia indigna de um simples homem honesto, e com mais forte razão de um ser tão superior. Numa palavra: Jesus teria abusado da boa-fé dos seus contemporâneos e da posteridade. Essas são as conseqüências lógicas dessa teoria, conseqüências que não são admissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em lugar de o elevarem.
Assim, Jesus teve, como todos nós, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é comprovado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que assinalaram a sua existência.
67. A que se reduziu o corpo carnal? Este é um problema cuja solução não se pode deduzir, até nova ordem, exceto por hipóteses, pela falta de elementos suficientes para firmar uma convicção. Essa solução, aliás, é de uma importância secundária e não acrescentaria nada aos méritos do Cristo, nem aos fatos que atestam, de uma maneira bem peremptória, sua superioridade e sua missão divina.
Não pode, pois, haver mais que opiniões pessoais sobre a forma como esse desaparecimento se realizou, opiniões que só teriam valor se fossem sancionadas por uma lógica rigorosa, e pelo ensino geral dos espíritos; ora, até o presente, nenhuma das que foram formuladas recebeu a sanção desse duplo controle.
Se os espíritos ainda não resolveram a questão pela unanimidade dos seus ensinamentos, é porque certamente ainda não chegou o momento de fazê-lo, ou porque ainda faltam conhecimentos com a ajuda dos quais se poderá resolvê-la pessoalmente. Entretanto, se a hipótese de um roubo clandestino for afastada, poder-se-ia encontrar, por analogia, uma explicação provável na teoria do duplo fenômeno dos transportes e da invisibilidade. (O Livro dos Médiuns, caps. IV e V.)
68. Essa idéia sobre a natureza do corpo de Jesus não é nova. No século IV, Apolinário de Laodicéia, chefe da seita dos apolinaristas, afirmava que Jesus não havia tomado um corpo como o nosso, mas um corpo impassível, que descera do céu no seio da Santa Virgem, e não nascera dela; que, assim, Jesus não havia nascido, não sofrera e não morrera senão em aparência. Os apolinaristas foram excomungados no Concílio de Alexandria, em 360 d.C., no de Roma, em 374 d.C., e no de Constantinopla, em 381 d.C.
Livro: A Gênese – Allan Kardec, cap.: XV.
Malapero de la korpo de Jesuo
64. – La malapero de la korpo de Jesuo, post lia morto, estis objekto de sennombraj komentarioj. Pri tio atestas la kvar evangeliistoj, surbaze de la rakontoj de la virinoj, kiuj, irinte al la tombo en la tria tago post la krucumo, ĝn tie ne trovis. Unuj vidis miraklan fakton en tiu malapero, aliaj ĝin supozis ia kaŝita forpreno.
Laŭ alia opinio, Jesuo havis ne karnan, sed nur fluidecan korpon; li estus, dum sia tuta vivo, nenio alia krom ia palpebla aperaĵo; unuvorte: iaspeca agenerulo. Lia naskiĝo, lia morto kaj ĉiuj materialaj agoj de lia vivo estus nura ŝajno. Pro tio, laŭdire, lia korpo, reveninte al la fluideca stato, povis malaperi for de la tombo, kaj kun tiu sama korpo li sin montris post sia morto.
Sendube tian fakton oni ne povas rigardi kiel absolute neeblan, laŭ tio, kion oni nuntempe scias pri la proprecoj de la fluidoj; sed ĝi almenaŭ estus tute escepta kaj formale kontraŭa al la karaktero de la ageneruloj. (Ĉap. XIV, n-ro 36.) La demando do estas scii, ĉu unu tia hipotezo estas akceptebla, ĉu la faktoj ĝin konfirmas aŭ malkonfirmas.
65. – La restado de Jesuo sur la Tero prezentas Du periodojn: antaŭmortan kaj postmortan. En la unua, ekde la koncipiĝo ĝis la naskiĝo, ĉio fariĝas, koncerne lian patrinon, tiel same kiel en la ordinaraj kondiĉoj de la vivo.  De lia naskiĝo ĝis lia morto, ĉio en liaj agoj, en lia parolo kaj en la diversaj cirkonstancoj de lia vivo prezentas la nedubeblajn karakterojn de la korpeco. La psikaj fenomenoj, fariĝantaj ĉe li, estas akcidentaj kaj prezentas nenion nenormalan, ĉar ilin klarigas la proprecoj de la perispirito, kaj ĉe aliaj individuoj ili okazas laŭ diversaj gradoj. Male, post lia morto ĉio en li vidigas la fluidecan estulon. La diferenco inter ambaŭ statoj estas tiel frapanta, ke ne eblas similigi unu al la alia.
La karna korpo havas proprecojn intime ligitajn al la ĝustasenca materio, kiuj proprecoj esence diferencas de tiuj de la eterecaj fluidoj; en la unua, la malorganizon kaŭzas la rompiĝo de la molekula kohero. Penetrante en materian korpon, tranĉa instrumento dividas al ĝi la histojn; se estas atakitaj la organoj nepre necesaj al la vivo, tiam ili ĉesas funkcii kaj okazas la morto, tio estas, la morto de la korpo. Ĉar tia kohero ne ekzistas en la fluidecaj korpoj, la vivo en ili ne sidas sur la funkciado de specialaj organoj, pro kio en ĝi ne povas ekesti analogaj malordoj. Tranĉa aŭ alispeca instrumento penetras fluidecan korpon kvazaŭ ĝi penetrus en vaporon, farante al ĝi nenian lezon. Jen kial tiaspecaj korpoj ne povas morti, kaj kial la fluidecaj estuloj nomataj ageneruloj ne povas esti mortigitaj.
Post la turmento de Jesuo, lia korpo konserviĝis inerta kaj senviva; ĝi estis entombigita tiel same kiel la ordinaraj korpoj, kaj ĉiu povis ĝin vidi kaj tuŝi. Post lia releviĝo, kiam li volis forlasi la Teron, li ne mortis; lia korpo leviĝis, disneniiĝis kaj malaperis, lasante nenian postsignon, kio evidente pruvas, ke tiu korpo havis alian naturon ol tiu de la korpo pereinta sur la kruco; kaj el tio ja trudiĝas la konkludo, ke se estis eble al Jesuo morti, li do nepre havis korpon el karno.
Pro ĝiaj materiaj proprecoj, la karna korpo estas la sidejo de la sensacoj kaj de la fizikaj doloroj, kiuj refrapas en la sentiva centro, aŭ Spirito. Ne la korpo suferas, sed ja la Spirito, kiu ricevas la reefikojn de la lezoj aŭ aliiĝoj de la organaj histoj. Ĉe korpo sen Spirito, absolute nula estas la sensaco; samkiale, la Spirito sen materia korpo ne povas sperti la suferojn, kiuj rezultas el la aliiĝo de la materio, el kio nepre trudiĝas la konkludo, ke, se Jesuo materiale suferis, kion oni ne povas pridubi, li do havis materian korpon de naturo simila al tiu de la korpo de ĉiuj homoj.
66. – Al la materialaj faktoj aldoniĝas fortegaj moralaj konsideroj.
Se Jesuo, dum sia vivo, troviĝis en la stato de la fluidecaj estuloj, li do ne estus spertinta doloron, nek korpajn bezonojn. Supozi, ke tiel okazis, estas senhavigi lin je la merito de vivo plena de necesbezonoj kaj suferoj, kiun li elektis, kiel ekzemplon de rezignacio. Se ĉio ĉe li estus ŝajna, do ĉiuj agoj de lia vivo, la ripetata antaŭdiro pri lia morto, la dolora sceno sur la Monto Olivarba, lia preĝo al Dio, ke estu forportita de li la kaliko de amaraĵoj, lia suferado, lia agonio, ĉio, ĝis lia lasta ekkrio en la momento, kiam li ellasas sian Spiriton, estus nenio alia krom vana ŝajnigo, celanta trompi pri lia naturo kaj kredigi pri ia iluzia ofero de lia vivo, per komedio malinda je simple honesta homo, do des pli prave malinda je tiel supera estulo. Unuvorte: li estus ekspluatinta la konfidon de siaj samtempuloj kaj de la posteularo. Tiaj estas la logikaj sekvoj de tiu sistemo, sekvoj ja ne akcepteblaj, ĉar, anstataŭ lin altigi, ili lin morale malaltigus.
67. – Ne estas nova tiu ideo pri la naturo de la korpo de Jesuo. En la kvara jarcento, Apolinario el Laodikeo, estro de la sekto de apolinaristoj, predikis, ke Jesuo ne prenis al si korpon kiel la nia, sed korpon nesensivan, kiu malsuprenvenis de la ĉielo en la sinon de la sankta Virgulino, kaj ne estis de ŝi naskita; ke, pro tio, Jesuo naskiĝis, suferis kaj mortis nur ŝajne. La apolinaristoj estis anatemitaj de la Koncilio en Aleksandrio, en 360; de tiu en Romo, en 374; kaj de tiu en Konstantinopolo, en 381.
La saman kredon konfesis la Docetistoj (el la greka dokein, ŝajni), multnombra sekto el la Gnostikuloj, kiu ekzistis dum la tri unuaj jarcentoj. Ni ne parolas pri la mistero de la enkarniĝo, kiun ne koncernas nin ĉi tie pritrakti kaj kiun ni poste ekzamenos.
Libro: La Genezo – Allan Kardec, ĉap.: XV.

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