terça-feira, 4 de julho de 2017

Carma – Humberto Pazian.


“Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz.”  Paulo / Efésios, 5:8.

Não conseguimos pensar em reencarnação sem nos lembrar do carma, e, sobre esse assunto, existem alguns pontos a serem elucidados à luz da Doutrina espírita.
Confunde-se muito o carma como uma coisa negativa, ruim, que está sempre ao nosso enlaço, preparando-nos algo indigesto e temeroso, e essa interpretação tem atribuído à lei do Carma um significado temido, obscuro demais.
Tudo, exatamente tudo o que passamos, falamos ou fazemos emite vibrações e afeta nosso meio ambiente e, consequentemente, coisas, objetos e pessoas a nossa volta.
Às vezes, essas vibrações são boas e auxiliam de alguma forma alguém ou alguma coisa; em outras oportunidades, elas podem ser desprovidas de qualquer qualidade e não afetam de forma significativa nada e ninguém; já em outras ocasiões, podem ser pensamentos e atos ruins que geram, por sua vez, vibrações negativas e conseqüentes pertubarções no ambiente e nas pessoas.
A lei divina do Carma diz que toda a ação resultará em uma reação equivalente, mas é essa equivalência que não sabemos definir, pois sempre nos faltarão recursos e conhecimentos da situação de cada um, cuja apreciação só cabe ao Grande Soberano.
Utilizando um prático exemplo, imaginemos uma batalha campal, daquelas que vemos em filmes, na qual o objetivo de ambos os exércitos é o mesmo: eliminar o inimigo. Enquanto o confronto se desenrola aos nossos olhos mentais, mostrando-nos todos os combatentes empenhados na mesma missão, a de destruir e matar seus opositores, só podemos verificar os gestos mais cruéis ou valentes de cada soldado, o valor ou a covardia. E, se fôssemos chamados a julgá-los num tribunal divino, ainda usando nossa imaginação, faríamos esse julgamento utilizando nossos padrões e conhecimentos das leis humanas, que, como sabemos, são falhas e corruptível, abordando somente os efeitos, sem conhecer a causa original de todos os atos que envolvem os acontecimentos.
Já essa mesma batalha, se observada pela percepção Divina, da qual a alma nada consegue esconder ou camuflar, seria vista na sua individualidade nos mínimos detalhes do pensamento e da vontade, entendendo que os sentimentos da cada combatente diferem desde a legítima defesa até o ódio sanguinário com requintes de crueldade. O julgamento, como podemos analisar, seria uma justiça inquestionável.
Assim, quando virmos alguém cometendo algum ato que consideramos menos digno ou errado (de acordo com nossoentendimento), deveremos lembrar das limitações em nosso julgamento e deixar isso ao critério da Justiça Divina. Não devemos comentar maldosamente ou depreciar o irmão em falta, porque assim como fizermos ao nosso semelhante, também o Pai fará a nós. Nossas faltas serão vistas e julgadas por Aquele que conhece o mais profundo de nosso ser, nossas fraquezas e imperfeições e o desejo de sermos felizes.
De uma forma branda e piedosa, a corrigenda de nossos errôneos atos virá e, como em uma única existência seria impossível quitarmos todos os nossos prováveis débitos, o Pai nos concede muitas novas encarnações, nas quais, com uma nova roupagem física, em uma nova família e um ambiente onde estejamos mais bem capacitados para desempenhar novas tarefas evolucionistas, temos a chance de, com calma, realizar nossa quitação com a contabilidade divina.
Ainda em relação à lei da compensação, um fator importante a ser observado é que todas as boas vibrações e tudo de bom que fizermos à humanidade terão um valor positivo em nosso débito cármico, diminuindo-o e, se adotamos os ensinamentos do Cristo como nosso modo de viver e ser, poderemos, através das boas obras, eliminá-lo por completo, passando a viver desde já o reino de paz, prometido pelo Mestre Jesus.
Livro: O Valor da Vida.
Humberto Pazian.
 

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