segunda-feira, 4 de julho de 2016

A César e a Deus – Joanna de Ângelis

Conforme a narrativa de Mateus, Jesus encerrou o diálogo, no qual os adversários tentavam envolvê-lO, em torno da legalidade ou não do pagamento do tributo ao Imperador de Roma, elucidando: - “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”
Rico de conteúdo, o pensamento-resposta do mestre, leva-nos a acuradas e oportunas reflexões.
César e Deus podem significar, num sentindo mais amplo, o humano e o divino, ou o material e o espiritual, ou ainda, o imediato e o mediato.
Pelo impositivo das circunstâncias terrestres, o homem sempre se fadiga pela feição orgânica e social da vida, deixando, de lado, o seu dever de zelar pela face moral, transcendente...
Graças a isto, aplica todas as horas, ou quase todas, aos compromissos e impositivos materiais, e , mesmo quando é obrigado ao repouso, a fim de liberar-se da fadiga, tem em mira a restauração das forças com o objetivo de continuar a faina ou o prazer, momentaneamente interrompidos.
Programa a existência como se esta não viesse a extinguir-se pela inevitável desencarnação.
Cuida do amanhã próximo, preparando os equipamentos fisiológicos para fluir maior quinhão das conquistas fúteis, com que se ilude, intoxicando-se dos vapores das sensações desgastantes, numa volúpia ensandecedora.
Quando se vê compelido a deixar a carcassa física, ainda aí, pela falta do hábito de elevação, continua na fixação perturbadora do cadáver, que para mais nada lhe serve.
A oportunidade passa e a dor permanece.
Essa é a resposta de César, àqueles que se lhe submetem em caráter de dedicação exclusiva.
***
O homem, vivendo em sociedade, tem deveres para com ela, cumprindo-lhe contribuir para o progresso, participando ativamente do programa estabelecido.
Alienar-se, a pretexto de servir a Deus, portanto, à vida espiritual, jamais se justifica, não encontrando apoio no exemplo que o próprio Mestre ofereceu, Ele que jamais se escusava.
Participou de uma boda, santificando-a; das Festas habituais do povo, não se imiscuindo nas venalidades e paixões que estas permitiam; visitou um cobrador de impostos, que O convidara, dignificando-lhe o lar; hospedou-se com a família de Betânia, inúmeras vezes, alargando o circulo de fraternidade; albergou no coração a mulher equivocada, lecionando solidariedade; esteve no Templo e na Sinagoga reiteradas vezes, sem preconceito nem desprezo, e todos os Seus atos se fizeram caracterizar pela naturalidade, discrição e honorabilidade.
Nasceu num período festivo – a ocasião do recenseamento – morreu durante as alegrias evocativas da Páscoa, demonstrando que a vida é  um poema em nome do Amor.
Nunca, tampouco, se apartou de Deus e do dever.
***
Dá a tua contribuição a Deus.
Não, através de coisas ou palavras.
Sejam:
A tua hora de misericórdia – o momento de Deus;
O teu instante de reflexão elevada – o de união com Deus;
O teu silêncio ante a ofensa – o de cooperação com Deus;
A tua ação caridosa – a de contributo a Deus;
A tua dedicação ao próximo – a dádiva que encaminhas a Deus;
O teu sofrimento resignado – a demonstração de confiança em Deus;
Todos os teus recursos morais canalizados para a verdade e a elevação, constituam o teu concurso – oferenda a Deus.
*** 
Viver no mundo, amando a vida e servindo ao mundo sem escravidão e a Deus com emoção, eis o ideal para que o homem alcance a finalidade excelente para a qual se encontra reencarnado.
Livro: Momentos de Esperança.
Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

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