domingo, 7 de fevereiro de 2016

Incompreendidos – Lins de Vasconcelos.

Aos vexilários dos ideais do enobrecimento humano sempre se ofereceram o apodo, as dificuldades e perseguições gratuitas.
Aos missionários da ciência jamais se favoreceram triunfos, realizações culminativas, êxitos nos empreendimentos.
Aos sacerdotes do amor e da paz nunca se concederam as láureas da lídima realização que perseguiam.
Em todas as épocas, nos mais variados rincões do mundo, a obra da cizânia se estabelece entre os que se dispõem à edificação; os aranzéis se fazem nos recintos do trabalho nobre e a perfídia procura agasalho entre os que operam pela libertação do homem, por aí grassarem, não raro, a invigilância, as paixões inferiores.
De Sócrates a Sêneca, de Galileu a Gandhi, a Humanidade acompanhou toda uma trajetória de mártires, de pioneiros, de heróis que deram a própria vida para profligarem o niai e estabelecerem as diretrizes do bem.
De Jesus a João Huss, a Martin Luther King Júnior a Humanidade acompanhou a odisséia da construção do mundo novo entre as barricadas ofensivas da insensatez e da malquerença.
Ontem, a Humanidade viu o esquartejar de Tiradentes, laborando pela liberdade do homem, e há pouco Bottsmann, autor da conceituação cibernética, suicidou-se para fugir à sanha dos seus perseguidores que o anatematizavam, fazendo-lhe da vida um verdadeiro pandemônio...
Não cause surpresa e ninguém estranhe a aparente predominância do mal na Terra. Espíritos acumpliciados milenarmente com o vício, milenarmente acomodados ao modus operandi da satisfação material, dificilmente podem partir na direção da luz, rompendo, em definitivo, com as amarras da própria imperfeição. Todavia, nesse mar de dificuldades e no acrisolar de todas as dores, levantam-se os trabalhadores autênticos dos veros ideais da Humanidade, erguendo o mundo de realizações profundas que já assinala a hora transitória que se vive no planeta.
Quando a sombra da discórdia trouxer os raios da perturbação ao ambiente de trabalho cristão, ninguém sintonize com as correntes deletérias da impiedade; quando as forças truanescas, desagregadas pelas mentes que se privilegiam na dominação absurda de consciências humanas, estabelecerem conflitos, desordens, exija-se a disciplina para si mesmo e a manutenção da ordem, sem, no entanto, participar do desequilíbrio dominante; quando o chavascal ameaçar as leiras santificantes da ação cristã, que se detenha a leviandade com elevada expressão de amor, mas que se não deixe mergulhar no pantanal das lutas insanas, na perturbação verbalista dos desocupados e zombeteiros. A obra desafiadora que nos aguarda, impõe-nos uma atitude digna perante a vida, na qual a alegria não pode receber o acumpliciamento da vulgaridade, nem o dever pode ser substituído pela leviandade contumaz, em nome do misoneísmo e de uma realização que se oculta em eufemismos de trabalhos especiais, porque Jesus, o construtor do Orbe, antes de lançar-se no esforço de conduzir a Humanidade para os altos cimos, não desdenhou a carpintaria modesta de José, ensinando, Ele mesmo, pelos atos, que o ideal verdadeiro do homem parte da sua ação constante, operosa, no bem, num clima de elevação e de sobriedade.
Convidados para realizar o mundo novo em nós, conosco, e em tomo de nós, não nos deixemos afligir pela balbúrdia dos desocupados, nem os agasalhemos; não soframos pelas pedradas dos que se comprazem em perturbar antes que ajudar; mas não lhes demos guarida, continuando de fronte erguida e de ideal levantado, porque estamos servindo a Jesus Cristo e não aos homens, e ao Cristo Jesus prestaremos conta e não aos companheiros.
Igualmente não apliquemos indevidamente o tempo na discussão inoperante, vazia, nem fechemos as portas à caridade fraternal, ou, tampouco, deixemo-nos contagiar pela enfermidade ultriz que visita o século, que é a ociosidade, geradora de mil males, que tem tentado obstaculizar a marcha do progresso.
Não aguardem os companheiros o aplauso vazio, o apoio insensato, nem a odisséia da perturbação que inquieta por dentro embora agrade por fora.
A obra do Senhor se baseia no sacrifício pessoal e na dedicação exclusiva a esse ideal, que deve constituir a função essencial da vida de quem despertou para a verdade e a ela se entrega em clima total.
Não há lugar hoje como não houve ontem para os lídimos operários do bem. E se os houvesse, ditos lugares desviá-los-iam do ministério para o incensório mentiroso dos que se comprazem nas ilusões e nos jogos de uma sociedade esvaziada de objetivos enobrecidos, por enquanto.
Sem recear, mas sem provocar; sem temer, mas sem fugir da luta, estejam certos os espíritas, cristãos novos, que se aos primitivos operários de Jesus foi exigido o sacrifício da vida pelo martírio, na praça pública, dos construtores da nova civilização, os missionários da Revelação Terceira, não menor quota de sacrifício lhes será solicitada, no país da alma, na região da consciência e no continente do ser, em mil formas de perseguição, calúnia, opróbrios e açoites da impiedade. Todavia, acima de todas as circunstâncias que afligem e perturbam, Cristo, em triunfo, concederá àquele que lhe tiver o sinal da mansuetude, do trabalho, a auréola da libertação para a vitória total no reino da perene luz.
Livro: Terapêutica de Emergência.
Espíritos Diversos / Divaldo Franco.

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