quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Rogativa - ANÁLIA FRANCO.

Coração, sou a débil manifestação da vida que lhe roga socorro e compaixão. Não me deixe sucumbir. Originado num momento de enlevo, peço-lhe misericórdia e oportunidade de êxito.
Semelhante a cristalino orvalho, detenho-me nas pétalas da rosa da infância, sacudido por ventos infrenes que me ameaçam.
Nas horas ardentes do dia, o sol das paixões me rouba a vitalidade e, no silêncio das noites sofro o guante do frio que sopra, impiedoso, ceifando a haste que me sustém, usurpando a minha estabilidade.
Ajude-me agora, enquanto eu sou uma esperança.
Depois, talvez, seja muito tarde.
Ainda conservo a pureza sem mácula, guardando luminosidade interior.
Tombando ao solo, confundir-me-ei com o pó, transformando-me em lodo vil.
Não me oculte sua mão socorrista nem se faça surdo ao meu apelo.
Enquanto os seus filhinhos dormem em leitos fofos, carinhosamente cuidados, eu sou qual avezita abandonada em ninho desfeito, que tombou sem abrigo...
Eles recebem os seus beijos quentes em faces coradas, ao tempo em que a minha palidez se umedece de suor, após a febre que me assinala a presença pertinaz da doença zombeteira.
Fitando os seus amores — jóias preciosas com que o Pai Celeste coroou o seu amor — lembre-se de mim, ameaçado e a sós, sem mãos que me agasalhem nem coração que me receba. Não me recuse a oportunidade de viver. Não demore em me receber.
Transforme-se em teto de santificação que me guarde e, por amor, alongue-me seus braços. Você me encontrará facilmente. Sou esse corpo infantil que fita a migalha de compaixão que você ainda não quis oferecer.
Você discute a forma como ajudar-me, e eu sofro a impiedade de uns, a perseguição de outros, contagiando-me nos males de muitos...
Você debate a melhor pedagogia para aplicar em favor do meu esclarecimento, e a Escola da Vida, com o descuido de tantas almas, desagrega, com as ferramentas do pessimismo e do desencanto, as minhas possibilidades, malbaratando os meus recursos ainda intactos, no cofre do sentimento.
Levante-se, coração maternal, e venha salvar-me por amor aos seus próprios filhos. Abandonado, poderei tornar-me ameaça ativa e continuada à felicidade deles...
E recorde que, se você houvesse partido para a Mansão dos Bem-aventurados deixando, na Terra, os seus filhinhos, você bendiria aqueloutras mães que os aconchegassem ao seio, defendendo-os e guiando-os.
Também eu, no Reino da Ventura Inefável, tenho um anjo em forma de mãe, rogando a Jesus para que você me recolha no lar de amor onde vibra o seu abençoado coração.
Livro: Terapêutica de Emergência.
Espíritos Diversos / Divaldo Franco.

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