quinta-feira, 4 de junho de 2015

A preguiça - Rodolfo Calligaris

A Preguiça é um grave defeito da vontade caracterizando-se pela falta de impulso para o trabalho.
Muitos preguiçosos são francamente do “dolce far niente”. Sua filosofia é: Plantando, dá; não plantando dão; então, não planto não.”
Outros, conquanto tenham aptidão e saúde para uma atividade lucrativa que lhes permitiria dar à família um nível de vida relativamente confortável, não saem da miséria porque, indolentes, limitam suas horas de trabalho ao estritamente necessário para o atendimento das exigências estomacais.
Não poucos desejam prosperar e enriquecer, para o que chegam a fazer grandes projetos, que iniciam com entusiasmo. Ao menor contratempo, entretanto, desanimam, param e nunca mais se dispõem a levá-los a cabo.
Há ainda aqueles que são capazes de esforços hercúleos, mas de curta duração. Se o que objetivam dependesse de alguns dias ou semanas de árduos sacrifícios venceriam. Desde, porém, que lhes seja exigido um trabalho regular e constante, cujos resultados demorem muito tempo a parecer, não conseguem persistir nele.
Infelizes! Ignoram que, longe de ser um fardo pesado e incômodo do qual convenha esquivar-nos, ou simplesmente um meio de obter independência econômica, para então entregar-nos ao hedonismo, é o trabalho uma ordenação divina, o gerador do progresso, constituindo-se, por isso mesmo, em fonte perene de alegrias e de bênçãos, como outra não há.
Jesus condena com veemência, a ociosidade e a preguiça, ao mesmo tempo que exalta o espírito de trabalho, estimulando-o com reiteradas promessas de recompensa.
Haja vista a paciência dos trabalhadores das diversas horas do trabalho, a dos dois filhos, a das virgens, a dos talentos, a do servo vigilante, etc.
Não bastasse o testemunho de sua própria vida, que foi um belíssimo exemplo de trabalho, quer como humilde carpinteiro na oficina de José, quer como carinhoso médico dos enfermos e sofredores de todos os matizes, quer ainda como incansável arauto da Boa Nova, assim se expressou ele certa ver:
“Meu Pai até agora não cessa de trabalhar e eu obro também incessantemente.” Jesus / João, 5:7.
Acordes com o Mestre quanto à necessidade do trabalho na obra de Deus, eis o que disseram, também, vários apóstolos:
“Importa que todos compareçamos diante do tribunal do Cristo, para que cada um receba o galardão, segundo o que tem feito, ou bom ou mau, estando no próprio corpo.” Paulo / II Coríntios, 5:10.
“Que aproveitará irmãos meus, a um que diz que tem fé, se não tem obras? A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma.” Tiago, 2:14-17.
“Ponde cada vez maior cuidado em fazerdes certa vossa vocação e eleição por meio das boas obras, para que assim tenhais entrada no reino eterno de Nosso Senhor e Salvador Jesus-Cristo.” – II Pedro, 1:10 e 11.
Não se compreende, pois, como possam alguns alimentar a ilusão de que lhes seja possível “ganhar” o reino dos Céus apenas pela fé, sem o concurso daquele espírito de serviço a que acima nos referimos, ou seja, sem a prática do Bem.
A Doutrina Espírita, estendendo e aprofundando os ensinamentos evangélicos, adverte-nos que “cada um terá que dá contas da inutilidade voluntária de sua existência, inutilidade sempre fatal a felicidade futura”, e que para garantir uma boa situação no mundo espiritual, “não basta que o homem não pratique o mal, cumprindo-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”
Saibamos, portanto, aproveitar todos os instante de nossas vidas, empregando-os em algo útil, para que, ao se findarem nossos dias à face da Terra, possamos ser incluídos entre aqueles que as vozes do Céu proclamam bem-aventurados, “porque suas obras o acompanham”  - Apoc, 14:13.
Livro: Páginas do Espiritismo Cristão.
Rodolfo Calligaris.

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