domingo, 7 de junho de 2015

Fatores da Personalidade – Rodolfo Calligaris

Todos podemos perceber, sem que para isso se faça necessária grande capacidade de observação, que em qualquer raça, em qualquer família, em qualquer grupo comunitário, enfim, os indivíduos divergem profundamente entre si, tanto nas aptidões intelectuais como no senso moral.
Uns demonstram acentuado interesses por este ou aquele ramo da Indústria ou da ciência, outros evidenciam irresistível pendor para as Artes plásticas ou para a Literatura, havendo outros ainda, místicos por natureza, que muito cedo já manifestam forte propensão para as questões metafísicas, senão mesmo sincera vocação para a vida religiosa.
A concepção do Bem e do Mal, assim como a noção do Dever, acha-se, também, mais desenvolvidas em certas pessoas do que em outras. Enquanto algumas se inclinam espontâneamente para a prática das virtudes e não se permitem nenhuma ação menos digna, que pudesse causar dano ou sofrimento ao próximo (nem mesmo aos animais), não faltam as que, ao contrário, são capazes das maiores crueldades e torpezas, que praticam a sangue frio, sem a menor hesitação de consciência.
A ciência oficial tenta explicar essas desigualdades apenas pela leis da hereditariedade e as influências do meio -  que são, realmente, fatores ponderáveis na formação da personalidade -, mas esbarra com objeções seríssimas, às quais não sabe com responder.
Com efeito, os genes podem modelar-nos os caracteres morfológicos, fazendo que sejamos mais ou menos parecidos, fisicamente, com nossos ancestrais; podem até comunicar-nos algumas de suas idiossincrasias, mas nunca determinar-nos os predicados anímicos, com os quais nada têm que ver.
O meio em que vivemos, ou a educação que nos seja dada, pode, a seu turno, influir em nossa conduta, mas apenas relativamente, e às vezes nem isso.
Examinemos alguns casos:
Tomás Édson, “o gênio de Menlo Parque” (1847-1931), não teve antecessores que se notabilizassem nas ciências físicas e mecânicas; na linhagem ascendente de Miguel Ângelo (1475-1564), um dos mais perfeitos e completos artistas da Humanidade, não houve, tão pouco, ninguém que pudesse haver-lhe transmitido a excepcional capacidade criadora que o celebrizou; nem Aristóteles (384-322 a.c) pudera herdar de qualquer de seus avoengos a sabedoria enciclopédica que o imortalizaria como uma das maiores inteligências de todos os tempos.
De outro lado, porque a imensa maioria das celebridades não tiveram descendentes que lhes aperfeiçoassem as obras ou os dons com que granjearam a admiração universal?
Porque, até hoje, não surgiu um outro Bach, que superasse a João Sebastião (1685-1750) na composição musical? Um outro Alighieri, que ultrapassasse a Dante (1265-1321) na poesia? Ou um outro Arquimedes (287-212 a.c) que sobrepujasse o legendário geômetra grego?
No que tange às qualidades morais, sobejam igualmente, os exemplos de homens excelentes que tiveram verdadeiros monstros por filhos e, inversamente, criaturas boníssimas, que nasceram e se criaram em ambientes onde primavam os instintos grosseiros, os vícios infamantes e a criminalidade.
A amostra que vimos de oferecer serve para provar que a hereditariedade e o meio, por si sós, não bastam para produzir a genialidade nem a santidade, como não podem ser responsáveis, também, pela vilania de quem quer que seja.
Há que admitir-se aí, portanto, um terceiro elemento, muitíssimo mais importante: o cabedal próprio que cada Espírito traz ao renascer.
Somente em função desse passado individual, dessas experiências adquiridas em encarnações pregressas, é que podem ser explicadas as faculdades superiores, as precocidades, as idéias inatas, a extrema facilidade com que assimilamos determinados conhecimentos, enquanto outros, mais fáceis, nos exigem esforço maior, bem assim a nobreza de sentimentos e a finura que algumas pessoas demonstram “desde o berço”.
A pluralidade das existências impõe-se, assim como verdade inconcussa, pois se constitui o fator preponderante de nossa personalidade.
Livro: Páginas de Espiritismo Cristão.
Rodolfo Calligaris.

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