segunda-feira, 29 de junho de 2015

Como desenvolver a Vontade – Ney Prieto Peres

909.  O Homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços? (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)
- Sim, e às vezes com pouco esforço; o que lhe falta é a Vontade. Ah! Como são poucos os que se esforçam. 
Cremos tranquilamente que todos admitem ser a Vontade a chave das nossas conquistas em todas as áreas de nossa vida. Cada um de nós já teve provas evidentes de que, quando nos dispomos firmemente a conseguir algum propósito, assim o obtemos.
A vontade é, assim, a expressão do nosso livre-arbítrio. Por ela damos os nossos testemunhos e demonstramos os nossos ideais no bem. Podemos para facilitar a nossa análise, considerar que a vontade é constituída dos seguintes fatores: impulso, autodomínio, deliberação, determinação e ação. Todos eles interligados e decorrentes entre si.
Impulso – A Vontade, como já vimos surge, primeiro como um impulso, uma aspiração, um desejo, que pode ser de variada intensidade. Essa intensidade indica a profundidade, a carga emocional, o conteúdo, o grau de interesse que se relaciona com a permanência dentro de nós, ou seja, diz respeito ao afinco, a firmeza, a duração e à persistência.
Do impulso que surge no campo sentimental, a nível emocional, deveríamos começar a fazer a elaboração mental, articulando pensamentos, plasmando idéias, ponderando possibilidades, prevendo obstáculos, balanceando impedimentos, avaliando nossa própria capacidade de realização. Essa elaboração, trazendo os bons impulsos aos níveis de consciência, deve ser intensificada, pois constitui grandemente para fundamentarmos com base aquelas importantes aspirações.
A grande maioria dos iniciantes não passa das promessas, debanda e perde a oportunidade, que pode não se repetir. Não estão eles suficientes convencidos da importância daqueles impulsos, vividos pela inspiração misericordiosa dos Amigos espirituais que nos ajudam a caminhar. Acontece isto, porque ainda, estamos muito preso aos interesses humanos e às ilusões do mundo físico. Não valorizando as oportunidades de redenção que aqueles impulsos renovadores nos oferecem, deixamos de seguir o trem do progresso.
Autodominio – Conseguindo, porém, contornar as dificuldades íntimas, combatendo os momentos de desânimo, exercemos domínio progressivo sobre nossas paixões e apegos, vencemos os obstáculos criados pelas nossas próprias fraquezas, limitações psicológicas, receios e incertezas. Exercendo assim, o domínio de si próprio.
Deliberação – esse domínio vai refletir-se nas nossas deliberações. Para deliberamos em nossa própria causa, devemos ter conhecimento amplo das circunstâncias favoráveis e desfavoráveis, o que implica em dinamizar em nós o hábito de analisar, de observar, de avaliar os acontecimentos da vida diária. Daí escolhermos os rumos, deliberamos o que fazer.
Determinação – do conhecimento obtido, passamos para a execução, ou seja, determinamos o que fazer, as ações a serem executadas, a disposição a empreender, de cumprir as deliberações. A determinação é o primeiro passo para a ação. Nessa fase programamos no tempo as ações a serem tomadas, relacionamos os passos a seguir e nos empenhamos em cumpri-los um por um, com Rigor e Firmeza, com Energia e Coragem.
Ação – finalmente a ação vem concluir toda a sequência encadeada, é a prova das nossas intenções, é a manifestação viva, palpável, a concretização daqueles impulsos que foram articulados na esfera dos nossos pensamentos. É a própria idéia condensada, materializada numa realização.
A Vontade, como vimos, não estaciona no impulso, prossegue no autodomínio, se firma na deliberação, começa a forma na determinação e se concretiza na ação. É um complexo dinâmico de fatores ativos que gera energia transformadora a partir dos impulsos, emitindo ondas indutoras, que se fortalecem pela intensidade na concentração dos pensamentos, constituindo nos campos mentais as conquistas, vencendo e bombardeando os princípios mentais cristalizados que se contrapõem àqueles impulsos renovadores.
O trabalho de desenvolvimento da vontade aplicada à nossa reforma íntima, começa por avaliar o nosso interesse nesse sentido, e é com o devido afinco, a vitória sobre as nossas más tendências.
Livro: Manual Prático do Espírita.
Ney Prieto Peres

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