terça-feira, 7 de julho de 2015

O Perispírito, Princípio das Manifestações.

9. Os Espíritos, como foi dito, têm um corpo fluídico ao qual se dá o nome de perispírito. A sua substância é haurida no fluido universal, ou cósmico, que o forma e o alimenta, como o ar forma e alimenta o corpo material do homem. O perispírito é mais ou menos etéreo segundo os mundos e segundo o grau de depuração do Espírito. Nos mundos dos Espíritos inferiores, a sua natureza é mais grosseira e mais se aproxima da matéria bruta.
10. Na encarnação, o Espírito conserva o seu perispírito: o corpo não é para ele senão um segundo envoltório mais grosseiro, mais resistente, apropriado às funções que deve cumprir, e do qual ele se despoja na morte. O perispírito é o intermediário entre o Espírito e o corpo; é o órgão de transmissão de todas as sensações.
Para aquelas que vêm do exterior, pode-se dizer que o corpo recebe a impressão; o perispírito a transmite, e o Espírito, o ser sensível e inteligente, a recebe; quando o ato parte da iniciativa do Espírito, pode-se dizer que o Espírito quer, que o perispírito transmite, e o corpo executa.
11. O perispírito, de nenhum modo, está encerrado nos limites do corpo, como numa caixa; pela sua natureza fluídica, ele é expansível; irradia ao redor e forma, em torno do corpo, uma atmosfera que o pensamento e a força de vontade podem estender mais ou menos; de onde se segue que as pessoas que, de nenhum modo, não estão em contato corporal, podem estar pelo seu perispírito e se transmitir impressões, com o seu desconhecimento, alguma vezes mesmo a intuição de seus pensamentos.
12. Sendo o perispírito um dos elementos constitutivos do homem, desempenha um papel importante em todos os fenômenos psicológicos e, até um certo ponto, nos fenômenos fisiológicos e patológicos.
Quando as ciências médicas tiverem em conta a influência do elemento espiritual na economia, terão dado um grande passo, e horizontes inteiramente novos se abrirão diante delas; muitas causas de enfermidades serão então explicadas e poderosos meios de combatê-las serão encontrados.
13. É por meio do perispírito que os Espíritos agem sobre a matéria inerte e produzem os diferentes fenômenos das manifestações.
A sua natureza etérea não poderia ser um obstáculo, uma vez que se sabe que os mais poderosos motores se encontram nos fluidos mais rarefeitos e fluidos imponderáveis. Não há, pois, de nenhum modo, lugar para se espantar de ver, com a ajuda dessa alavanca, os Espíritos produzirem certos efeitos físicos, tais como pancadas e ruídos de todas as espécies, levantamento de objetos, transportados ou projetados no espaço.
Não há nenhuma necessidade, para disso se dar conta, de recorrer ao maravilhoso ou aos efeitos sobrenaturais.
14. Os Espíritos, agindo sobre a matéria, podem se manifestar de várias maneiras diferentes: por efeitos físicos, tais como os ruídos e o movimento de objetos; pela transmissão do pensamento, pela visão, o ouvido, a palavra, o toque, a escrita, o desenho, a música, etc., em uma palavra, por todos os meios que podem servir para colocá-los em relação com os homens.
15. As manifestações dos Espíritos podem ser espontâneas ou provocadas. As primeiras ocorrem inopinadamente e de improviso; elas se produzem, frequentemente, nas pessoas mais estranhas às ideias espíritas.
Em certos casos, e sob o império de certas circunstâncias, as manifestações podem ser provocadas pela vontade, sob a influência de pessoas dotadas, para esse efeito, de faculdades especiais.
As manifestações espontâneas ocorreram em todas as épocas e em todos os países; o meio de provocá-las, certamente, era também conhecido na antiguidade, mas era o privilégio de certas castas que não o revelavam senão a raros iniciados, sob condições rigorosas, e escondendo-o ao vulgo, a fim de dominá-lo pelo prestígio de uma força oculta.
Não obstante, perpetuou-se através das idades até os nossos dias, em alguns indivíduos, mas quase sempre desfiguradas pela superstição ou misturada às práticas ridículas da magia, o que havia contribuído para desacreditá-la. Isso não fora, até então, senão germes lançados aqui e ali; a Providência reservara à nossa época o conhecimento completo e a vulgarização desses fenômenos, para livrá-los de suas más ligas e fazê-los servirem para a melhoria da Humanidade, hoje madura para compreendê-los e deles tirar as consequências.
Livro: Obras Póstumas – Allan Kardec.

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