terça-feira, 14 de julho de 2015

Segundo a Carne - Emmanuel

         “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis.” – Paulo / Romanos, 8:13.
Para quem vive segundo a carne, isto é, de conformidade com os impulsos inferiores, a estação de luta terrestre não é mais que uma série de acontecimentos vazios.
Em todos os momentos, a limitação ser-­lhe-­á fantasma incessante.
Cérebro  esmagado pelas noções negativas, encontrar­-se-­á com a morte, a cada passo. Para a consciência que teve a infelicidade de esposar concepções tão  escuras, não passará a existência humana de comédia infeliz.
No sofrimento, identifica uma casa adequada ao desespero.
No trabalho destinado à purificação espiritual, sente o clima da revolta.
Não pode contar com a bênção do amor, porquanto, em face da apreciação  que lhe é própria, os laços afetivos são meros acidentes no mecanismo dos desejos eventuais.
A dor, benfeitora e conservadora do mundo, é-­lhe intolerável, a disciplina constituí-­lhe angustioso cárcere e o serviço aos semelhantes representa pesada humilhação.
Nunca perdoa, não sabe renunciar, dói­-lhe ceder em favor de alguém e, quando ajuda, exige do beneficiado a subserviência do escravo.
Desditoso o homem que vive, respira e age, segundo a carne!
Os conflitos da posse atormentam­-lhe o coração, por tempo indeterminado, com o mesmo calor da vida selvagem.
Ai dele, todavia, porque a hora renovadora soará sempre!
E, se fugiu  à atmosfera da imortalidade, se asfixiou  as melhores aspirações da própria alma, se escapou  ao exercício salutar do sofrimento, se fez questão  de aumentar apetites e prazeres pela absoluta integração com o “lado inferior da vida”, que poderá esperar  do fim do corpo, senão sepulcro, sombra e impossibilidade, dentro da noite cruel?
Livro: Fonte Viva.
Emmanuel / Chico Xavier.

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