sábado, 16 de janeiro de 2016

A verdadeira conquista – Aristides Spíndola

Quando o homem, por primeira vez logrou o fascinante e perturbador sucesso de alunissar, a cultura e a civilização saudaram, no fato, o início da Era Espacial com bólides tripuladas, ampliando as possibilidades de futuras viagens interplanetárias em cogitação não longe de tomar-se realidade.
Centenas de milhões de televidentes acompanharam o evento com justificável emoção, ainda mais, porque, à época, os projetos espaciais desviavam, por algum tempo, a disputa na corrida armamentista das grandes Nações, que pretendiam maior poder, galvanizando as atenções do mundo e ganhando o respeito dos povos, em face da sua avançadíssima Tecnologia.
Projetos mais audaciosos começaram a ser estudados e o Sistema Solar passou a merecer maior atenção, como passo inicial, promissor, para mais amplos e fantásticos empreendimentos, no campo da Astronáutica e da Biônia.
Não obstante todos os notáveis resultados conseguidos e a expressiva signifição do gigantesco esforço, o homem, em si mesmo, não apresentou melhores disposições para a paz, nem para o bem.
Posteriormente, retornaram as ciclópicas disputas bélicas e o armazenamento de mísseis e artefatos nucleares de alto poder destrutivo prosseguiram, apavorantes, em detrimento dos esforços da solidariedade, da compaixão e da assistência às Nações pobres, favorecendo-as no precário desenvolvimento em que deperecém todas as suas forças e se esfacelam os seus ideais.
As conquistas das viagens espaciais serviram, tecnologicamente, para futuras aplicações devastadoras, na programática de uma provável guerra de extermínio, em que a vitória cabería ao povo que primeiro acione os engenhos mortíferos, ou que, numa suposta reação, em face do anúncio dos computadores notificando agressão de supostos inimigos, desencadeie a hecatombe geral por equívoco...
Os sofisticados aparelhos de detecção dos artefatos destruidores que se adentrem pelos delimitados espaços aéreos, têm a missão delicadíssima de advertir e preparar o adversário, que mobilizará todas as suas forças em exíguos minutos, não podendo, por isso mesmo, haver erro, sendo máquinas perfeitas.
Como, todavia, a perfeição não pode caracterizar o homem, nem os seus transitórios feitos, não seja de surpreender que as providências acautelatórias de defesa não venham responder pela inconcebível e irrecuperável tragédia apocalíptica, em decorrência de uma informação errada, um defeito imprevisível ou um dado incorreto, conforme já sucedeu mais de uma vez, por pouco não se consumando a alucinação devastadora, engendrada pelo homem sem Deus e produzida pela máquina, destituída de sentimentos.
O homem, que pisou o cinzento solo lunar, infelizmente, se ganhou em Ciência e Tecnologia, não difere muito dos nautas audaciosos do passado, que lograram alcançar as terras das índias pelos caminhos do mar ou dos estóicos conquistadores das plagas americanas. . .
Não havendo trabalhado o país do coração, nem asserenado as províncias da mente, todos os logros e conquistas que o extasiam, passados os primeiros momentos, espicaçam-lhe os sentimentos subalternos, desenovelando as forças brutas, que nele jazem adormecidas, tomando-o verdugo do próximo, impiedoso, porque, escasseando os valores do comedimento e da paz íntima, cedem lugar os vernizes sociais, culturais e éticos aos estados das indômitas agressividade e violência.
Não pode, portanto, prescindir o processo da evolução cultural, científica e tecnológica da ética religiosa, vazada no Cristinismo primitivo, conforme os conceitos e a vivência de Jesus.
Desfigurado e adaptado às conveniências de indivíduos, grupos e Nações, que nele encontram criminosas justificativas para as arbitrariedades que cometem: a escravidão, no seu pluriaspecto: social, econômico, humano e ideológico; a perseguição sistemática aos que pensam, obedecendo a esquemas não convencionais ou permitidos; a dilapidação dos valores sobre os quais assentam os seus arraiais; a guerra e os seus famigerados sequazes; o aborto delituoso; a abominável pena de morte; os genocídios frequentes, incorrendo em outros crimes, não menores, que passam, sem mais provocar alarde nem choque nas multidões vilipendiadas, hebetadas pela soma incalculável de males já sofridos.,.
Mais do que nunca o homem hodierno tem necessidade da pacificação cristã, como herdeiro que é da vida, na qual se encontra colocado para progredir, amealhando bênçãos e conquistando os recursos de enobrecimento mediante os quais, e somente através deles, conseguirá a plenitude da felicidade.
Tomando como norma de comportamento o “Sermão da Montanha”, seria possível reformar-se, de imediato, por consequência modificando a sociedade, substituindo as velhas e caducas, porém prevalecentes estruturas estabelecidas pelo egoísmo, seu terrível adversário, que lhe vige no mundo interior dominante insaciável na sua mórbida paixão de governança...
Para esse cometimento, ante a falência das conquistas exteriores e dos códigos impostos pelas conveniências da arbitrariedade humana, os Espíritos que se transferiram do corpo, sem, porém, abandonarem a Vida, retomam à Terra, convocando as criaturas ao despertamento pelo amor e pela razão, antes que a dor selvagem e devastadora realize a tarefa de edificar o mundo dó futuro, onde a fraternidade e a compreensão sejam predominantes nas almas, prenunciando a Era melhor da harmonia de que fala o Excelso Principe da Paz...
Envidar esforços, hoje e agora, em favor do esclarecimento das consciências humanas; contribuir com amor em prol da solidariedade entre as criaturas; ceder ao bem todos os investimentos possíveis; perseverar nos ideais relevantes e enobrecedores; zelar pela ordem e viver a caridade sob a meridiana luz do Evangelho desvelado pela Doutrina Espírita, são compromissos e deveres de todos aqueles que confiamos na Vida e anelamos pelo bem na Terra como etapa próxima de ventura para todos.
Livro: Terapêutica de Emergência.
Espíritos Diversos / Divaldo Franco.

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