sábado, 9 de janeiro de 2016

Apelo da Migalha - Scheilla

Eu sou a migalha!...
Neste mundo de paradoxos e desperdícios, vivo desprezada.
Abandonam-me sem cogitar do quanto me poderiam utilizar a bem dos que nada têm.
Há, no mundo, vidas humanas que se alimentam de insignificantes quotas de pão.
Com as migalhas atiradas ao lixo poderia ser modificada a tormentosa situação de inumeráveis criaturas.
Moedas de pouco valor, retalhos de tecido, roupas e calçados já não usados - migalhas da abundância - bastariam para socorrer milhões.
O oceano imenso resulta da gota dágua.
O jardim formoso surge do pólen invisível.
Não creio ser possível, de momento, modificar a vida terrena. Desejo, apenas, contribuir de alguma forma.
Não te escuses do amor ao próximo. Vem comigo! Dá-me tua quota - tua migalha desconsiderada.
Eu sou a migalha!
Ajuda-me a ser utilidade e realização.
Scheilla / Divaldo Franco
Livro: Terapêutica de Emergência.

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