domingo, 11 de janeiro de 2015

A EXPULSÃO DOS DEMÔNIOS - Miramez

0480/LE
Sendo os “demônios” nossos irmãos, por que expulsá-los, sem dar-lhes, em primeiro lugar, o nosso amor? Onde estaria a caridade que tanto aprendemos com Jesus? Os demônios são considerados, notadamente, os Espíritos ignorantes, da lei de amor. Eles precisam conhecer esse amor que os tornará bons, pela natureza da verdadeira bondade.
Expulsar para onde? Eles, quando se juntam a determinada pessoa, o fazem por lei de afinidade. Nesse caso, esta pessoa deveria acompanhá-los, para onde deseja que eles vão, se os expulsa. A Doutrina dos Espíritos nos ensina que devemos tratar o doente, seja qual for a enfermidade, pelas causas que a geraram, e não pelos seus efeitos. Se a causa da obsessão é a enfermidade moral da criatura, para expulsá-los basta curar primeiro a criatura, trabalhar nas mudanças dos pensamentos e das ações que têm o poder de gerar ambiente de atração de Espíritos do mesmo sentimento. Convém entender esta lei, para ficarmos livres daquilo que não desejamos.
A oração mais forte, pela qual logo seremos atendidos, é a prece da vida que levamos. Se pensamos de uma forma, esse pensamento é uma súplica, e é por ele que se aproximam de nós os nossos iguais. É lei de justiça. Para ficar livre de todas as espécies de “demônios”, basta harmonizar a mente com a mente de Jesus. Pode ser que no início não se alcance tanta harmonia quanto a do Cristo, mas o importante é começar, que é neste começo que o Senhor passa a ajudar, e se houver continuidade no esforço para melhorar, as mãos invisíveis trabalharão em nosso socorro com a mesma insistência que aplicamos em nosso caminho.
Devemos cuidar de nós mesmos, em todas as oportunidades. Sem preparo, como ajudar aos outros?
A expulsão de demônios, mencionada no Evangelho, foi por demais generalizada, colocando todo desequilíbrio como sendo influência de Espíritos inferiores, e a Reforma pegou ao pé da letra muitos dos ensinamentos, sem compreender a essência espiritual. Vê bem o que Jesus sempre, ou quase sempre, dizia com o doente que Ele curava: -“Vai e não peques mais”, mostrando que toda enfermidade tinha princípio nas faltas cometidas. Ainda hoje está plenamente atualizada a palavra do Mestre, e principalmente as interpretações dadas pela Doutrina dos Espíritos.
Reformando-se a mente, o modo de pensar e de agir, educando-se as palavras, vai limpando o carma, porque ele é efeito das desarmonias da alma. É o que já falamos muitas vezes em diversas mensagens: melhorando por dentro, tudo por fora melhora. Quem deseja se certificar dessa verdade, pode experimentar o que dizemos. Toda semente que semeamos em terra boa, cresce e dá frutos, pelo mesmo valor que a intimidade dela carrega. Muitas religiões e filosofias combateram ferozmente a Doutrina dos Espíritos; hoje abrandaram depois que passaram a conhecer os fundamentos do Espiritismo com Jesus, porque o bem é imortal, é como o sol que não se apaga. Ele é alimento em forma de luz, para bons e maus, para justos e injustos, por ter nascido do amor.
Se queres chamar a enfermidade de demônio, que chames; se queres chamar os Espíritos de demônios que o faças; mas verdade é que essas coisas ou Espíritos se encontram ligadas aos homens, e mesmo aos Espíritos, por afinidade espiritual. Os desejos são atrações fortes, atraindo tudo que vibra na sua faixa. Se és alegre, a alegria vem ao teu encontro, da maneira que pensas que ela é boa para ti. Assim o amor, assim a fraternidade e os outros sentimentos.
Não deves pensar em expulsar os demônios, mas em ajudá-los na sua educação, para que se tornem anjos. Esse é o trabalho que alegra Jesus.
Livro: Filosofia Espírita – Volume X
Miramez / João Nunes Maia
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
480. Que se deve pensar da expulsão dos demônios, mencionada no Evangelho?
Depende da interpretação que se lhe dê. Se chamais demônio ao mau Espírito que subjugue um indivíduo, desde que se lhe destrua a influência, ele terá sido verdadeiramente expulso. Se ao demônio atribuirdes a causa de uma enfermidade, quando a houverdes curado direis com acerto que expulsastes o demônio. Uma coisa pode ser verdadeira ou falsa, conforme o sentido que empresteis às palavras. As maiores verdades estão sujeitas a parecer absurdos, uma vez que se atenda apenas à forma, ou que se considere como realidade a alegoria. Compreendei bem isto e não o esqueçais nunca, pois que se presta a uma aplicação geral.

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