domingo, 18 de janeiro de 2015

Reencarnação e Cultura – Martins Peralva.

O saber ensoberbece, mas o amor edifica
A cultura —  como todos os dons que felicitam o Espírito no caminho da plenitude evolutiva — desenvolve­se em função das vidas sucessivas.
É uma conquista que a alma realiza no curso de milênios sem conta. Os gênios do pensamento que transitaram pelo mundo à maneira de inextinguíveis faróis — Confúcio, Sócrates, Leonardo Da Vinci, Goethe, Rui Barbosa, Einstein e outros, foram almas insipientes, nos primórdios da sua evolução.
Inteligências primárias, que tatearam, também, nas sombras da mediocridade. Tiveram, enfim, a mesma origem de todos os homens.
O princípio espírita de que todas as almas “foram criadas simples e ignorantes” revela a inexistência de favoritismos e privilégios nas leis divinas.
Na balança de Deus não há, como ocorre na do homem, dois pesos e duas medidas.
A Humanidade tem, obviamente, origem comum. Viaja para o mesmo destino — a perfectibilidade. Percorre as variadas e múltiplas estações do aprendizado, neste e noutros mundos disseminados pelo Universo.
A soma dos valores culturais, como a dos valores morais, representando aquisições que se perdem nas brumas do tempo, faz que despontem, aqui e alhures, ontem e hoje, nas radiosas constelações da Sabedoria, refulgentes estrelas, inconfundíveis por seu brilho ímpar.
A cultura, entretanto, pode ser, muita vez —  como a fortuna, a beleza física, o poder, motivo para a desgraça do homem, quando essa cultura, desprovida de humildade e amor, o conduz, pela presunção, ao detestável vício do narcisismo intelectual.
O homem rico de cultura, mas pobre de bons sentimentos, é um infeliz, embora se julgue um deus.
Cultura sem lastro espiritual significa, em quaisquer circunstâncias, perigo para a alma.
Por isso, o apóstolo, que possuía a sabedoria pelo Espírito, advertia, escrevendo aos cristãos de Corinto: “O saber ensoberbece, mas o amor edifica.” E, mais adiante, aclarando o seu pensamento: “Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito não aprendeu ainda como convém saber.”
A reencarnação é o meio, e a perfeição o fim. Deve o homem preparar­se, por ela, no sentido de, realizando­se interiormente, evangelicamente, palmilhar, sem maiores inconvenientes, a senda do conhecimento, aprendendo  “como convém saber”.
É sempre possível encontrarmos no mundo, reencarnado na condição de idiota incurável, um gênio do passado que abusou do direito de ser inteligente e culto para oprimir e matar.
Nunca se há de encontrar, no entanto, alguém expiando crimes por muito ter amado.
Não é demais lembrar o Mestre, no episódio com a pecadora que lhe ungira os pés: “Perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque muito ela amou.” O homem, simplesmente intelectual, usa a inteligência, aplica o conhecimento e emprega a cultura só e só na satisfação de sua vaidade pessoal. Para enaltecimento do ego — Vanitas vanitatum et omnia ixtnitas!
O homem evangelizado, que retém os patrimônios da sabedoria — a que “não incha” —  sabe que nada possui de seu, pois reconhece, com humildade consciente, que inteligência e cultura são dons celestes que a sua receptividade absorveu na esteira dos milênios.
Nos estudos da fenomenologia mediúnica, no campo do Espiritismo Cristão, podem ser  encontrados numerosos exemplos de cientistas que reencarnaram em dolorosas circunstâncias. Alguns, cegos — sem a bênção da visão física.
Muitos, inutilizados — torturados na epilepsia ou na lepra. Outros — hidrocéfalos ou idiotas.
Outros, ainda — paralíticos, surdos­mudos. . Centenas deles cruzam, conosco, as ruas do mundo, carregando nas profundezas subconscienciais alucinantes visões, quadros terríveis. Permanecem atormentados ante o alarido das vítimas do passado, que lhes não perdoaram a perversidade — filha da intelectualidade sem Deus. Vivem sob o peso das objurgatórias da própria consciência. .
* * * 
Aqueles, contudo, que muito amaram no pretérito, podem estar sofrendo no mundo —  mas sofrendo por amor.
Nos labores construtivos, na renúncia à vida em gloriosos mundos, continuam na Terra ajudando aos que permanecem nas retaguardas experienciais.
Essas almas se acrescem de sublimados valores. Contabilizam, na escrita dos Céus, ilimitados créditos. Para os que menosprezarem os bens da inteligência e da cultura, abre­lhes o Espiritismo, com a perspectiva da reencarnação, panoramas de renovamento.
O “nascer de novo”, do maravilhoso diálogo de Jesus com Nicodemos; o “nascer da água e do Espírito”, e não o “nascer” simbolizando, apenas, a renovação espiritual sem o resgate dos crimes cometidos, constitui mensagem de esperança para as almas que choram nos vales sombrios — embora transitórios — dos planos inferiores.
A reencarnação  —  a chamada “bênção do recomeço  —  acena a todos os falidos do caminho, a todos que fracassarem em sucessivos tentames.
Oferta­lhes a certeza de novas existências reparadoras e de aprimoramento.
Oferece­lhes, como  se fosse um carinhoso “recado  de Deus” aos seus filhos mais infelizes, oportunidade para que voltem ao mundo; — sim, a Reencarnação é um amoroso recado  de Deus à Humanidade! 
Permite­lhes o retorno à ribalta terrestre, para, com atos positivos do Bem, neutralizarem os perniciosos efeitos gerados por atos negativos do  Mal —  nos desvios da Inteligência e na perversa aplicação da Cultura não evangelizada.
Quando se fala ou escreve sobre Reencarnação, é imperioso se pense em cultura, porque, sem a repetição de experiências — dezenas, centenas de vezes, os primeiros homens seriam, ainda, uns brutos, uns selvagens.
Como aprenderam?
Com quem aprenderam?
Com o Espiritismo —  que prega e difunde o intercâmbio  espiritual entre os mundos ­  moradas do Pai -  não é difícil compreendermos como e com quem aprenderam os primeiros homens, os terrícolas.
Livro: Estudando O Evangelho.
Martins Peralva.

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