terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

AÇÃO OCULTA - Miramez

0501/LE
A ação do Espírito protetor ao seu tutelado é oculta, e não poderia ser de outro modo, porque quem recebe ajuda muito visível, além de ficar dependente, se acomoda, fica esperando somente da fonte que lhe dá de beber, esquecendo-se do seu dever no campo do esforço próprio.
Observemos um pai, quando dá tudo ao filho, sem dele exigir cooperação: o filho se acomoda e não quer se esforçar no trabalho, faltando-lhe o estímulo no cumprimento dos seus deveres ante a vida. Quando os pais, ao contrário, exigem dos filhos o trabalho que está à altura das suas forças, eles geralmente são filhos cumpridores dos deveres e se tornam pessoas de bem e honradas.
Se os guias espirituais ficassem visíveis aos seus protegidos, seriam agredidos por eles com o petitório constante, e a dependência cresceria. Eles sabem do que precisamos para a nossa evolução espiritual. Na verdade, em todas as faixas de vida temos nossos protetores que nos amam; quanto mais elevadas as faixas, mais liberdade de ação eles permitem aos seus tutelados. No entanto, periodicamente se aproximam dele e deixam sua mensagem intuitiva, em meio à conversação do cotidiano.
Deus se encontra em toda parte, no entanto, para os planos mais baixos, se encontra manifestado pela própria natureza. Ele se oculta para aprendermos como pedir e sabermos receber a Sua constante ajuda espiritual. Quem costuma orar com humildade e aprimora esse ambiente de luz, sente as palavras do seu tutor espiritual no âmago da consciência, a lhe dizer quais os caminhos que deverá seguir, e pode aprimorar-se no exercício da súplica, que ela é verdadeiramente o caminho de grandes qualidades espirituais. Pelo ambiente criado por ela as forças superiores ajudar-nos-ão a entender o que é a verdade e seguir os caminhos retos, assimilando a vida no esplendor do amor.
A caridade maior nós recebemos no silêncio de Deus, pelos canais sublimados de Jesus, e Ele derrama Sua luz sobre os anjos para nos ajudarem a compreender melhor as leis, passando a praticá-las. O discípulo inteligente aprende melhor as lições que vêm ocultamente, sentindo a sua essência como sendo a voz de Deus, pelos meios possíveis que Ele mesmo criou para a felicidade dos Seus filhos.
Não precisas te desesperar em nenhuma das situações por que venhas a passar. Perto de ti se encontra a solução ocultamente. Medita, busca, espera e usa a fé, que a solução não tardará.
Deus é pai, muito mais do que pensas e não esquece os Seus filhos do coração. Os Espíritos, quanto mais elevados, mais conversam no silêncio. Os que precisam de barulho mostram que ainda não entenderam os princípios da verdade.
Respeita a vida e tem certeza de que em torno de ti se encontram testemunhas inúmeras, assistindo todos os teus feitos e te dando conselhos para acertares mais. Eles não se revoltam com a dureza de coração; trabalha mais para que entendas o motivo pelo qual estão te dando opiniões, mesmo ocultamente. Isso ocorre por ordem de Deus, sob a influência de Jesus.
Vê as tuas mãos, o de que elas precisam. Dá-lhes trabalho, o que não falta. O Mestre espera de ti o que podes ofertar para os que sofrem e choram, os que se encontram sem teto e nus.
Quando entenderes a mensagem oculta em teu benefício, passarás a dar também com uma mão, sem que a outra veja.
Livro: Filosofia Espírita – Volume X
Miramez / João Nunes Maia.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
501. Por que é oculta a ação dos Espíritos sobre a nossa existência e por que, quando nos protegem, não o fazem de modo ostensivo?
Se vos fosse dado contar sempre com a ação deles, não obraríeis por vós mesmos e o vosso Espírito não progrediria. para que este possa adiantar-se, precisa de experiência, adquirindo-a freqüentemente à sua custa. É necessário que exercite suas forças, sem o que, seria como a criança a quem não consentem que ande sozinha. A ação dos Espíritos que vos querem bem é sempre regulada de maneira que não vos tolha o livre-arbítrio, porquanto, se não tivésseis responsabilidade, não avançaríeis na senda que vos há de conduzir a Deus. Não vendo quem o ampara, o homem se confia às suas próprias forças. Sobre ele, entretanto, vela o seu guia e, de tempos a tempos, lhe brada, advertindo-o do perigo.

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