domingo, 28 de dezembro de 2014

Jesus e Deus - II / Martins Peralva.

Meu Pai, nas tuas mãos entrego a minha alma
Vai o Espiritismo ganhando terreno não só no coração, mas também na consciência da Humanidade, em virtude da lógica de sua doutrina e da clareza com que estuda e elucida os problemas da evolução espiritual.
E como os explica com simplicidade, a cada dia mais se veem os seus adeptos defrontados com variadas interpelações, das mais simples às mais complicadas.
Percebe­se, no homem moderno, a ânsia do conhecimento.
E como quem está sequioso procura, naturalmente, dessedentar­se, vem­se o Espiritismo  constituindo, sob  os clarões do Evangelho, a fonte generosa que a todos ampara, na sublime missão de servir.
Inegavelmente vem sendo a Doutrina Espírita o poço de Jacob da atualidade. Localizado à margem do caminho, fornece aos viajores a preciosa linfa do esclarecimento e da consolação.
Assim sendo, cresce a responsabilidade dos que lhe abraçam os ideais renovativos; eis que se tornam alvo de expressivas indagações, inclusive das que se referem à personalidade de Jesus, que, no parecer de muita gente, é o próprio Deus.
Embora dispensando o maior apreço à opinião dos que pensam, aceitam e difundem a ideia de que Jesus e Deus são a mesma entidade, somos compelidos a abordar, com sincera genuflexão, o delicado e transcendente problema.
Coloquemos, todavia, à guisa de moldura, as próprias palavras do Mestre. Folheemos, pois, mui respeitosamente, o Evangelho do Senhor Repositório de Suas lições, Santuário de Suas palavras.
Deixemos que os próprios ensinos do Cristo de Deus façam luz sobre o  assunto, equacionem o problema que tanto tem aguçado a curiosidade dos homens.
As passagens que alinharemos a seguir foram extraídas do Novo Testamento. Todas elas se reportam, com absoluta clareza, ao assunto em estudo, deixando, pelo  menos a nós, Espíritas, a convicção de que Jesus é um, e Deus é outro.
Um — é o Pai; outro — é o Filho.
Deus — o Criador do Universo.
Jesus — o Governador Espiritual da Terra.
O primeiro — Outorgante.
O Segundo — Outorgado.
Reflitamos, pois. “A palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou.” — João, 14: 24.
“Porque me chamais bom? Não há bom senão um só, que é Deus.” -Mateus, 19: 17; Marcos, 10: 18; Lucas, 18: 19.63
– “. . . eu  desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” — João, 6: 38.
“Assim procedo para que o mundo saiba que eu  amo o  Pai e faço como o  Pai me ordenou.” — João, 14: 31.
“Quem quer que me recebe, recebe aquele que me enviou.” — Lucas, 9: 48.
“. . . agora procurais dar­me a morte, a mim que vos tenho dito a verdade que aprendi de Deus.” — João, 8: 40.
“Ainda estou  convosco por um pouco de tempo e vou  em seguida para aquele que me enviou.” — João, 7: 33.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador a fim de que esteja para sempre convosco.” — João, 14: 16.
“Se me amásseis, alegrar­vos­íeis de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.” — João, 14: 28.
“Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice.” — Mateus, 26: 39.
Mais adiante, no versículo 42, continua a sublime e incompreendida conversação com Deus:
“Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice, sem que eu  o beba, faça­se a tua vontade.”
Mais adiante, ainda, o incisivo, admirável, incontrovertido apontamento de Lucas (capítulo 23º, versículo 46): — “Meu Pai, nas tuas mãos entrego a minha alma.”
* * * 
Jesus declara que a palavra ouvida não foi sua, mas do Pai. Que Ele não é bom, mas Deus o é. Que não desceu do Céu para fazer a Sua vontade, mas a d’Aquele que O enviou. Que ama o Pai. Que quem O recebe, recebe Aquele que O enviou.
Que aprendeu a verdade de Deus. Que vai para junto d’Aquele que O enviou.
Que rogará ao Pai e Ele nos dará outro Consolador.
Que, se O amássemos, alegrar­nos­íamos de que fosse para o Pai. Que o Pai é maior do que Ele. Pede que o cálice seja afastado d’Ele, se possível. Que, se não for possível, se faça a vontade do Pai. Entrega, afinal, nas mãos de Deus o Seu Espírito, a Sua Alma.
Livro: Estudando O Evangelho.

Martins Peralva.

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