quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Vigilância - Martins Peralva.

Cingidos estejam VOSSOS corpos e acesas as vossas candeias
As condições em que despertaremos, na Espiritualidade, após a morte corporal, dependem, efetiva e indisfarçavelmente, do nosso estado evolutivo.
Do rumo que tivermos imprimido aos nossos passos. Do esforço evangélico empreendido. Da maneira como tivermos sabido valorizar o tempo.
O Espiritismo tece, sobre este assunto, oportunas e valiosas considerações, aclarando, assim, o pensamento do Mestre. A situação do homem, após a desencarnação, suscita o  interesse para os primeiros instantes de vida na esfera subjetiva! 
O acordamento, em si mesmo, como fenômeno insólito, estranho, surpreendente, inesperado.
A recuperação gradual da memória, no perispírito, com a consequente lembrança dos fatos que nos poderão dar paz ou desassossego. O reencontro com amigos e adversários, em planos determinados pelo  nosso peso  específico.
A resposta da Lei à nossa vigilância na fraternidade ou à nossa insensatez ante a grandeza da vida, mediante indefiníveis júbilos ou insuportáveis tormentos.
O conhecimento, espontâneo ou  compulsório, segundo as circunstâncias e necessidades educativas, de outras existências, assinalando, nos quadros da memória supra­normal, reminiscências suaves e doces, ou dolorosas e amargas.
O grau, a natureza, a duração de nossos retrospectos mentais. Tudo isso, expressando a realidade imanente, condicionar­se­á aos próprios valores morais e espirituais de quem parte no rumo da Eternidade...
Resultará do plantio que tivermos feito, pois colheremos o que semearmos. Representará a indefectível reação da Lei às nossas atitudes, palavras e pensamentos na vida terrena, onde, há cerca de dois milênios, vimos caminhando sob a luz do Evangelho da Redenção.
Tudo isso — repetimos — dependerá da maior ou menor firmeza com que nos tivermos conduzido no Mundo.
A palavra de ordem, portanto, enquanto estamos no plano físico, deve ser:
Vigilância, vigilância, vigilância. . .
Evidentemente, o Mestre não pede santificação da noite para o dia.
Ninguém adormece pecador, para despertar angelificado.
Mas é possível ao homem deitar­se vazio de ideias nobilitantes, escravo da preguiça e da incerteza, descrente e amorfo, e levantar­se, na manhã seguinte, renovado e feliz, desejoso trocar o encardido vestuário da indolência e da irresponsabilidade, pela túnica singela, mas bem cuidada, do servidor operoso.
A santificação, de fato, exige muito; mas a boa vontade custa menos.
Há um ditado, bem conhecido, que assegura: — “A noite é boa conselheira.” Contudo, aqueles que o divulgam ignoram, em sua maioria, a substância, a essência do  enunciado popular.
O Espiritismo faz luz sobre o assunto. Explica que, ao adormecermos, o nosso Espírito, parcialmente liberto, reúne­se, em certas ocasiões, a entidades amigas e generosas que lhe transmitem sábios conselhos, preciosas advertências, sugestões benevolentes que nos fazem despertar mais felizes, mais esperançosos, mais lúcidos, mais inspirados na solução dos problemas da vida.
No jogo  das aparências, em que se comprazem os homens, de fato é a noite “boa conselheira”.
Na realidade, porém, excelentes companheiros — carinhosos instrutores espirituais — é que nos esperam, durante o repouso físico, para traçarem valiosas diretrizes que possibilitem o  equacionamento de complexas questões de nossa experiência evolutiva.
Urge, pois, exerçamos a vigilância. Preservemos a saúde do corpo e a harmonia do Espírito. Santifiquemos os olhos diante do mal. Eduquemos o ouvido. Controlemos a língua.
Imprimamos direção evangélica aos nossos passos. Evitemos animosidades — monstros que se prolongam além da vida física.
Absorvamos, enfim, o perfume que se evola das eternas lições que o Divino Amigo nos legou, cingindo nossos corpos e acendendo as nossas candeias.
* * * 
Enquanto no Mundo, é possível refletir com segurança e agir com relativo equilíbrio. No entanto, após o desenlace corporal, quando se patenteiam e se evidenciam os nódulos espirituais e os desajustes psíquicos, o problema da segurança e do equilíbrio se torna menos fácil. Sem o refúgio do vaso físico, a preservá­la do assédio das sombras, a alma que se não  movimentou no bem Se recomporá com mais dificuldade.
Imprevisível é a hora da grande transição. Compete­nos, destarte, permanecermos na vigilância, na identificação com o Reino de Deus e Sua Justiça, a fim de que partida e chegada não sejam ocorrências dolorosas.
Especialmente a chegada. Viver no bem — aprendendo e servindo, amando e perdoando — para que o adormecer  seja suave, e o despertar sublime.
Cinjamo­nos, pois, com a túnica da benevolência e do perdão incondicional, para que a candeia da fé e do conhecimento superior ilumine nossos passos, além da morte, assegurando­nos, assim, a alegria que se não extingue. E a felicidade que se não acaba.
Livro: Estudando O Evangelho.
Martins Peralva.

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