terça-feira, 2 de dezembro de 2014

VONTADE E ADVERSIDADE - André Luiz

Realização alguma surgirá na edificação da felicidade sem que nos disponhamos ao uso nobre do livre-arbítrio.
A vontade é alavanca do destino.
Alavanca, porém, por dispositivo de impulso ou direção em qualquer engenho é suscetível de ser movida para um lado ou para outro.
O leme nas mãos do condutor equilibrado guia o barco à estação justa, no entanto, sob o controle de navegante desprevenido atira o abrigo flutuante sobre os rochedos.
Nós queremos isso ou aquilo, mas nem sempre conhecemos o que desejamos.
Sonhamos com a supressão imediata de todas as provações que fustigam a Humanidade. Este chega a ser um dos ideais mais elevados que somos capazes de acalentar, porquanto é necessário extinguir todas as dores que, de um modo ou de outro, infestam o mundo.
Entretanto, que seria de nós se doenças e lutas nos abandonassem de chofre, a área de esforço evolutivo, se ainda trazemos cargas pesadas de egoísmo e de orgulho, à maneira de arestas que o buril do sofrimento precisa desbastar?
Empenhamo-nos em arredar apressadamente a morte do âmbito das atividades terrestres e devemos esforçar-nos pela conquista de longevidade tão grande quanto possível para a existência humana, contudo, que seria de nós sem a possibilidade de renovar-nos, através da reencarnação?
Com semelhantes assertos não estamos escrevendo a apologia da dor e da morte contra o bem-estar e contra a vida, apenas enunciamos o impositivo de nos ajustarmos às Leis Naturais, conformando-nos com elas, sempre que se expressem no sentido contrário às nossas expectativas.
Se a Providência Maior atendesse de improviso a todas as nossas súplicas, a pretexto de benevolência para conosco, a vida perderia o sentido e a Terra, a breve tempo, nada mais seria que um manicômio de largas proporções, em que petitórios satisfeitos fora de tempo gerariam solicitações descabidas e ambições desregradas, situando-nos em desajustamento e loucura.
Empreguemos vontade e esforço na execução dos compromissos que se nos erguem à frente, sem entrar em desânimo ou tristeza, quando os acontecimentos se mostrarem aparentemente contra nós.
Obter vantagem determinada só é vantagem quando o benefício de hoje pode ser benefício amanhã e no futuro.
Indispensável pensar se o proveito de agora será proveito depois...
Daí haver Jesus incluído o problema do querer, na oração inesquecível que nos deixou, quando nos ensina a afirmar diante de Deus: "seja feita a vossa vontade assim na Terra como nos Céus"...
Livro: Sol nas almas.
André Luiz / Waldo Vieira.

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