sábado, 25 de janeiro de 2014

O ESPÍRITO NA SUA ORIGEM - Miramez

0262/LE
O Espírito na sua origem é simples e ignorante, contudo, ele tem a devida assistência na sua jornada inicial. Ele é guiado por benfeitores espirituais que o conduzem pelos fios do instinto, com toda a segurança. Ele, nesse estado d'alma, ainda não sabe cuidar da sua própria evolução. O seu despertamento vem pelas vias naturais, na gradação que o progresso pode dar, onde não participa seu esforço próprio, por não ter conhecimento da sua tarefa na Terra, a não ser pela intuição das leis que dormem no fundo da sua consciência, forças essas que despertam com o perpassar do tempo.
Ao raiar dos primeiros sinais de individualidade, o Espírito passa a escolher o que mais lhe convém, sem raciocinar no que poderá acontecer. As facilidades levam-no ao orgulho e ao egoísmo, e a violência cresce pelo poder da razão. Assim, o instinto que antes servir-lhe-ia de guia, se atrofia na sua origem.
É bom que não acreditemos que foi culpa da própria alma, ao escolher os caminhos que se tornarão em carma, em faltas que atraem reações compatíveis com o que foi feito. São processos criados por Deus, para educar todos os Seus filhos. Eis porque todos passamos por esses meios, e deles tiramos muito proveito no desenrolar do tempo, sob a elasticidade do espaço.
Muitos espiritualistas e espíritas custam a entender o que é livre-arbítrio. Basta pensar que Deus é onisciente e que, quando fez o Espírito, sabia desses caminhos que ele, na sua origem, deveria percorrer. Ele deixa a alma tomar esses roteiros por saber que são os melhores para o seu engrandecimento espiritual.
Como discutir com o Senhor? Ele não pede opinião aos homens, nem mesmo aos anjos para fazer as Suas leis. Ainda existem muitos segredos nas origens da alma, que no amanhã todos iremos saber. O conhecimento é gradativo. A criança se alimenta de leite materno, e o adulto de alimentos mais grosseiros; assim são os Espíritos, assim é a lei.
Todo livre-arbítrio é inspirado nas leis universais. Daí, se pode deduzir que somente Deus comanda tudo, desde a matéria primitiva na candura da sua origem, até à Sua corte celestial. A liberdade que cresce com o crescimento espiritual somente não sofre interferência quando tudo se encontra na harmonia, que corresponde às nossas necessidades. O Espírito foi feito simples e ignorante, mas, por dentro, carrega consigo, como tesouro divino, a vontade de Deus.
Podemos dizer que tudo que ocorre com o Espírito são processos de despertamento espiritual, de modo a levá-lo a conhecer a verdade. O Senhor Supremo nunca Se esquece de Seus filhos em todas as circunstâncias, e ainda nos ensina a nos ocuparmos de nós mesmos. O bem que fazemos a nós e aos outros verte de leis naturais e se afina com a consciência, de modo a nela permanecer para a eternidade. O mal nos incomoda; por isso deve sair de dentro de nós, cedendo lugar ao amor e à caridade. O óleo não se mistura com água.
Jesus Cristo, devemos dizer sempre com alegria, foi a misericórdia de Deus para a humanidade, que veio nos ensinar a acelerar nosso crescimento e nos tornar livres, mais depressa, das paixões inferiores e, com isso, saber tomar as decisões acertadas em todos os caminhos que nos compete trilhar.
Livro: Filosofia Espírita – Vol. VI
Miramez / João Nunes Maia.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
Escolha das provas
262. Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e carecido de experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?
Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazeis com a criancinha. Deixa-o, porém, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, senhor de proceder à escolha e só então é que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos dos bons Espíritos. A isso é que se pode chamar a queda do homem.
262a) Quando o Espírito goza do livre-arbítrio, a escolha da existência corporal dependerá sempre exclusivamente de sua vontade, ou essa existência lhe pode ser imposta, como expiação, pela vontade de Deus?
Deus sabe esperar, não apressa a expiação. Todavia, pode impor certa existência a um Espírito, quando este, pela sua inferioridade ou má-vontade, não se mostra apto a compreender o que lhe seria mais útil, e quando vê que tal existência servirá para a purificação e o progresso do Espírito, ao mesmo tempo que lhe sirva de expiação.

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