terça-feira, 16 de maio de 2017

Lecioneto / pequena lição - 64

93. O sufixo ig indica “fazer”, isto é, “tornar” tal como o designa a raiz à qual é acrescentado; p. ex.: bela belo, beligi embelezar; klara claro, límpido, klarigi clarificar (também “esclarecer, explicar”); blanka branco, blankigi branquear (alvejar, tornar branco); ruĝa vermelho, ruĝigi avermelhar, enrubescer; ruino ruína, ruinigi arruinar; kruco cruz, krucigi cruzar (por em forma de cruz); kun com, kunigi juntar; tro demais, troigi exagerar.
Junto a raízes verbais, indica:
a) provocar a realização do ato indicado pela raiz; p. ex.: decidi decidir, decidigi fazer decidir, - i. e. fazer tomar uma resoluçâo; devi dever, devigi obrigar; envii invejar, enviigi fazer inveja; esti ser, estigi formar, causar;
b) fazer que seja. . . ; p. ex.: koni conhecer, konigi tornar conhecido, revelar; senti sentir, sentigi fazer que seja sentido; aŭdi ouvir, aŭdigi fazer que seja ouvido; havi ter, havigi fazer ter-se, proporcionar.
c) Ao verbo “fazer” está muito ligado o verbo “mandar”, de sorte que o sufixo ig, com raízes verbais, se presta à formação de verbos cuja significação é “mandar” seguido do infinitivo referente ao verbo da raiz; p. ex.: Venigu la servistinon — Mande vir a criada. Mi farigis paron da ŝuoj Mandei fazer um par de sapatos.
NOTA — Não somente verbos se podem criar com ig, mas também substantivos, adjetivos e advérbios. P. ex.: kontenta satisfeito, kontentigo satisfação (i. e. justificação, indenização); nulo zero, nuligo anulação; laca cansado, laciga cansativo; devi dever, deviga obrigatório; neĝo blindige blanka — neve ofuscantemente branca (blinda cego, blindigi cegar).
94. Com este sufixo pode formar-se o verbo igi, que naturalmente significa “fazer” (ou “mandar”), mas de aplicação restrita: o complemento de igi só pode ser verbo. Assim, em vez de supozigi (fazer supor) é legítimo desdobrar em igi supozi; em vez de konstruigi (fazer, ou mandar, construir) pode-se dizer igi konstrui. Não se diga, entretanto, p. ex. igi bela, igi publika, igi reĝo, etc.; com adjetivos etc. o verbo “fazer” é mesmo fari, isto é, fari bela, fari publika, fari reĝo. P. ex.: A cólera fazia-a bela — La kolero faris ŝin bela. Façam público este meu desejo —Faru publika ĉi tiun mian deziron. Fizeram-no rei - Oni faris lin reĝo. A ninguém fiz chorar, a ninguém fiz desgraçado — Neniun mi IGIS plori, neniun mi FARIS malfeliĉa. (Note-se o predicativo bela,publika, reĝo, malfeliĉa em nominativo!).
95. O sufixo iĝ indica “fazer-se”, isto é, “tornar-se” tal como o designa a raiz à qual se junta; p. ex.: beliĝi embelezar-se; ruĝiĝi avermelhar-se, ruborizar-se (corar); bruta bruto, brutiĝi embrutecer-se: pala pálido, paliĝi empalidecer (ficar. pálido); alia outro, aliigi mudar (tornar outro), aliiĝi transformar-se (tornar-se outro ou diferente); edziĝi casar-se (o homem); edziniĝi casar-se (a mulher);geedziĝi casarem-se (tornarem-se casal); mateno manhã, mateniĝi amanhecer; al a (preposição), aliĝi aderir; stari estar de pé, stariĝi levantar-se, por-se de pé; sidi estar sentado, sidiĝi sentar-se; kuŝi estar deitado, kuŝiĝi deitar-se; genui estar ajoelhado, genuiĝi ajoelhar-se.
NOTA — Outras categorias gramaticais, além de verbos, podem derivar-se com o sufixo iĝ, porquanto aos verbos terminados em iĝi correspondem substantivos, adjetivos e advérbios; p. ex.: sufokiĝi sufocar-se, sufokiĝo sufocação; naskiĝi nascer, naskiĝo nascimento; distingiĝi distinguir-se, distingiĝo distinção, distingiĝa distinto; etc.
Por sua própria natureza, as palavras que encerrem este sufixo implicam uma ideia “passiva”, enquanto as formadas com ig acarretam uma ideia “ativa”. Assim, p. ex.: unuigi unificar, unuiĝi unificar-se. Teríamos, então: Esperanto celas la unuigon de la popoloj — O Esperanto visa a unificação dos povos (= feita por ele ), isto é: Esperanto celas unuigi la popolojn. Mas: Per Esperanto fine fariĝos la unuiĝo de la popolojn — Pelo Esperanto finalmente se dará a unificação dos povos (= feita pelos povos mesmos); isto é: Per Esperanto la popoloj fine unuiĝos. Outro exemplo: Humiliĝo venkas ĉiajn provojn de humiligado - A humilhação (= que a própria pessoa se impõe) vence todas as tentativas de humilhação (= que outrem queira impor).
96. O sufixo iĝ daria lugar ao verbo iĝi, com a espontânea significação de “fazer-se”, ou “tornar-se”, ensejando-se, destarte, modos de dizer como, p. ex.: iĝi ruĝa, iĝi alia, iĝi edzo, etc. Embora se encontrem estas expressões, quer na moderna literatura, quer em gramáticas e dicionários, não recomendamos o emprego de iĝi, como vocábulo autônomo; Zamenhof só usava, nestes casos, fariĝi. Sempre digamos, portanto: fariĝi ruĝa, fariĝi alia, fariĝi edzo, etc., não: iĝi ruĝa, iĝi alia e quejandos barbarismos.
97. O sufixo ig serve também para tornar transitivo um verbo intransitivo, p. ex.: ĉesi cessar, chegar a termo,ĉesigi fazer cessar; kuŝi estar deitado, kuŝigi deitar (por deitado); starigi levantar, por de pé; sidigi assentar, por sentado; venigi fazer (ou “mandar”) vir, mandar buscar; akordi estar de acordo, akordigi pôr de acordo; morti morrer, mortigi matar; daŭri durar, daŭrigi continuar, dar continuação; pluvi chover, pluvigi fazer chover; etc. Tais verbos, assim transitivados, chamam-se factitivos.
98. O sufixo iĝ presta-se ao inverso, isto é, a tornar intransitivo um verbo transitivo, p. ex.: komenci começar, dar começo, komenciĝi começar, ter começo, iniciar-se; fini terminar, pôr termo, finiĝi terminar, chegar a termo; veki acordar, tirar do sono, vekiĝi acordar, tirar-se do sono.
99. O sufixo iĝ, conforme temos verificado, exprime a ideia de “passagem de um estado para outro”; por outro lado, o prefixo ek pode ser usado para indicar “ação incipiente”. Estas duas noções, certas vezes, se confundem, sendo, pois, natural que então se possam concretizar com iĝ ou com ek. Assim, p. ex.: stariĝi ou ekstari, sidiĝi ou eksidi, genuiĝi ou ekgenui, sciiĝi ou ekscii, koleriĝi ou ekkoleri (= encolerizar-se), timiĝi ou ektimi (= assustar-se), estiĝi ou ekesti (= começar a existir, formar-se etc.), e ainda outros.
100. Verbos assim derivados geralmente equivalem, em Português, a verbos acompanhados de pronome oblíquo (me, te, se,.. . ). Em alguns casos, em vez do sufixo iĝ pode empregar-se mesmo o pronome oblíquo do Esperanto, em acusativo. Assim: troviĝi ou sin trovi (= acharse), turniĝi ou sin turni (= girar, rodar), ĵetiĝi ou sin ĵeti (= lançar-se), volviĝi ou sin volvi (= enrolar-se), dividiĝi ou sin dividi (= dividir-se), leviĝi ou sin levi (= levantar-se), sidiĝi ou sin sidigi (= assentar-se), kuŝi ou sin kuŝigi (= deitar-se), etc.
101. É certo que nem sempre se pode empregar indiferentemente, seja iĝ ou ek, seja iĝ ou sin -i; nosso intento aqui foi mostrar os grandes recursos de que dispõe o Esperanto neste capítulo. Eis, entretanto, alguns exemplos que mostrarão diferença de sentido entre iĝ e sin -i: La infano ruliĝadis de branĉo al branĉo — A criança rolou (= foi rolando) de galho em galho. La infano sin ruladis sur la lito — A criança rolava no leito. Mia ĉapo deflugis de mia kapo kaj pendiĝis sur arbo — Meu gorro voou de minha cabeça e ficou pendurado numa árvore. Laca de la vivo, li pendigis sin sur arbo - Cansado da vida, enforcou-se numa árvore.
La limako malrapide sin trenis sur la tero - A lesma lentamente se arrastava pelo chão. La horoj treniĝadis maldiligente — As horas se arrastavam preguiçosamente.
Nestes exemplos pode perceber-se que, se foi o próprio indivíduo que executou a ação sobre si mesmo, com o seu próprio esfôrço, por sua vontade, a forma usada foi a composta do verbo com o pronome sin: tem-se, então, um verdadeiro “reflexo”; os verbos com iĝ dizem que a ação foi independente do sujeito, foi involuntária: é a voz chamada “média” ou “medial”.

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