domingo, 31 de agosto de 2014

COMPREENSÃO II - Hammed

A compreensão da "natura" (palavra latina) - a natureza personificada ou essência das coisas - deve ser vista como uma soberana que se dedica a esclarecer constantemente os conflitos pessoais e os enigmas da humanidade.
A compreensão da Natureza determina o que é verdadeiro ou não. Ela nos leva à escola da sabedoria das abelhas, dos joões-de-barro, das formigas e das aranhas, mostrando-nos que, por detrás dela, existem leis sábias que nos ensinam o que a dedução, a suposição e a apreciação, simplesmente, não nos podem explicar.
A Natureza é criação divina, produto da "determinação de Deus", e nós, filhos do Poder Universal, somos também Natureza. Portanto, age em nós uma vontade superior: "o homem sendo perfectível, e carregando em si o germe de seu aperfeiçoamento, não está destinado a viver perpetuamente no estado natu-ral(...)", pois a força do progresso é uma condição inerente da vida humana. A Natureza garante a evolução.
Em Assis, no século XIII, o iluminado Francisco Bernardone enalteceu a interação do homem com a Natureza em seu "Cântico ao Sol", no qual louva alegremente o irmão Sol, a irmã Lua, a irmã Água e a mãe Terra, mostrando-nos a profunda ligação que todos temos com a Natureza. Somos parte dela como ela é parte de nós; o livro da Natureza integra nossa intimidade.
As "leis divinas ou naturais" estão cunhadas em nossa consciência, onde se encontra a mais perfeita ligação com a Divindade. Não devemos nos esquecer de que o termo consciência, empregado pelos Benfeitores Espirituais nesta questão de "O Livro dos Espíritos", é sinônimo de alma, e não a popularmente denominada "consciência crítica" - parte julgadora da personalidade que se manifesta quando analisamos atos e atitudes e os catalogamos como bons ou maus.
Cedo ou tarde, a "compreensão da Natureza" há de esclarecer os mais intrincados enigmas da humanidade, visto que, se não a utilizarmos por meio da lógica ou inferência - exercício intelectual pelo qual se afirma uma verdade em decorrência de sua ligação com outras já conhecidas —, ela nos atingirá através de nosso senso interior, que independe da razão intelectual e de considerações de ordem mental ou moralista.
Podemos compreender melhor nossos sentimentos a partir dos reinos da Natureza. Os animais têm emoções - medo, raiva, alegria, ciúme, afeição - manifestadas pelas mais diversas expressões. Se examinarmos atentamente essas expressões do ponto de vista de suas funções a serviço de impulsos e de necessidades no processo de adaptação dos indivíduos ao meio ambiente, veremos que algumas são resquícios herdados dos ancestrais pré-hominídios, comuns a toda criatura humana.
Muitos de nossos comportamentos são inatos e não aprendidos, já que se repetem em todos os seres humanos, nas mais diferentes regiões, épocas e culturas. A "compreensão da Natureza" é uma réstia de luz no lago de trevas da visão humana.
Se observarmos os aspectos biológicos e psicológicos das expressões dos animais diante das diversas situações - fome, perigo, prazer, ameaça, etc. -, eles nos servirão de inspiração para compreendermos o "porquê" de nossos atos e atitudes.
Parece-nos de extrema importância o estudo do comportamento social e individual dos animais comparado aos costumes humanos como fatos sociais. As expressões, gestos e mudanças de feições e energias que as antecedem e acompanham são padrões comportamentais criadores de uma espécie de "linguagem fisionômica", se assim podemos dizer, universal e uniforme, que utiliza as mesmas fibras do nervo facial para exprimir seus sentimentos; e que salvaguarda as devidas proporções - dimensão, intensidade, tamanho e estética — nos seres humanos.
Eis aqui algumas das expressões instintivas ou contrações faciais comuns tanto nos homens como em determinados animais: a elevação da sobrancelha na indignação; a postura ereta e aprumada diante do desafio e do ataque; os punhos cerrados na raiva; o arregalar dos olhos na surpresa; o enrubescer na vergonha; a contração entre as sobrancelhas na concentração; a saliência dos lábios superiores e o nariz empinado na indiferença; as sobrancelhas apertadas e a boca firmemente fechada na obstinação; o repuxar dos lábios e uma súbita expiração no nojo; o brilho dos olhos na satisfação; elevação da sobrancelha e os cantos da boca caídos na tristeza; e outras tantas mais.
"(...) O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial (...)."
A concepção de vida isolada que muitos de nós cultivamos na atualidade modela o homem, abafando-lhe sua interligação com a naturalidade e promovendo a padronização neurótica da vida social e a manutenção do status quo.
Somos seres imortais, trazendo como patrimônio espiritual um acervo de bagagens ainda desconhecidas. Nossa singularidade tem raízes adquiridas na travessia pelas faixas naturais da existência.
Se a cada dia conhecer mais as leis da Natureza e souber que cada ser é algo "nascituro", ou seja, "aquele que deve nascer" e que, mesmo antes de nascer, nele existe uma forma latente e potencial, o homem se tornará cada vez melhor, participando e vivendo socialmente, sem se esquecer do princípio da naturalidade comum a todos os seres vivos.
Apesar de todos nós termos transitado pela irracionalidade nos reinos menores da vida, somos hoje potencialmente racionais, embora na grande maioria das criaturas ainda não haja sido despertada essa racionalidade, de forma efetiva, mas apenas a sua intelectualidade.
A compreensão da natura (palavra latina) — a natureza personificada ou essência das coisas - deve ser vista como uma soberana que se dedica a esclarecer constantemente os conflitos pessoais e os enigmas da humanidade.
        Livro: Os Prazeres da Alma.
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
585. Que pensais da divisão da Natureza em três reinos, ou melhor, em duas classes: a dos seres orgânicos e a dos inorgânicos? Segundo alguns, a espécie humana forma uma quarta classe. Qual destas divisões é preferível?
Todas são boas, conforme o ponto de vista. Do ponto de vista material, apenas há seres orgânicos e inorgânicos. Do ponto de vista moral, há evidentemente quatro graus.
A.K.: Esses quatro graus apresentam, com efeito, caracteres determinados, muito embora pareçam confundir-se nos seus limites extremos. A matéria inerte, que constitui o reino mineral, só tem em si uma força mecânica. As plantas, ainda que compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Os animais, também compostos de matéria inerte e igualmente dotados de vitalidade, possuem, além disso, uma espécie de inteligência instintiva, limitada, e a consciência de sua existência e de suas individualidades. O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção das coisas extra-materiais e o conhecimento de Deus.
621. Onde está escrita a lei de Deus?
Na consciência.
621-a - Visto que o homem traz em sua consciência a lei de Deus, que necessidade havia de lhe ser ela revelada?
Ele a esquecera e desprezara. Quis então Deus lhe fosse lembrada.
776. Serão coisas idênticas o estado de natureza e a lei natural?
Não, o estado de natureza é o estado primitivo. A civilização é incompatível com o estado de natureza, ao passo que a lei natural contribui para o progresso da Humanidade.
A.K.: O estado de natureza é a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu desenvolvimento intelectual e moral. Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu aperfeiçoamento, o homem não foi destinado a viver perpetuamente no estado de natureza, como não o foi a viver eternamente na infância. Aquele estado é transitório para o homem, que dele sai por virtude do progresso e da civilização. A lei natural, ao contrário, rege a Humanidade inteira e o homem se melhora à medida que melhor a compreende e pratica.

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