quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A Alma e a Decapitação - Miramez

0162/LE
Por existir a guilhotina na França, o tema sempre vinha ao pensamento dos estudiosos e certamente por isso também foi feita essa pergunta aos Espíritos Superiores. A resposta, certamente, não pode ser generalizada. Cada alma é um mundo diferente na sua estrutura espiritual e poucas são as que conservam a consciência no ato da decapitação. Alguns Espíritos, de acordo com a escala de despertamento da alma, perdem a consciência, sem que possamos determinar o tempo.
Havia Espíritos encarnados que, somente em saber que a sua cabeça iria para o balaio do carrasco, começavam a sofrer e, ante a visão do aparelho assassino, perdiam logo a consciência, indo acordar somente depois de muito tempo.
O suplício é uma prova, na qual a dolorosa lição, via de regra, serve de resgate redentor, como carma que só o passado pode explicar. A guilhotina foi responsável pelo rolar de muitas cabeças que no passado fizeram compromissos com as trevas. O inventor desse instrumento de morte foi inspirado por massa enorme de pensamentos inferiores, produzidos pelos malfeitores que deveriam morrer nele, como resgate do mal que cometeram no seio da sociedade. Não obstante, nem todos que ali foram entregues ao carrasco impiedoso estavam movidos por dívidas de um tempo que passou. Em muitos casos, foram processos de despertamento das criaturas.
Alguns Espíritos, antes de reencarnarem, pediram esse meio de retornar à pátria espiritual, para exemplificar coragem e fé, mostrando, por esse fato, que existe o mundo dos Espíritos e que ninguém morre. Para o Espírito evoluído, qualquer morte à qual for preciso se submeter, é um simples acontecimento, como o de vestir roupas, que se troca com alegria, quando necessário. O medo de morrer, para o ignorante, vem por força instintiva de conservação, e sempre passa dos limites, por falta de conhecimento da verdade.
O Espírito pode ficar ligado ao corpo por horas, dias, meses ou anos. Depende da sua elevação. No caso de Francisco de Assis, por exemplo, ele deixou o corpo, como se deixa uma roupa usada e suja, com plena consciência do seu estado de vida, na sua lucidez imperturbável. Assim aconteceu com vários outros missionários, que vieram a Terra por misericórdia de Deus. Morrer, para eles, na linguagem humana, é viver, não lhes preocupando a forma. Escolhem a que mais pode consolar aos que os cercam e levá-los à fé e à confiança em Deus.
Jesus submeteu-Se aos braços da cruz, para mostrar à humanidade que ela deve suportar todos os problemas da vida, que a dor desabrocha nos corações muitos poderes, e que as portas dos Céus se abrem, pela dor bem compreendida. Para cumprir Sua promessa Ele voltou, provando que a morte não existe. A missão do Espiritismo é essa também. Seja como for e como devas passar para o lado de cá, vem com confiança.
Livro: Filosofia Espírita. - Vol. IV
Miramez /João Nunes Maia.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
Separação da alma e do corpo
162. Após a decapitação, por exemplo, conserva o homem por alguns instantes a consciência de si mesmo?
Não raro a conserva durante alguns minutos, até que a vida orgânica se tenha extinguido completamente. Mas, também, quase sempre a apreensão da morte lhe faz perder aquela consciência antes do momento do suplício.
A.K.: Trata-se aqui da consciência que o supliciado pode ter de si mesmo, como homem e por intermédio dos órgãos, e não como Espírito. Se não perdeu essa consciência antes do suplício, pode conservá-la por alguns breves instantes. Ela, porém, cessa necessariamente com a vida orgânica do cérebro, o que não quer dizer que o perispírito esteja inteiramente separado do corpo. Ao contrário: em todos os casos de morte violenta, quando a morte não resulta da extinção gradual das forças vitais, mais tenazes são os laços que prendem o corpo ao perispírito e, portanto, mais lento o desprendimento completo.

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