sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

NÃO SER PERSEGUIDO - Miramez

Como é difícil, no mundo em que vivemos, não sermos perseguidos? Parece que, no clima da Terra, a perseguição é um fato concreto. Não estamos contra os problemas naturais da vida, cuja força nos ajuda a pensar, a desenvolver o potencial da razão que dormita em nós. Mas queremos desenvolver meios de nos livrarmos da perseguição que se apresenta como filha da vingança, como companheira da tara de ver os outros sofrerem sob o acicate da dor.
Quem persegue o faz por vaidade, por ciúme, por inveja e egoísmo, também. E o móvel de toda a sua perseguição é justamente a ignorância, por não conhecer o mecanismo da sua revolta, que algum dia reverterá contra as suas próprias fraquezas. E o preço que pagará será exorbitante para as suas posses.
Perseguição é a contraparte das ideias negativas, que alimentamos contra alguém e que o tempo nos devolverá como paga aos nossos feitos.
Para não sermos perseguidos, é de bom alvitre que sigamos o código delineado por Jesus Cristo. Ele traça diretrizes eficientes com respeito à vigilância ou à tranquilidade diante dos que nos ofendem e caluniam. E ainda mais, o perdão nos condiciona a um clima de paz, de modo a não nos sentirmos ofendidos, com as investidas dos que nos injuriam. E, se por acaso, usarmos todas as prevenções e ainda formos atingidos pela maledicência e pressões dos semelhantes, usemos a tolerância e oremos por eles, porque, dessa forma, nos isolamos da sua maldade sem sentirmos a sua influência perniciosa.
Um ângulo que igualmente nos ajuda a nos livrar da perseguição é não perseguirmos de forma nenhuma, pois a lei funciona perfeitamente ao lado da justiça. Mas para tal, a mente haverá de ser educada.
O primeiro impulso do ofendido é ofender. O revide, na hora, parece justiça, se apresenta na esfera da razão como defesa que não devemos abandonar. No entanto, é um engano do raciocínio.» A lei de amor vibrante no coração deixa de aprovar, na assembleia íntima em que toma parte, a petição de vingança, imputada pelas deduções apressadas provindas da razão orgulhosa.
A serenidade é mais aconselhada em todos os momentos difíceis. A meditação nos dá ambiente para consultarmos a Deus sobre o que deveremos ou não fazer, e o tempo e o espaço nos darão a resposta. Não sermos perseguidos, como dizemos, é expressão figurativa. E não sentirmos a perseguição é nos isolarmos daqueles que, por ignorância, alimentam o desejo de destruir e sentem uma satisfação inferior na decadência dos outros. Eis que, para isso, uma arma basta - superioridade, soberania alcançada pelo amor que garante a paz interior da alma.
O "não façais aos outros o que não quereis para vós", de Jesus, é ponto básico da tranquilidade consciencial. Porém, a maior perseguição contra a qual temos de lutar é a que nasce dentro de nós. É a reminiscência de faltas graves e o arrependimento delas, ou quando propomos à consciência operar uma reforma, moral e espiritual. Nesse instante, as forças selvagens, comandadas pelo instinto, investem contra todos os nossos melhores princípios de boa conduta. E, se não tomarmos posição segura, com um poder de vontade alicerçado na fé e no amor, seremos derrotados, até aprendermos a ser bons combatentes.
Meu irmão, o espírito é um soldado de Deus, na criação divina. Dai os primeiros passos no campo de batalha interior, que mil mãos aparecer-vos-ão, como anjos vindos do paraíso. Ninguém vive só. Quando achamos que estamos sendo desprezados, estamos diante de uma situação para aprendermos a ter iniciativa, pois o toque primeiro pertence àquele que vai ser o mais beneficiado. E, se desejais a liberdade, comungai com a felicidade dos outros, que sereis um dos que poderão gritar em altos brados: conheci a verdade.
Livro: Horizontes da Mente.
Miramez / João Nunes Maia.

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