quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O Problema do Mal - Rodolfo Calligaris

Desde as mais priscas eras o homem tem observado que, a par das boas coisas que tornam a vida deleitável, outras existem ou acontecem que são o reverso da medalha, isto é, só causam aflições, dores e prejuízos.
Foi, por isso, induzido a crer seja o governo do mundo partilhado por duas potestades rivais: — Deus, fonte do Bem, e Satanás, agente do Mal.
Essa crença nos dois princípios antagônicos em luta pela hegemonia foi e continua sendo a base das doutrinas religiosas de todos os povos, inclusive católicos e reformistas.
Entre estes, a idéia de que uns se salvam e outros se perdem para todo o sempre é geral, havendo até quem afirme que o número dos perdidos é muito maior do que a cifra dos bem-aventurados.
Quer isso dizer que o Mal seria mais forte que o Bem, e que Satanás estaria conseguindo derrotar a Deus, frustrando-Lhe os desígnios de salvação universal.
Em que pese à ancianidade de tais conceitos, são falsos e Insustentáveis, diríamos mesmo heréticos.
Com efeito, admitir o triunfo do Maligno, a. dano da Humanidade, é o mesmo que negar ao Pai Celestial os atributos da onisciência e da onipotência sem os quais não poderia ser verdadeiramente, Deus.
O Espiritismo, que é o Paracleto anunciado pelo Cristo, contrariando os ensinos da Teologia tradicional, esclarece-nos que o Bem é a única realidade eterna e absoluta em todo o universo, sendo O Mal apenas um estado transitório, tanto no Plano físico, no campo Social, como na esfera espiritual.
Para, que se compreenda isto, é preciso, entretanto, considerar não as conseqüências imediatas de tudo quanto observamos, mas sim os seus efeitos mediatos futuros, porque só estes, ao longo dos anos, dos séculos ou dos milênios é que farão ressaltar nitidamente, a infalibilidade da Providência Divina frente aos destinos da, Criação.
Certos fenômenos geológicos por exemplo, Podem ter sido considerados Catastróficos à época em que ocorreram; foram eles, porém, que compuseram os continentes e formaram os oceanos emprestando-lhes os aspectos maravilhosos que hoje nos extasiam, provocando-nos arroubos de admiração.
Muitas guerras internacionais e outras tantas revoluções intestinas, embora se constituam, como de fato se constituem, dolorosos flagelos para as gerações que nelas são envolvidas, dão ensejo, por seu turno, à queda de tiranos e opresssores, à extinção de preconceitos e privilégios iníquos, à mudança de costumes arcaicos, ao progresso tecnológico e quejandos, resultando daí, em favor dos pósteros (que seremos nós mesmos, em novas reencarnações), a melhoria das instituições, maior liberdade de pensamento e de expressão, uma justiça mais perfeita, maior conforto nos sistemas de transportes, de comunicações, nos lares, etc.
Quando não, é por meio delas que os maus se castigam reciprocamente, consoante o ensinamento: “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Um dia, ainda que longínquo, cansadas de sofrer o choque de retorno de suas crueldades, ditadas pelo egoísmo, pelo orgulho e outros sentimentos tais, as nações aprenderão a valorizar a paz, buscando-a, então, sincera e veementemente, através da fraternidade e do solidarismo cristão.
Assim também acontece com as nossas almas.
Criadas simples e ignorantes, mas dotadas de aptidões para o desenvolvimento de todas as virtudes e a aquisição de toda a sabedoria, hão mister de, vida, pós vida, neste orbe e em outros, passar por um processo de burilamento que muito as farão sofrer.
É a luta pela subsistência. São as enfermidades. As insatisfações Os conflitos emocionais Os desenganos As imperfeições próprias e daqueles com os quais convivemos Enfim, as mil e uma Vicissitudes da existência.nesse autêntico entrevero usando e abusando do livre arbítrio, cada qual vai Colhendo Vitórias ou amargando derrotas, segundo o grau de experiência conquistada. Uns riem hoje, Para chorarem amanhã, e outros, que agora se exaltam serão humilhados depois.
Tudo, Porém, concorre para enriquecer nossa Sensibilidade aprimorar nosso caráter, fazer que se nos desabrochem novas faculdades, o que vale dizer, se dilatem nossos gozos e aumente nossa felicidade.
Bendito seja, pois, o Espiritismo pela revelação dessa verdade e luz da qual se nos patenteia, esplendorosamente, a Bondade infinita de Deus! - (LE - Capítulo 1, questão 634).
         Livro: Leis Morais.
         Rodolfo. Calligaris
         Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
         O bem e o mal
634. Por que está o mal na natureza das coisas? Falo do mal moral. Não podia Deus ter criado a Humanidade em melhores condições?
Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes (115). Deus deixa que o homem escolha o caminho. Tanto pior para ele, se toma o caminho mau: mais longa será sua peregrinação. Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer; se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito ganhe experiência; é preciso, portanto, que conheça o bem e o mau. Eis por que se une ao corpo (119)”.

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