domingo, 24 de maio de 2015

Corações cevados

“Cevastes  os  vossos  corações,  como  num  dia  de  matança.” (Tiago, 5:5) 
Pela prosperidade e aperfeiçoamento do mundo, trabalha o Sol, que é a suprema expressão da Divindade Vital no firmamento terrestre. Colabora o verme na intimidade do solo, preparando ninho adequado  às sementes.
Contribui a aragem, permutando o pólen das flores.
Esforça­se a água, incessantemente, entretendo a vida física e purificando­a.
Serve a árvore, florindo, frutificando e regenerando a atmosfera. Coopera o animal, ajudando as realizações humanas, suando e morrendo para que haja vida normal no domínio da inteligência superior.
Indefectível lei de trabalho rege o Universo.
O movimento e a ordem, na constância dos benefícios, constituem­lhe as características essenciais. Há, porém, milhões de pessoas que se sentem exoneradas da glória de servir.
Para semelhantes criaturas, em cujo cérebro a razão dorme embotada e vazia, trabalho significa degredo e humilhação, inferno e sofrimento.
Perseguem as facilidades delituosas, com o mesmo instinto de novidade da mosca em busca de detritos.
Conseguida a solução de ordem inferior que buscavam, circunscrevem as horas e as possibilidades ao desenfreado apego de si mesmas, imitando o poço de águas estagnadas que se envenena facilmente.
No fundo, são  “corações cevados”, de acordo com a feliz expressão  do  apóstolo.
Criam teias densas de ódio  e egoísmo, indiferença e vaidade, orgulho e indolência sobre si próprios, e gravitam para baixo. Descendo, descendo, pelas pesadas vibrações a que se acolhem, rolam vagarosamente para o seio das vidas inferiores, onde é natural que encontrem a exigência de muitos, que se aproveitam deles, à maneira do homem comum que se vale dos animais gordos para a matança.
Livro: Fonte Viva.
Emmanuel / Chico Xavier.

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