sexta-feira, 8 de maio de 2015

O Homem Jesus – Joanna de Ângelis

No atual estágio da Psicologia profunda, um estudo da personalidade de Jesus não se torna conclusivo, por ausência de agudeza, recursos técnicos e profundidade de entendimento da Sua respeitável Doutrina, que vem abrindo expressivos espaços em torno da compreensão da criatura humana integral.
O Homem de Nazaré transcende as dimensões da análise convencional, pelo menos nos termos do pensamento que se deriva das belas, mas não concluídas, por enquanto, contribuições freudianas.
Examinada a criatura apenas do ponto de vista da libido, as raízes da observação encontram-se fixadas nas heranças animais, nos impulsos reprodutores, perdendo-se no primitivismo...
Por outro lado, as propostas que se derivam dos arquétipos junguianos vão apenas até as origens do inconsciente coletivo nos primórdios da evolução animal...
Ambos os conceitos, portanto, são insuficientes para penetrar na essência da causalidade do ser, na sua realidade espiritual, precedente às manifestações no plano físico terrestre.
Jesus transcende, desse modo, os estágios do processo de evolução na Terra, porquanto Ele já era o Construtor do Planeta, quando sequer a vida nele se apresentara.
Limitá-lO nas estreitas linhas psicológicas do ânima como do ânimus, ou simultaneamente, seria cingi-lO a limites do entendimento analítico em forma definitiva, aprisionadora.
Numa visão de Psicanálise perfunctória, poder-se-ia situá-lO como sendo uma síntese de ambas as polaridades em harmonia emocional, resultando em equilíbrio fisiológico, retratado no homem que se superou, tornando-se Modelo e Guia para toda a Humanidade.
As fontes disponíveis para a coleta de dados e análise profunda são as narrações evangélicas, insuficientes, pelo referir-se aos Seus ditos e ações mediante linguagem especial, às vezes vitimada por interpolações, deturpações, enxertos perniciosos, que lhes descaracterizam a exatidão.
Não se encontram relatos históricos, dados precisos, porém informações, algumas delas fragmentárias.
De todo o acervo, no entanto, se depreende haver sido Ele incomum.
Sua energia expressava-se com brandura.
Sua bondade manifestava-se sem pieguismo.
Sua coragem exteriorizava-se como valor moral que nada temia.
Seu amor abrangia todos os seres, sem deixar-se arrastar pelos sentimentalismos banais e desequilibrados.
Sua sabedoria irradiava-se, sem constranger os ignorantes.
Sua gentileza cativava, sem deixar distúrbios na emoção do próximo.
Era severo, não brutal; afável, não conivente; nobre, não orgulhoso; humilde, não verbal.
NEle coexistem as naturezas psicológicas ânima e ânimus em perfeita sintonia.
Desperte e Seja feliz
No Sermão da Montanha, Sua natureza ânima consolou e espraiou esperança; no Gólgota, Sua expressão ânimus alcançou o máximo, após as rudes e profundas experiências daquelas horas, que se iniciaram na solidão do Horto e se prolongaram até o momento da morte.
Faltam, portanto, parâmetros, paradigmas para penetrar o pensamento de Jesus e entender-Lhe a vida, rica e enriquecedora, complexa e desafiadora.
De uma forma geral, talvez mais simples, quiçá profunda, a Psicologia poderá mergulhar no Seu pensamento para entendê-lO através das Suas próprias palavras, caso logre compreendê-las:
— Eu sou o pão da vida...
— Eu sou a porta...
— Eu sou o caminho...
— Eu sou o bom pastor...
Somente indo até Ele e deixando-se penetrar pela Sua Realidade, poderá a Psicologia profunda entendê-lO sem O definir, estudá-lO sem O limitar.
Por instinto a criatura é agressiva, e quando não consegue exteriorizar essa violência, tomba em mecanismos de fuga, de depressão, de amargura. Herança dos estágios inferiores da evolução, deve ser canalizada para a aquisição dos valores morais, intelectuais, artísticos, profissionais.
A conquista da razão proporciona a transmutação da agressividade, fazendo que haja predominância da natureza espiritual em detrimento da animal, no ser humano.
Quando o individuo não consegue ou não deseja modificar-se, alterando o comportamento para o equilíbrio e o progresso, elege o litígio como forma de autossatisfação, de exaltação do ego. Torna-se contundente, invejoso, ciumento, trabalhando contra o processo natural da evolução.
Há momentos para aclaramentos e dissensões, em níveis elevados de discordância. Não a qualquer hora e por qualquer motivo.
Tem cuidado contigo! Deixa que perpasse em ti e te encharque a Energia Divina, a fim de que superes a tentação de contender ou de te abateres ante os perseguidores contumazes, os litigantes da inutilidade.
Livro: Desperte e Seja Feliz.
Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

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