sábado, 30 de maio de 2015

VENDER A ALMA – Miramez.

0550/LE
Certamente que não podemos vender a alma, nem nos vender a ninguém. Esse não é o sentido real do assunto. Como podemos nos vender, se o Espírito que compra está destinado ao despertamento espiritual como todos os demais? As coisas espirituais não se compram, nem se vendem. Tudo pertence a Deus, que criou todas as coisas.
Somente o ignorante troca seus sentimentos por dinheiro. Se queres ter ouro em caixa, é bom e justo que trabalhes: "O trabalhador", diz o Evangelho, "é digno do seu salário". Quem vende o que não é seu, será marcado de modo a responder em outra vida pelas consequências nefandas do seu ato indigno.
Já foi citado em outra página o ensino de Jesus sobre isso, o qual podemos repetir: Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, que tudo o mais virá por acréscimo de misericórdia.
Querer tomar qualquer coisa que não é nossa, constitui infração, e respondemos por isso nas linhas das nossas vidas. Cumpre a todas as criaturas ascender para a luz com os próprios esforços. Lutar com meta definida é o nosso dever. Lutar não fora de nós, é a meta mais acertada na vida. Vejamos o que falou o apóstolo Paulo, referindo-se a este assunto:
Assim como também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. (l Coríntios, 9:26) Paulo, o apóstolo dos gentios, se referia às lutas internas, como era de seu costume, antes de encontrar o Cristo no caminho de Damasco. É a guerra que tanto dizemos, a guerra por dentro, as lutas com nós mesmos.
Todas as fábulas carregam em sua estrutura algo de verdade. A venda da alma deve ser o empenho que temos com o Pai, de conquistar a nós mesmos em todos os rumos da vida, nos comprar a nós mesmos pelo trabalho dedicado ao próximo, pela caridade e pelo amor sem distinção, empenhar a nossa vida no bem coletivo, ajuntar experiências no celeiro espiritual, onde não falte a força da fraternidade e da compreensão.
Alma alguma fica condenada à miséria moral. Ela é igual às outras. Ela cresce, despertando os valores que todas possuem. São atributos divinos colocados no imo de todas elas. O tempo tem o poder de acordá-los, e Jesus nos ensina como fazê-lo, para o grande despertamento da vida.
As ilusões do passado vão ficando para trás, e a verdade do porvir vem chegando aos nossos corações, valorizando toda a nossa vida, em se ligando à vida de Deus, cada vez mais presente em nossos sentimentos pelo amor.
As coisas dos céus não se vendem; elas pertencem ao Criador. Devemos, sim, entregar a nossa vida a Deus, de maneira que ela seja útil às suas companheiras, nos moldes que Ele desejar que seja.
Se queres granjear a assistência dos Espíritos puros, procura a pureza em tua vida, ou pelo menos esforça-te para tal. Todos os esforços no bem serão assistidos pela luz de Deus. Seus agentes estão espalhados por toda a criação, fazendo vigorar todas as Suas leis de Justiça e de Amor.
Deves romper com o mal, se por acaso te encontras ligado a ele. Abraça a verdade, que esse trabalho será abençoado pelos benfeitores da eternidade e serás vencedor, ganhando a ti mesmo.
Livro: Filosofia Espírita – Volume XI
Miramez / João Nunes Maia.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
550. Qual o sentido das lendas fantásticas em que figuram indivíduos que teriam vendido suas almas a Satanás para obterem certos favores?
Todas as fábulas encerram um ensinamento e um sentido moral. O vosso erro consiste em tomá-las ao pé da letra. Isso a que te referes é uma alegoria, que se pode explicar desta maneira: aquele que chama em seu auxílio os Espíritos, para deles obter riquezas, ou qualquer outro favor, rebela-se contra a Providência; renuncia à missão que recebeu e às provas que lhe cumpre suportar neste mundo. Sofrerá na vida futura as conseqüências desse ato. Não quer isto dizer que sua alma fique para sempre condenada à desgraça. Mas, desde que, em lugar de se desprender da matéria, nela cada vez se enterra mais, não terá, no mundo dos Espíritos, a satisfação de que haja gozado na Terra, até que tenha resgatado a sua falta, por meio de novas provas, talvez maiores e mais penosas. Coloca-se, por amor dos gozos materiais, na dependência dos Espíritos impuros.
Estabelece-se assim, tacitamente, entre estes e o delinqüente, um pacto que o leva à sua perda, mas que lhe será sempre fácil romper, se o quiser firmemente, granjeando a assistência dos bons Espíritos.

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