terça-feira, 12 de maio de 2015

CULPA E RESGATE - Valentim Magalhães


– «Morte ao mouro na roda! Eu, Marquês, determino!...»
Bradava Dom Vidal, de flórea platibanda.
E, de cabeça em fogo, a vitima demanda :
– «Valei-me, ó Tribunais do Socorro Divino!»

Outros mouros se vão, a regalos de sino...
Um dia, Dom Vidal, enquanto se desmanda,
Vê a morte chegar... Cede-lhe à força branda,
Mas, liberto da carne, é um louco sem destino.

Correm tempos de dor... O fidalgo violento
Renasce em provação!... Penúria, sofrimento...
Paranóico e obsesso, exibe pompa espúria.

Alucinado agora, em tugúrio singelo,
Proclama : «Eu sou Marquês!... Quem roubou meu castelo? >;
Depois tomba na laje em acessos de fúria...

Livro: Poetas Redivivos.
Espíritos Diversos / Chico Xavier.

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