sábado, 16 de maio de 2015

LIVRE, ENFIM - Sabino Silva


Hora final!... A angústia, às súbitas, me toma...
Na fixidez do olhar, as lágrimas por clima...
Dentre a névoa difusa, uma luz se aproxima...
Ergo-me!... O corpo lembra esdrúxula redoma!...

Redivivo, me arrasto... Aspiro doce aroma...
Saio... O luar esplende... A visão se reanima...
O mundo é um roseiral estrelado em cima...
Dos recessos do ser, o regozijo assoma!...

Será isso morrer?... Em êxtase me espanto!...
Arfa-me o peito em prece... Ouço terno acalanto...
Velhas canções do lar!... Brilha a noite orvalhada!...

Torno aos amados meus!... Cessa a estrada sombria
E parto, livre enfim, sonhando novo dia
No encalço de Outra Luz, na luz da madrugada!...
Cale a boca!... Se eu falo mas não faço,
Isso não é da conta de ninguém!”

Livro: Poetas Redivivos.
Espíritos Diversos / Chico Xavier.

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