sábado, 12 de abril de 2014

A Avareza - Rodolfo Calligaris.

A avareza, ou seja, o apego exagerado aos bens terrenos, é um resquício de animalidade que o homem, malgrado séculos e séculos de civilização, ainda não conseguiu vencer.
Na Fase sub-humana de sua evolução, quando o instinto de conservação sobrelevava a qualquer outro, determinando-lhe o modus vivendi, sempre que conseguia alimentos em abundância, entupia-se de tanto comer porque não sabia se no dia seguinte poderia fazê-lo.
Ainda hoje, não é outra a preocupação dos avarentos: guardam e protegem com unhas e dentes seus haveres materiais, com receio de que, num futuro propinquo ou longínquio, lhes venha a faltar o indispensável à subsistência.
Muitas vezes, o que conseguiram amealhar é mais que suficiente para garantir-lhes largos anos de vida, a salvo de problemas financeiros, podendo, por conseguinte, satisfazer-se com as boas coisas deste mundo.
Encarecendo, porém, em demasia, a necessidade de prevenir-se contra as incertezas do “amanhã”, não se permitem qualquer gozo que implique gasto de dinheiro, impondo, desse modo, a si mesmo e aos que vivem sob sua dependência econômica, um regime de miséria simplesmente execrável.
Assim, conquanto tenham a ilusão de possuir fortuna na verdade são são por ela possuídos, e ao invés de disporem dela, como senhores, a ela se subordinam, quais meros escravos.
A avareza torna o homem insensível, endurece-lhe o coração, sufoca-lhe os sentimentos nobres, fazendo que repila sistemátivamente quantos apelos lhe sejam feitos em nome da solidariedade humana. Redu-lo a indigente moral digno de lástima, muito mais infeliz que os próprios mendigos aos quais recusa uma esmola.
Sim, porque os avarentos atravessam a existência insatisfeitos e intranqüilos, desejando, por um lado, aumentar cada vez mais seus cabedais, temendo, por outro, que alguém lhos roube.
Ao transporem as fronteiras da morte – di-lo o Espiritismo – longe de cessarem, aí é que suas aflições se exacerbam.
Imanizados ao “seu” tesouro, assistem, desesperados, à partilha do mesmo entre os familiares, que em lugar de preces agradecidas, quase sempre só lhes dirigem chacotas e impropérios, verberando-lhes a sovinice.
Não podendo impedir tal divisão, acompanham os passos dos herdeiros e, vendo-os dissiparem em pouco tempo, o que levaram anos e anos para acumular, enfurecem-se, esbravejam, choram, sofrendo a cada cédula despendida uma apunhalada atravessar-lhes o peito.
Segundo o Evangelho, ser avarento é incluir-se entre os adoradores de Mamon, o que vale dizer, confiar mais no poder do dinheiro do que na Providência Divina, prendendo-se às ilusões terrenas em detrimento da conquista do reino do céu.
Alijemos, pois, de nós esse vício desprezível.
Deus é pai amantíssimo e, creiamo-lo jamais deixou ou deixará sem socorro a nenhum de Seus filhos.
Como disse Jesus no sermão da Montanha, se Ele não descuida das flores e das aves, vestindo-as e alimentando-as com carinhoso desvelo, quanto mais o não fará por nós?
Se repararmos bem, haveremos de perceber que, graças à Sua infinita misericórdia, nossa sorte é mais ditosa do que o merecemos, não sendo melhor ainda por culpa nossa exclusivamente.
É que, mantendo as mãos fechadas, segurando avaramente o que temos, ficamos com esse gesto, impossibilitados de receber as muitas dádivas que Deus está a nos ofertar, constantemente, para que nada nos falte e vivamos, todos, alegres e venturosos.
Livro: Páginas de Espiritismo Cristão.
Rodolfo Calligaris. 

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