quinta-feira, 22 de maio de 2014

Celibato, Poligamia e Casamento Monogâmico - Rodolfo Calligaris.

Qual desses três estados o mais conforme à lei de Deus?
À luz do Espiritismo, se adotado para escapar às canseiras e responsabilidades da família, o celibato a contraria frontalmente, pois revela forte egoísmo.
Quanto ao celibato de religiosos (praticado, aliás, desde a mais remota antiguidade, entre persas e babilônicos, monges budistas e iniciados essênios, etc.), conservado em nossos dias como uma disciplina no seio da Igreja Católica Romana, tanto em suas ordens masculinas como femininas, não há como deixar de reconhecer que foi, é e será, sempre, altamente meritório, desde que, renunciando às satisfações e ao aconchego doméstico, o (a) celibatário (a) alimente o sincero propósito de melhor servir à coletividade.
Com efeito, os sacrifícios daqueles sacerdotes e freiras que, observando a castidade, se mostram capazes de total devotamento ao próximo, seja na assistência espiritual, nas tarefas educacionais, nos serviços hospitares, em asilos, creches, orfanatos e em misteres outros, em que dão o máximo de si sem pensar em si, constituem exemplos grandiloqüentes de amor sublimado, que os eleva muito acima da craveira comum dos terrícolas.
Contudo, nem assim pode o celibato ser considerado o estado ideal, dadas as condições e as finalidades da vida neste mundo.
A poligamia, por sua vez, é um costume que, introduzido em certa época, por motivos econômicos (o aumento de braços para o trabalho grátis nos clãs), já não se justifica.
É verdade que ainda se mantém nas populações muçulmanas do Norte da África e em grande parte da Ásia, pela predominância do apetite carnal sobre o senso moral de homens ricos, que se dão ao luxo de sustentar várias esposas e numerosa prole, mas tende a desaparecer, pouco a pouco, com o aperfeiçoamento das instituições.
Tanto não corresponde aos desígnios da Providência que jamais foi possível generalizar-se, face à relativa igualdade numérica dos sexos.
A ordem natural e inerente à espécie humana é, incontestàvelmente, a monogamia, visto que, tendo por base a união constante dos cônjuges, permite se estabeleça entre ambos uma estreita solidariedade, não só nas horas de regozijo como nos momentos difíceis e dolorosos.
É ainda por esse modo que os pais podem dar aos filhos tudo o de que eles necessitam para um desenvolvimento normal, sem problemas de personalidade.
As demais formas de associação dos seres, conquanto possam ter sido autorizadas ou consentidas durante algum tempo, em determinadas circunstâncias da evolução social, de há muito que se tornaram condenáveis pelos códigos de Direito dos povos de cultura mais avançada, notadamente no mundo ocidental.
Forçoso concluir, então, ser o casamento monogâmico o instituto que melhor satisfaz aos planos de Deus, no sentido de preparar a família para uma convivência de paz, alegria e fraternidade, estado esse que há-de estender-se, no futuro, à Humanidade inteira.
(Livro dos Espíritos – Allan Kardec, Capítulo 4º, questão 695 e seguinte).
Livro: As Leis Morais.
Rodolfo Calligaris

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