segunda-feira, 26 de maio de 2014

Prece Por alguém que acaba de morrer (Desencarnar)

IV – PRECES PELOS QUE JÁ NÃO SÃO DA TERRA
59. PREFÁCIO. As preces pelos Espíritos que acabam de deixar a Terra não tem unicamente o objetivo de lhe dar um testemunho de simpatia: também têm por efeito auxiliar-lhes o desprendimento e, desse modo, abreviar-lhes a perturbação que sempre se segue à separação, tornando-lhes mais calmo o despertar. Ainda aí, porém, como em qualquer outra circunstância, a eficácia está na sinceridade do pensamento e não na quantidade das palavras que se profiram mais ou menos pomposamente e em que, amiúde, nenhuma parte toma o coração.
As preces que deste se elevam ressoam em torno do Espírito, cujas ideias ainda estão confusas, como as vozes amigas que nos fazem despertar do sono (Cap. XXVII, nº 10).
60. Prece. – Onipotente Deus, que a Tua misericórdia se derrame sobre a alma de N..., a quem acabaste de chamar da Terra. Possam ser-lhe contadas as provas que aqui sofreu, bem como ter suavizadas e encurtadas as penas que ainda haja de suportar na Espiritualidade!
Bons Espíritos que o vieste receber e tu, particularmente, seu anjo guardião, ajudai-o a livrar-se da matéria; dai-lhe luz e a consciência de si mesmo, a fim de que saia rápido da perturbação própria da passagem da vida corpórea para a vida espiritual. Inspirai-lhe o arrependimento das faltas que haja cometido e o desejo de obter permissão para repará-las, a fim de acelerar o seu avanço rumo à vida eterna bem-aventurada.
N..., acabas de entrar no mundo dos Espíritos e, no entanto, presente aqui te achas entre nós; nos vê e ouve, por isso que de menos do que havia, entre ti e nós, só há o corpo perecível que vens de abandonar e que em breve estará reduzido a pó.
Despiu o envoltório grosseiro, sujeito a vicissitudes e à morte, e conservou apenas o envoltório etéreo, imperecível e inacessível aos sofrimentos. Já não vive pelo corpo; vive da vida dos Espíritos, vida essa isenta das misérias que afligem a Humanidade.
Já não tem diante de ti o véu que às nossas vistas oculta os esplendores da vida no Além. De agora em diante, pode contemplar novas maravilhas, ao passo que nós ainda continuamos mergulhados em trevas.
Vai, em plena liberdade, percorrer o espaço e visitar os mundos, enquanto nós rastejaremos penosamente na Terra, à qual se conserva preso o nosso corpo material, semelhante, para nós, a pesado fardo.
Diante de ti, vai desenrolar-se o panorama do Infinito e, em face de tanta grandeza, compreenderá o vazio dos nossos desejos terrestres, das nossas ambições mundanas e dos gozos fúteis com que os homens tanto se agradam.
A morte, para os homens, mais não é do que uma separação material de alguns instantes. Do exílio onde ainda nos retém a vontade de Deus, bem assim os deveres que nos correm neste mundo, te acompanharemos pelo pensamento, até que nos seja permitido juntar-nos a ti, como você que se reuniu aos que te precederam.
Não podemos ir onde se acha, mas você pode vir ter conosco. Vem, pois, aos que te amam e que amou; ampara-os nas provas da vida; vela pelos que te são caros; protege-os, como puderes; suaviza-lhes os pesares, fazendo-lhes perceber, pelo pensamento, que está mais feliz agora e lhes dando a consoladora certeza de que um dia todos estarão reunidos num mundo melhor.
Nesse, onde se encontra, devem extinguir-se todos os ressentimentos. Que a eles, daqui em diante, sejas inacessível, a bem da tua felicidade futura! Perdoa, portanto, aos que hajam incorrido em falta para contigo, como eles te perdoam as que tenha cometido para com eles.
Nota – Podem acrescentar-se a esta prece, que se aplica a todos, algumas palavras especiais, conforme as circunstâncias particulares de família ou de relações, bem como a posição social que ocupava o defunto.
Em se tratando de uma criança, o Espiritismo nos ensina que não está ali um Espírito de criação recente, mas um que já viveu e que pode, mesmo, já ser muito adiantado. Se foi curta a sua última existência, é que não devia
passar de um complemento de prova, ou constituir uma prova para os pais (Cap. V, nº 21.).
         Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec, cap. XXVIII.

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