quarta-feira, 9 de julho de 2014

A LOUCURA - Miramez

375/LE
O pensamento tem uma grande função no Espírito, a de despertar, nas entranhas da alma, as qualidades espirituais em forma de talentos de luz, onde Deus depositou todo Seu amor.
O pensamento, em seus fundamentos, vem de Deus como força divina, de modo que o ser humano, ou mesmo o Espírito livre, plasme nele o que ele, Espírito, é, na conjuntura que a escala a qual atingiu oferece. Torna-se semente, de forma que somos responsáveis pelo que semeamos.
A loucura é uma distorção da força mental em uma ou várias reencarnações. Ela não tem o poder de desequilibrar o Espírito, que é todo harmonia, por ter saído da harmonia superior, mas, causa-lhe impressões, como que condicionamento das idéias que o próprio Espírito formula. As idéias são filhas de quem as faz, só que não têm o poder de desarmonizar as fibras mais intimas da alma. São como sugestões que levam ao desequilíbrio alguns corpos que servem ao Espírito como veste, e formam um clima de perturbação onde vive a alma.
Estamos tentando dizer que a obra de Deus é perfeita; a razão pura nos diz que de mãos perfeitas não pode nascer imperfeição. O Espírito foi criado simples e ignorante, porém, com todos os recursos de se tornar um pequeno sol diante da criação; é neste sentido que quase sempre trocamos a palavra evolução por despertamento dos dons da alma. O Espírito ao receber um corpo, se esse traz alguma deficiência, sofre o empecilho, de modo que suas faculdades sejam reduzidas ou mesmo paralisadas. Ele não perde os seus dons, que são imperturbáveis na sua moradia de origem.
Se uma pessoa perde a vista, o dom de enxergar fica suspenso enquanto os olhos não lhes dêem esses meios livres de observar o ambiente material; assim acontece com os ouvidos, a palavra, etc.. A loucura é um estado patológico deficiente; o cérebro em decadência não pode dar ao Espírito condições normais de expressar com serenidade a sua inteligência , no entanto, nos diz “O Livro dos Espíritos”que, em muitos casos, o Espírito livre mantém-se louco por causa da seqüência de idéias desorganizadas que repetiu durante a existência toda. É pois, o condicionamento de pensamentos inferiores, da violência, que criaram ambiente no Espírito sem, violentar, definitivamente, a sua intimidade.
Também pode o Espírito reencarnar e dar continuidade à sua loucura que, nesse caso, será puramente psicológica, visto que o cérebro físico mostra a deficiência. São casos registrados pela própria ciência e em alguns livros espíritas.
Em todas as manifestações dessas doenças o desorganizado é sempre o corpo, mas, é bom que se compreenda que esse corpo tem certa influência na mente viva da alma, impressionando-a a ponto de mostrar enfermidades imaginárias. Essas são de fácil cura, principalmente pela Doutrina dos Espíritos, que fornece meios de limpeza dessas idéias chamadas fixas, em profunda sintonia com o Criador delas. O passe e a água fluidificada, as leituras elevadas, e mesmo a conversação com irmãos de elevada postura espiritual, são meios de tratamentos de todas as enfermidades.
De qualquer maneira, a loucura é uma provação dolorosa, entrementes, ninguém foi criado louco. Isso são conseqüências de caminhos agitados tomados pela alma na sua ignorância, com menosprezo pelas leis de Deus. Sofremos por ignorar, e sofremos mais por conhecermos os caminhos da Luz e escolhemos os das trevas. De qualquer modo, somos mais ou menos conscientes da vontade de Deus em nós. Todas as consciências são celeiros de luz dentro das almas.
Quando o Espírito se libertar de todas as impressões materiais, de todas as paixões da Terra, ele estará se aproximando da verdade; passando a vivê-la, tornar-se-á livre.
Livro: Filosofia Espírita – Volume VIII
Miramez / João Nunes Maia.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
375. Qual, na loucura, a situação do Espírito?
O Espírito, quando em liberdade, recebe diretamente suas impressões e diretamente exerce sua ação sobre a matéria. Encarnado, porém, ele se encontra em condições muito diversas e na contingência de só o fazer com o auxílio de órgãos especiais. Altere-se uma parte ou o conjunto de tais órgãos e eis que se lhe interrompem, no que destes dependam, a ação ou as impressões. Se perde os olhos, fica cego; se o ouvido, torna-se surdo, etc. Imagina agora que seja o órgão, que preside às manifestações da inteligência, o atacado ou modificado, parcial ou inteiramente, e fácil te será compreender que, só tendo o Espírito a seu serviço órgãos incompletos ou alterados, uma perturbação resultará de que ele, por si mesmo e no seu foro íntimo, tem perfeita consciência, mas cujo curso não lhe está nas mãos deter.
375a) - Então, o desorganizado é sempre o corpo e não o Espírito?
Exatamente; mas, convém não perder de vista que, assim como o Espírito atua sobre a matéria, também esta reage sobre ele, dentro de certos limites, e que pode acontecer impressionar-se o Espírito temporariamente com a alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe as impressões. Pode mesmo suceder que, com a continuação, durando longo tempo a loucura, a repetição dos mesmos atos acabe por exercer sobre o Espírito uma influência, de que ele não se libertará senão depois de se haver libertado de toda impressão material.

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