domingo, 27 de julho de 2014

A Luxúria - Rodolfo Calligaris

Entre os chamados “pecados capitais” do gênero humano, nenhum outro há sido tão condenado quanto a luxúria, considerando-se tal todos os abusos e extravagâncias sexuais.
Trata-se, com efeito, de um vício de conseqüências terrivelmente danosas: gera enfermidades, avilta caracteres, produz loucuras, inspira crimes, arruína lares, destrói civilizações.
Em toda a face da terra, milhões de indivíduos, diariamente, são por ele levados ao desmantelamento físico, mental e espiritual, contaminando-se, portanto, um flagelo da humanidade.
Lamentàvelmene, porém, até aqui, muito se tem falado e escrito sobre sexo, mas apenas para exprobrá-lo e apontar-lhe os aspectos escabrosos, negativos, quando fora de maior proveito explicá-lo, à luz da Ciência, realçar-lhe as nobilíssimas funções, educando as criaturas para que o não pervertam, antes o utilizem qual precioso instrumento de equilíbrio psicossomático, como de fato o é.
O Espiritismo, trazendo novas luzes sobre o assunto, esclarece-nos que o sexo é faculdade criadora da alma, a serviço do Amor, sendo os órgãos genitais masculinos e femininos apenas o seu aparelhamento de exteriorização, assim como os olhos o são para a vista, o cérebro para o pensamento etc. (No Mundo Maior, cap. XI – André Luiz / Chico Xavier).
Tal faculdade, a principio, manifesta-se, assim, como mero desejo, satisfazendo-se com a posse. Isso, todavia, é apenas o primeiro estágio de um processo evolutivo que deve alcançar a sublimação, transformando-se, gradativamente, em simpatia, carinho, devotamento, renúncia e sacrifício.
Aqui na terra, é enorme o número daqueles que se demoram em expressar amor exclusivamente através do ato sexual.
Outros, conquanto se tenham adiantado um pouco, conhecendo a simpatia e o carinho, são, no entretanto, mui ciumentos, demonstrando que o egoísmo ainda impera em seus corações.
Uns poucos ascenderam, já, à face do amor-devotamento, em que o amante vive mais para os seres amados do que para si mesmo, havendo igualmente, posto que raros, os que, por amor, são capazes dos mais belos gestos de renúncia.
Quanto ao amor-sacrifício, só o encontramos nos santos. Sua exemplificação máxima é a que nos foi dada por Jesus.
Assim, entre o amor inconsciente e animalizado do bruto, e o amor divinizado do Cristo, há uma longa e gloriosa trajetória, ou seja, todo um aprendizado de autodomínio, disciplina, responsabilidade, abnegação e ternura, a demandar de cada alma, experiências cruciantes e purificadoras, que só em milênios, vida após vida, se logrará cumprir.
Auxiliemos, então, todos os que, situados nos primeiros degraus da Sabedoria, padecem as angústias do sexo, ensinando-lhes que a felicidade verdadeira não se obtém tão somente com o comprazimento do instinto.
Embora a muitos custe crer, o sexo é, como dissemos acima, uma faculdade da alma e não do corpo físico, oferecendo-nos vastos horizontes e mundos sempre novos, em que expandirmos novos anseios de amar e ser amados. Pode, pois, cada qual, dar vazão aos seus impulsos e descarregar suas tensões em várias atividades nobres, canalizando suas energias para as funções da mente e do coração.
Oportuno, nesta altura, desfazer o equivoco de que a contenção do ato sexual, praticada em nome de um ideal de pureza, venha a constituir-se causa de recalques e frustrações capazes de gerar perturbações neuróticas.
A psicologia moderna afirma, ao contrário, que a disciplina moral é absolutamente necessária para a saúde física e mental do homem, o que vale dizer, para a sua integração e paz interior.
Urge, pois, afastar nosso pensamento da lubricidade, desvencilhar-nos das malhas do instinto e, inspirados no amor cristão, buscarmos, em cada dia da vida, burilar nossos sentimentos, aperfeiçoando-lhes as manifestações.
Estudar ou escrever páginas edificantes, esculpir ou pintar uma obra de arte, cantar ou executar uma peça musical, assim como dedicar-nos a uma instituição de amparo à infância abandonada ou à velhice desvalida, socorrer os enfermos, prover às necessidades da pobreza, eis alguns dos excelentes meios de que podemos valer-nos, no sentido de aprimoramento de nossas forças criadoras.
Utilizando-os estaremos realizando nossa libertação espiritual, aproximando-nos cada vez mais da unidade e da harmonização com Deus.
Livro: Páginas do Espiritismo Cristão.
Rodolfo Calligaris.

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