sexta-feira, 4 de julho de 2014

Heliotropismo Espiritual - Rodolfo Calligaris

Como se sabe, os grandes expoentes das artes jamais se deram por satisfeitos com aquilo que conseguiram realizar, não obstante suas produções se constituíssem de verdadeiras obras-primas; os cientistas, da mesma forma, desenvolvem permanentemente renovados esforços para aperfeiçoar tudo quanto existe a serviço do conforto e do bem-estar da Humanidade, fenômeno esse que prova a insaciedade do espírito em seus anseios de glória e de progresso.
Mesmo entre as criaturas comuns, que nada têm de geniais, existirá quem não sinta, latente, dentro de si, esse desejo, sempre insatisfeito, de aprender, de conhecer coisas novas, de dilatar a esfera de seus conhecimentos, de desbravar os mistérios da natureza, de percorrer, um por um, todos os meandros das artes e das ciências?
Não cremos, a menos que se trate de seres anormais, porqüanto esse impulso é natural e inerente à espécie humana; natural, dizemos, porque decorrente da idéia inata que se acha enraizada nas profundezas de sua consciência psíquica — a da certeza de sua imortalidade e de sua semelhança com o Criador, ao Qual se dirige, tal qual as plantas heliotrópicas se voltam para o Sol quando ele esplende no horizonte.
Sim, a intuição da imortalidade é um fato, mesmo naqueles a quem a desilusão desta vida ou o orgulho fátuo levaram a abraçar as teorias malsãs do materialismo dissolvente, que por ai campeia, nestes últimos tempos, conturbando razões e anulando caracteres.
Ora, se a vida se limitasse ao insignificante ciclo do berço ao túmulo, se tudo findasse com a morte ou se a sobrevivência da alma se verificasse em condições tais que não comportasse nenhuma espécie de atividade, qual a origem, a causa, o motivo dessa sede de saber, desses desejos veementes de progresso, que não cessam jamais, a que nos referimos linhas acima?
Mas, não; a vida atual não é senão uma das fases da vida infindável, e a morte, consequentemente, não pode ser o término, porém simplesmente a junção, isto é, o umbral pelo qual passamos da vida corpórea para a vida espiritual, donde volveremos ao proscênio da Terra, a fim de representarmos os inúmeros atos do drama grandioso e sublime que se chama Evolução.
Temos, dentro de nós, em estado virtual, os germens dos nossos futuros desenvolvimentos. Como, porém, assimilar todos os conhecimentos do gênio e adquirir todas as virtudes da santidade numa única existência? Impossível! Daí a lei sábia e bendita dos renascimentos.
Ser bom não é tudo. Ser sábio não basta. É preciso ser bom e sábio.
Urge, no entanto, crescer primeiramente em virtude e depois em sabedoria, porque a virtude do ignorante (a palavra ignorante, aqui, não tem o sentido pejorativo em que é empregada comumente) pode ser utilizada, perfeitamente, em benefício da coletividade, ao passo que a sabedoria nas mãos de um malvado pode converter-se numa arma terrível. Haja vista o que vai pelas chamadas grandes nações, onde os homens têm a inteligência prenhe de conhecimentos científicos, mas conservam seus corações. duros, fechados aos códigos da moral evangélica.
O virtuoso sem sabedoria é um fruto silvestre: não satisfaz à vista, mas sacia a fome. O sábio sem virtude é uma flor artificial: tem beleza, mas não tem perfume.
Jesus é o protótipo da bondade e da sabedoria conjugadas e desenvolvidas em grau máximo. Imitá-lo, seguir-lhe as pegadas, eis o nosso alvo. Aliás, ele mesmo o disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.
Aqueles, cuja razão não pode, ainda, admitir a realidade das vidas sucessivas, como meio de depuração e perfectibilidade dos espíritos, em seu heliotropismo para Deus, lancem as suas vistas para os inúmeros povos disseminados pelo planeta, identifiquem-se com seus usos e costumes, bem assim com seus valores materiais e espirituais. Comparem, depois, o patrimônio cultural de cada um e verificarão, assombrados, quanto é enorme a diferença que separa os bárbaros e os selvagens (alguns até antropófagos), que habitam determinadas regiões do globo, dos homens civilizados das grandes metrópoles.
O contraste é chocante, mas perfeitamente explicável, desde que os consideremos como espíritos em diversos graus de adiantamento, aglutinados em suas respectivas esferas.
Exclua-se, porém, a hipótese (digamos assim) reencarnacionista, isto é, negue-se aos brutos o direito ou a possibilidade de se adaptarem, através de múltiplas existências, aos centros urbanos, e estar-se-á negando a Providência Divina, emprestando a Deus paixões que Ele não tem e preferências que aberram dos Seus soberanos atributos.
A lei da reencarnação ou pluralidade das existências, por conseguinte, por atestar a justiça e a sabedoria de Deus, constitui o único meio através do qual poderemos atingir a meta dos nossos destinos, destinos esses consubstanciados naquelas imorredouras palavras do Cristo: “Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai Celestial”. (Capítulo 6º, questão 753 e seguintes).
Livro: Leis Morais.
Rodolfo Calligaris.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
Crueldade
753. Por que razão a crueldade forma o caráter predominante dos povos primitivos?
Nos povos primitivos, como lhes chamas, a matéria prepondera sobre o Espírito. Eles se entregam aos instintos do bruto e, como não experimentam outras necessidades além das da vida do corpo, só da conservação pessoal cogitam e é o que os torna, em geral, cruéis. Demais, os povos de imperfeito desenvolvimento se conservam sob o império de Espíritos também imperfeitos, que lhes são simpáticos, até que povos mais adiantados venham destruir ou enfraquecer essa influência.

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