terça-feira, 22 de julho de 2014

“Não vim trazer a paz, mas sim a espada” – Rodolfo Calligaris

“Não penseis que eu tenha vindo trazer a paz à terra, não vim trazer a paz, mas a espada, porquanto vim separar de seu pai o filho, de sua mãe a filha, de sua sogra a nora; e o homem terá por inimigos os de sua própria casa.” Jesus / Mateus, 10:34-36.
“Vim para lançar fogo à terra, e o que é que desejo senão que ele se acenda? Tenho que receber um batismo e quão ansioso me sinto para que ele se cumpra! Julgais que eu tenha vindo trazer a paz à Terra? Não, eu vos afirmo; ao contrário, vim trazer a divisão, pois, estarão divididas umas contra as outras: três contra duas e duas contra três. O pai estará em divisão com o filho e o filho com o pai, e a mãe com a filha e a filha com a mãe, a sogra com a nora e a nora com a sogra.” Jesus / Lucas, 12:49-53.
Estranhas palavras para aquele cujo nascimento foi saudado pela milícia celestial com este suave cântico: Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na Terra aos homens, a quem ele quer bem!”. Lucas, 2:14.
Não contradizem frontalmente estas outras, por ele mesmo proferidas no terno colóquio que teve com seus discípulos, pouco antes de ser crucificado: “A paz vos deixo, a minha paz vos dou, eu não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem fique sobressaltado?”. Jesus / João, 14:27.
Tomadas em sentido literal, não há dúvida de que seriam um desmentido ao seu caráter afável e bondoso, assim como ao pacifismo de sua missão.
Penetrando-se, porém, seu verdadeiro significado, elas dão o testemunho da altíssima sabedoria de Jesus, pois encerram a previsão do que ocorreria no mundo, ao longo dos séculos, até o triunfo dos postulados cristãos.
Sua referência à divisão e à inimizade que se estabeleceriam entre membros de uma mesma família (a cristandade), é uma alusão às numerosas igrejas que vieram a formar-se sob a égide do Evangelho, cada qual pretendendo possuir o monopólio da verdade e das graças celestiais, mas que, olvidando completamente o preceito básico do mesmo: “O amor ao próximo” entraram a lançar maldições umas contra as outras e, substituindo a cruz pela espada, praticaram, em nome de Deus!, os mais impiedosos e cruéis assassínios que imaginar se possa.
Culpa da doutrina de Jesus? Não, pois toda ela é calcada na caridade, na brandura e na tolerância.
Responsabilidade total, absoluta, isto sim, daqueles que a interpretaram falsamente, transformando-a em instrumento apropriado à satisfação de seus desejos espúrios de domínio e exploração dos povos!
Quanto às expressões: “vim para lançar fogo à Terra, e o que é que desejo senão que ele se acenda? Tenho que receber um batismo, e quão ansioso me sinto para que ele se cumpra”, significa que os novos princípios por ele expostos haveriam de, certamente, encontrar forte resistência, porquanto não é próprio da natureza humana o modificar-se ràpidamente, aceitando de pronto inovações em seus hábitos e instituições, menos ainda quando impliquem sacrifício pessoal ou infirmem posições que se tenha interesse em manter.
Esse batismo de fogo, pelo qual Jesus se mostrava ansioso, não era outra coisa, senão a luta que os belos e nobres ideais do Cristianismo precisou enfrentar, e continua enfrentando, para que os privilégios, a tirania e o fanatismo venham a desaparecer da face da Terra, cedendo lugar a uma ordem social fundada na justiça, na liberdade e na concórdia.
Trabalhemos todos, na medida de nossas forças, para que seja apressada essa nova era, porque só então poderá a felicidade fazer morada em nossos corações.
Livro: Páginas de Espiritismo Cristão.
Rodolfo Calligaris.

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