segunda-feira, 27 de abril de 2015

Dever e Liberdade - Emmanuel

A disciplina é alicerce da vida.
A ordem é fundamento da Lei.
Quanto maior o primitivismo dos seres enfaixados no berço da evolução, com mais força registramos semelhante princípio.
O minério, da gleba a que se acolhe, é transportado sem qualquer resistência para atender às lides do progresso.
O verme arrasta-se no solo, cadaverizando-se nele de modo a fecundá-lo para que a semente germine.
A árvore sofre o insulto da tempestade, produzindo sem exigência, em favor dos outros, os frutos que não consome.
A ovelha cede à lã que lhe é própria ao reconforto alheio, tremendo ante o assalto do frio.
Os elementos mais simples obedecem e auxiliam sem reclamar e todos eles, colados ainda à Terra, para ela se voltam humildes e submissos, representando crisálidas de consciência em sua expressão fetal, no colo da natureza.
Todavia, o dever é diferente no homem, cuja cabeça se ergue dominadora na direção do infinito.
De braços livres, não obstante chumbado à senda que perlustra, pode sentir e raciocinar, mentalizar e escolher, calcular e decidir.
E porque o Supremo Senhor não gerou os filhos de Sua Sabedoria e de Seu Amor para escravos de Sua Casa, concede-lhes a razão, com que se lhe agiganta o livre-arbítrio na formação do próprio merecimento.
É por isso que, quanto mais elevado o degrau da criatura, mais ampla se lhe torna a responsabilidade na plantação e na defesa do Bem.
Estejamos alertas no mundo de nós mesmos, procurando aprender e servir, nas bases do amor puro e da humildade, de vez que todos nós, à luz do discernimento, dispomos de liberdade para cumprir as obrigações que nos cabem perante a Lei, plasmando o direito ao Céu, a começar de nós, ou para cultivar a rebeldia sistemática, pela qual arrasamos os talentos divinos, gerando em nossas almas os agentes do desequilíbrio que equivale na vida ao martírio infernal.
Livro: Jóia.
Emmanuel e André Luiz / Chico Xavier.

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