sexta-feira, 17 de abril de 2015

MUNDOS MAIS ELEVADOS – Miramez.

0394/LE
Certamente que no mundo onde se inicia a perfeição espiritual, onde ninguém faz mais o mal, os Espíritos têm mais capacidade de recordação do passado, de modo a não se perturbarem com tais recordações. As lembranças são de acordo com a elevação da alma, isso é lei de justiça divina, na computação de valores espirituais, na jornada de Espírito imortal.
Nos mundos elevadíssimos, não há mais interesse de recordações, as quais ficarão de lado, a não ser quando elas possam ser ponto de lições para outrem. O Espírito puro nada deixa se perder. Encandeia-se tudo para o todo, na profusão do amor, que não tem limites. Existem mundos nos quais as lembranças do Espírito não são bem claras, mas o Espírito se encontra preparado para resgatá-las com coragem; sabe o que deve passar no carro cármico e aproveita as lições com eficiência; entretanto a alma não está preparada, como no caso das que habitam a Terra, as recordações vêm trazer embaraços ao próprio despertamento espiritual. Deus sabe o que faz na Sua casa grande, e para cada criatura em separado.
A Terra é um mundo de provações duras, onde os resgates são violentos, nos caminhos humanos. Dessa forma, as lembranças vêm como leves intuições do passado distante. São, às vezes, complemento dos sonhos, ou vêm mesmo nas conversas de amigos, desde quando prestemos atenção no que ouvimos. Até mesmo os livros que tratam da História podem nos servir de estímulos de recordações, porque os fatos acontecidos e registrados têm algo a ver conosco.
Em quase todos os casos, se recordássemos das vidas pretéritas, assomar-nos-ia a apatia, atrapalhando o nosso presente. Faltaria em nossos caminhos de reparação o animo suficiente para as lutas. Deus sabe o que deve ser feito.
As recordações que os Espíritos inferiores têm do passado trazem nuvens cruvianas no presente, de difícil reparação, e é sob esse ponto de vista que Deus nos abençoa, filtrando as nossas necessidades espirituais de modo que elas cheguem à nossa consciência de acordo com as nossas necessidades espirituais. Ele deixa as recordações mais exatas para mundos mais elevados, de modo que haja mais esforços, sem turvamento da mente, nos campos da limpeza cármica.
Jesus foi o maior de todos os mestres, a nos ensinar as leis e nos prover de forças tais que os caminhos nos mostram meios diversos de nos curarmos. Gravíssimo perigo seria se lembrássemos das nossas existências anteriores, como lembramos do ocorrido de ontem. A confusão assomaria o nosso eu, deixando-nos sem solução, mas a Bondade Divina prevê todos os desastres sem reparo, e nos coloca em lugares mais fáceis de nos conscientizarmos das nossas necessidades espirituais.
Não devemos esmorecer, pois a Terra logo irá passar a outro nível, na escala dos mundos, onde as recordações do passado serão mais claras e os recursos mais eficientes, em todo os rumos. Convém que todos os Espíritos encarnados e desencarnados trabalhem dentro de si mesmos buscando a verdade, que ela sempre liberta os nossos corações ainda presos nas sombras do passado.
Se estamos em mundo inferior, já estivemos pior, e é nessa certeza que entra a esperança de que, em breves tempos, passaremos a pertencer a um mundo melhor.
Livro: Filosofia Espírita – Volume VIII
Miramez / João Nunes Maia.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
394. Nos mundos mais elevados do que a Terra, onde os que os habitam não se vêem premidos pelas necessidades físicas, pelas enfermidades que nos afligem, os homens compreendem que são mais felizes do que nós?
Relativa é, em geral, a felicidade. Sentimo-la, mediante comparação com um estado menos ditoso. Visto que, em suma alguns desses mundos, se bem melhores do que o nosso, ainda não atingiram o estado de perfeição, seus habitantes devem ter motivos de desgostos, embora de gênero diverso dos nossos. Entre nós, o rico, conquanto não sofra as angústias das necessidades materiais, como o pobre, nem por isso se acha isento de tribulações, que lhe tornam amarga a vida. Pergunto então: Na situação em que se encontram, os habitantes desses mundos não se consideram tão infelizes quanto nós, na em que nos vemos, e não se lastimam da sorte, olvidados de existências inferiores que lhes sirvam de termos de comparação?
Cabem aqui duas respostas distintas. Há mundos, entre os de que falas, cujos habitantes guardam lembrança clara e exata de suas existências passadas. Esses, compreendes, pedem e sabem apreciar a felicidade de que Deus lhes permite fruir. Outros há, porém, cujos habitantes, achando-se, como dizes, em melhores condições do que vós na Terra, não deixam de experimentar grandes desgostos, até desgraças. Esses não apreciam a felicidade de que gozam, pela razão mesma de se não recordarem de um estado mais infeliz. Entretanto, se não a apreciam como homens, apreciam-na como Espíritos.
A.K.: No esquecimento das existências anteriormente transcorridas, sobretudo quando foram amarguradas, não há qualquer coisa de providencial e que revela a sabedoria divina? Nos mundos superiores, quando o recordá-las já não constitui pesadelo, é que as vidas desgraçadas se apresentam à memória. Nos mundos inferiores, a lembrança de todas as que se tenham sofrido não agravaria as infelicidades presentes? Concluamos, pois, daí que tudo o que Deus fez é perfeito e que não nos toca criticar-Lhe as obras, nem Lhe ensinar como deveria ter regulado o Universo.
Gravíssimos inconvenientes teria o nos lembrarmos das nossas individualidades anteriores.
Em certos casos, humilhar-nos-ia sobremaneira. Em outros nos exaltaria o orgulho, peando-nos em conseqüência, o livre-arbítrio. Para nos melhorarmos, dá-nos Deus exatamente o que nos é necessário e basta: a voz da consciência e os pendores instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria. Acrescentemos que, se nos recordássemos dos nossos precedentes atos pessoais, igualmente nos recordaríamos dos outros homens, do que resultariam talvez os mais desastrosos efeitos para as relações sociais. Nem sempre podendo honrar-nos do nosso passado, melhor é que sobre ele um véu seja lançado. Isto concorda perfeitamente com a doutrina dos Espíritos acerca dos mundos superiores à Terra.

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