sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

SENSAÇÃO PSICOLÓGICA - Miramez

0256/LE  
O pensamento é o portador de todas as sensações. Se nos entregarmos à influência de um hipnotizador, aceitamos suas insinuações e passamos a viver e sentir o que ele nos transmite. Essa realidade é bem conhecida no meio científico. Alguns hipnotizadores usam levianamente seus conhecimentos, e muitos dentre eles vêem na hipnose uma fonte de rendas, sem perceber que estão "brincando com fogo", sem o devido cuidado à sua própria proteção.
Os Espíritos desencarnados que, porventura, conversam com os homens, pelo instrumento mediúnico, e falam que estão sofrendo, têm frio e as vezes calor, têm essas sensações em função do seu estado psicológico. Eles relembram o passado, de quando estavam na carne, passando por determinadas provas, e têm as mesmas sensações; a mente regride e busca no passado as mesmas dores e padecimentos que lhes fizeram sofrer.
Até mesmo entre os encarnados esse fenômeno acontece; muitos dos sensitivos, ao se lembrarem ou ao verem sofrimentos, sentem os mesmos no seu corpo de carne, que depois passam, com o esquecimento ou com uma boa conversa de irmãos que entendem esse processo negativo da alma. Devemos convir que as virtudes assimiladas e vividas por todos nós são nutrições positivas que nos levam ao equilíbrio psico-físico. Quantas vezes, em sessões espíritas bem orientadas, comparecem irmãos desencarnados sofrendo todos os tipos de inquietações, e mesmo profundos reflexos da sua vida passada, porque nela eles prendem seus pensamentos e, ao se afastarem do médium, saem aliviados e, às vezes, curados com as palavras bem postas do doutrinador!
Aonde se prender os sentimentos, aí se sentirá o ambiente, confortando ou desarmonizando o mundo mental. Todos os corpos que servem de vestimentas espirituais sentem as reações da mente, e passam a elidir a influência daquilo que armazenaram nos momentos em que a mente criava e irradiava pensamentos de luz.
O Cristo veio ao mundo nos preparar no sentido de considerarmos o que recebemos dos outros em forma de sugestão, diariamente, como também as formas-pensamentos que vagabundeiam no espaço e que se aproximam dos homens por certas leis de justiça que nos comandam a todos. É nosso dever apreciar as idéias que vêm de fora, vigiar e orar, para que não entremos em sintonia com sugestões inferiores, porque elas podem nos levar a padecimentos morais e mesmo físicos.
Jesus nos pede para visitar os enfermos, encarcerados, idosos e aflitos, mas, não despejemos neles pensamentos e idéias negativas, para não aumentarmos seus padecimentos. Para tanto, devemos nos preparar, educar e disciplinar nossos sentimentos, cedendo à influência do amor e da caridade, para que o próprio Cristo fale por nós, usando o nosso instrumento de comunicação, pelas vias dos benfeitores espirituais, sempre atentos a nos ajudarem. Não alimentemos dúvidas, porque a todos de boa vontade, quando faltarem os recursos de consolar, serão acrescentados valores que correspondem ao soerguimento das criaturas que procuram assistir. Mesmo que os sofrimentos daqueles a quem visitamos sejam físicos, não esmoreçamos, que a nossa palavra de fé realizará milagres. A própria experiência vai confirmar o que afirmamos. A palavra tem o condão, quando com o Cristo, de levantar caídos, curar enfermidades e consolar os tristes, mostrando a todos que existe a esperança, canal certo para a felicidade. Procuremos mudar o modo de pensar dos sofredores de toda sorte, que eles passarão a se melhorar das suas enfermidades e, ainda mais, a alegria brotará em seus corações, qual fonte de paz e de confiança.
Livro: Filosofia Espírita – Vol. VI
Miramez / João Nunes Maia.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
Percepções, sensações e sofrimentos dos Espíritos
256. Como é então que alguns Espíritos se têm queixado de sofrer frio ou calor?
É reminiscência do que padecem durante a vida, reminiscência não raro tão aflitiva quanto à realidade. Muitas vezes, no que eles assim dizem apenas há uma comparação mediante a qual, em falta de coisa melhor, procuram exprimir a situação em que se acham. Quando se lembram do corpo que revestiram, têm impressão semelhante à de uma pessoa que, havendo tirado o manto que a envolvia, julga, passando algum tempo, que ainda o traz sobre os ombros.

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